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06/06/2010 - Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Lavagem chega ao baixo clero do crime

Por: Humberto Trezzi

Número de processos em andamento por disfarce de lucros ilegais aumenta 20 vezes e atinge de ladrões a traficantes de subúrbio.

A lavagem de dinheiro, antes restrita a senhores engravatados, virou rotina para quadrilhas de criminosos comuns. Pequenos traficantes, estelionatários, agiotas, assaltantes e outros personagens do submundo cada vez mais dão uma face honesta a negócios desonestos. Compram carros ou até empreendimentos um pouco mais ambiciosos, como postos de combustíveis, pizzarias e oficinas mecânicas. Nada exuberante, já que o objetivo não é se exibir nem ter lucro, mas apenas justificar a riqueza acumulada.

Indício disso é a trajetória de Wanderley Grehs, braço militar da mais recente quadrilha de assaltantes do Rio Grande do Sul desarticulada – aquela que costumava explodir agências bancárias de madrugada. Ao prendê-lo, dia 18, policiais civis terminaram apenas parte do serviço. Faltava saber o que foi feito dos cerca de R$ 5 milhões que Grehs e seu bando teriam roubado em 10 ataques no Interior.

Agora, os agentes da Delegacia de Roubos já têm uma ideia de onde foi parar o dinheiro: os bandidos teriam se transformado em empresários. Grehs, um ex-PM com antecedentes por tráfico, roubo, tentativa de homicídio e sequestro, teria se associado ao assaltante Carlos Ivan Fischer, o Teco, na compra de um estacionamento próximo à sede da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, e de uma residência em Santa Cruz do Sul.

– Outro integrante do bando, Ronaldo Mack, aplicou parte do milionário fruto dos roubos em uma empresa de limpeza em Canoas, em nome de um parente – descreve o delegado de Roubos, Juliano Ferreira.

O problema do delegado é que a Lei de Lavagem não prevê o roubo como um crime do qual o dinheiro obtido possa ser lavado. Ele tentará comprovar que o bando atuou no contrabando de armas (crime previsto na legislação), obtendo lucro com isso.

Até hospital vira fachada

A face mais exótica e sofisticada dessa popularização da lavagem aconteceu em Portão, no Vale do Sinos. Uma quadrilha está denunciada e presa por adquirir o único hospital da cidade, com objetivo de disfarçar o lucro obtido com tráfico de drogas.

– Por vezes, não conseguimos apreender droga, mas provamos que os lucros são incompatíveis com a ocupação. É a limpeza do dinheiro. E ambas têm pena máxima semelhante – diz o promotor Marcelo Tubino, autor da denúncia contra o grupo que comprou o hospital em Portão.

Antes restrita ao mercado financeiro, a lavagem ganhou as ruas. Investigações apontaram que um dos mais famosos assaltantes gaúchos, Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, aplicava dinheiro numa revenda de carros em Araranguá (SC), em casas no bairro Cohab-Feitoria, em São Leopoldo, e teria ainda dois postos de combustíveis, nunca encontrados. Outro notório ladrão de carros-fortes, José Carlos dos Santos, o Seco (suspeito de roubar mais de R$ 3 milhões), teria adquirido (em nome de terceiros) 30 retroescavadeiras, que a Polícia Civil ainda tenta provar que são dele.

– Uma boa estratégia, já que eles enfiam uma máquina dessas no meio do mato sabendo que ninguém checa chassis de patrola – brinca um delegado que investigou o caso.

A tentativa do baixo clero do crime de “limpar” seus negócios desagua no Judiciário. Na Justiça Estadual, aquela que lida com os casos mais simples e rotineiros, tramitam no momento 76 processos por lavagem de dinheiro. Isso é 20 vezes mais que em 2001, quando tramitavam apenas três ações judiciais desse tipo.

Na Justiça Federal, que aborda aspectos mais complexos da criminalidade organizada, foram abertos nove processos por esse tipo de delito no ano passado, o dobro do registrado em 2003, ano em que foi criada, em âmbito federal, a única vara especializada nesse tipo de delito no Estado.

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