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21/05/2010 - Jornal Cruzeiro do Sul / Agência Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Políticos participavam de megaquadrilha de fraude da madeira

Por: Lígia Formenti


Uma quadrilha acusada de fraudes que deixaram prejuízo de R$ 1 bilhão com o "esquentamento" de madeira ilegalmente extraída de Mato Grosso foi desbaratada nesta sexta-feira (21), durante operação da Polícia Federal. A ação, após dois anos de investigação, resultou em 91 mandados de prisão preventiva e 91 de busca e apreensão em MT, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Distrito Federal. Até a noite, 60 pessoas haviam sido presas.

O grupo era formado por proprietários de terra de Mato Grosso, engenheiros florestais e servidores públicos do Estado. Entre os presos estão o chefe de gabinete do governo, Sílvio Cezar Correia, o ex-secretário de Meio Ambiente Luis Henrique Daldegan, o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Afrânio Migliari, a mulher e o genro do presidente da Assembleia Legislativa de MT, Janete Riva e Carlos Antonio Azoya

Para conseguir "legalizar" madeira retirada ilegalmente, integrantes falsificavam licenciamentos e planos de manejo florestal para áreas devastadas. Usavam para isso imagens de satélite de outras propriedades ou fotos antigas, simulando a existência de floresta em pé. Com base nas informações falsas, o grupo conseguia créditos ambientais - o passe livre para legalizar madeira retirada irregularmente de cerca de 100 áreas indígenas e 20 unidades de conservação ambiental.

Entre as áreas afetadas pela extração ilegal estão o Parque Indígena do Xingu, o Complexo dos Cintas Largas e a área Indígena Caiabi. Segundo a Polícia Federal, não há indícios de envolvimento de índios na quadrilha. Investigações demonstram que o grupo atuava havia pelo menos dois anos. Nesse período, o grupo extraiu R$ 900 milhões de madeira ilegal - o equivalente a 1,7 milhão de metros cúbicos de madeira.

Engenheiros florestais estariam encarregados de fazer os laudos falsos. Servidores presos são acusados de fazer "vista grossa" aos documentos falsificados e liberar os créditos numa velocidade impressionante. Geralmente, o processo de concessão demora cerca de um ano. Nos casos analisados, era preciso esperar entre 30 e 60 dias para obtenção da licença.

FRAUDE

Daldegan passou boa parte de sua gestão contestando os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que colocavam o Estado na liderança do desmatamento. Um dos argumentos de Daldegan, em 2007, era de que áreas desmatadas em anos anteriores e já computadas pelo Estado eram apresentadas como desmatamento atual. Depois, ele chegou a reconhecer a metodologia do Inpe e afirmou que acompanharia os desmatamentos em campo. Após pacto entre o governo de Mato Grosso e ONGs, o Estado deixou de fazer parte da lista dos maiores desmatadores.

O ex-secretário também se vangloriava de ter desmantelado, em 2005, uma rede de corrupção que favorecia a retirada ilegal de madeira. "Eu vejo a questão ambiental não como uma política, mas como uma questão moral de toda a sociedade", disse na época.

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