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23/05/2010 - Tribuna do Norte Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude: A segurança do alimento alterado (1)


Qualidade é um conjunto de características quaisquer, mas, no caso de alimentação, ela está sempre associada a algum juízo sobre a “incorporação” (1): como aquilo que comemos fará parte do nosso corpo? A “incorporação” é o contato mais íntimo com as coisas do mundo: penetração, fusão, confusão de substâncias entre o absorvente e o absorvido e, claro, a possibilidade de contaminação ou purificação. Assim, magicamente, características psíquicas, morais ou simbólicas da comida passam ao comedor através da incorporação.

Para me manter puro, preciso comer o puro; para me manter são, preciso comer o são; para me tornar homem, preciso absorver os nutrientes viris; para crescer, preciso comer as plantas que possuem vida, e assim por diante. A incorporação é um eixo tanto da medicina quanto da religião e da magia (2) e, claro, do pensamento utópico alimentar. Graças à dimensão moral da incorporação, um enorme mecanismo de vigilância -que inclui dietas e a supervisão dos poderes públicos- se monta em torno do comer para assegurar a sua eficácia “nutricional”.

Mamíferos, tudo o que se refira ao leite nos toca muito de perto, quando o assunto é incorporação. Mas o leite “longa vida”, convertido em horripilante por conter soda cáustica, é o contrário do que o nome sugere. A capacidade de durar significa interromper o seu processo natural de transformação. A “longa vida” é a vida eterna do leite após a sua morte, como toda idéia de vida eterna.

A soda cáustica é um hidróxido usado na indústria como uma base química, seja para a fabricar papel, tecidos, detergentes, biodiesel ou alimentos, como o pão alemão -o pretzel–, seco, estaladiço, bastante cozido e salgado. Ora, por que nós amamos o bicarbonato de sódio e parecemos odiar a soda cáustica acrescida ao leite? Só porque esta serve para desentupir encanamentos, e nos vemos, metaforicamente, como um sistema de encanamentos delicados que nos parece melhor protegido pelo bicarbonato, especialmente quando exageramos na feijoada? E os biscoitos de amoníaco que nossas avós faziam, apesar de se tratar de algo altamente tóxico em concentrações elevadas? O que dizer da cal virgem, utilizada na fabricação do doce “duro” de abóbora?

Incorporar a química não é idéia que desperte simpatias. A naturalidade “pura” parece-nos infinitamente mais segura. Mas, então, por que a implicância com o leite cru (3)? Talvez a marca distintiva da psicologia da incorporação seja o temor permanente do mundo externo.

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