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09/05/2010 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha falsificava documentos para ficar com benefício do INSS

Com os dados dos idosos, golpistas abriam contas e faziam empréstimos. Grupo preso em SP pode ter ganho R$ 2 milhões em seis meses.

Nome completo, data de nascimento, número do benefício, da carteira de trabalho, do CPF e do valor da aposentadoria. As informações de mais de cem pessoas, em seis estados do Brasil, são de cadastros sigilosos da Previdência Social. Só funcionários credenciados do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), da Polícia Federal e de tribunais de Justiça poderiam ter acesso. No entanto, os documentos estavam em poder de uma quadrilha de estelionatários da região de Sorocaba, interior de São Paulo.

O aposentado José Antonio dos Santos Neto, de 54 anos, mora na capital paulista e foi vítima do bando. Durante seis meses, policiais acompanharam a movimentação da quadrilha. Esta semana, dez pessoas foram presas. A partir dos dados sigilosos do INSS, os criminosos escolhiam o nome de um idoso.

Os golpistas usavam informações verdadeiras, como data de nascimento e filiação, para fazer uma carteira de identidade falsa. A foto era de um integrante da quadrilha com idade aproximada da vítima. Com os golpistas, a policia encontrou várias fotos que seriam usadas na documentação ilegal.

O mesmo criminoso aparece com vários números de RG diferentes. A quadrilha ainda falsificava o título de eleitor e o CPF dos idosos. Um homem, que está preso, é a principal testemunha da polícia. Ele conta que os golpistas compravam carteiras de identidade em branco no Centro da capital paulista, por R$ 300 cada uma. A polícia tenta descobrir quem seria o fornecedor.

Usando documentos falsos, mas com dados de um aposentado real, os golpistas conseguiam abrir contas bancárias e pedir o chamado empréstimo consignado, quando a parcela já vem descontada do benefício. Os criminosos ficavam com o dinheiro; e os idosos, com a dívida.

Vítima

Em nome de um dos aposentados, havia um empréstimo consignado de R$ 4,7 mil. Na terceira parcela descontada, ele percebeu o golpe. Até conseguir provar que não era dele o financiamento, foram mais cinco prestações debitadas: quase R$ 1.200.

Já os estelionatários comemoravam muito a liberação dos empréstimos. Um deles saiu em nome de um aposentado, de 55 anos, que mora em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A vítima reclamou que ninguém acreditou quando disse que era vítima de um golpe.

“Eu nem dormia direito de noite, rezava, pegava com Deus, para resolver, para não descontar”, disse Geraldo Inácio Gonçalves. Depois de procurar o INSS, o Procon e a polícia, o aposentado conseguiu bloquear o empréstimo antes que a primeira parcela fosse cobrada. Ele ainda teme que outros golpistas estejam usando as informações sigilosas da Previdência Social.

Rendimento

A polícia calcula que o golpe tenha rendido à quadrilha presa esta semana em São Paulo mais de R$ 2 milhões em seis meses. Entre as fraudes, existe até um empréstimo em nome de um morto.

O irmão de uma mulher que não quis se identificar morreu em outubro do ano passado.Seis meses depois, os criminosos abriram uma conta bancária em nome dele, e fizeram uma dívida de R$ 3.200. “Podem ter feito muito mais que ainda não apareceu. Não estão respeitando o seu sentimento, a memória de uma pessoa que acabou de falecer.”

Para o delegado Wilson Negrão, o grupo tinha informações privilegiadas. “Nós acreditamos que sim; não só na previdência como nas outras instituições financeiras.”

A polícia também apreendeu com a quadrilha uma máquina que rouba senhas e dados de cartões bancários. A suspeita é que esta seja uma outra forma que o grupo usava para conseguir informações sigilosas. Sobre os documentos do INSS que estavam em poder dos golpistas, o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, disse que, caso os servidores sejam identificados, podem ser demitidos.

Segundo o ministro, este ano, foram feitos R$ 2,2 milhões de empréstimos consignados. Houve fraudes comprovadas em 953 contratos. “Se o aposentado identificar que há um desconto no seu contracheque, que ele não fez esse empréstimo, ele automaticamente liga no 135, ou via internet, registra isso na ouvidoria, no setor de reclamações do ministério. O banco tem dez dias para apurar ou apresentar o contrato e devolver o dinheiro ao segurado”, afirmou Gabas.

Depois de ser vítima do golpe do empréstimo, o aposentado José Antônio dos Santos Neto dá um conselho simples mas que pode evitar prejuízos no futuro: “eu tiro extrato agora de 15 em 15 dias e, quando eu movimento muito a conta, de 7 em 7 dias, eu estou tirando o extrato. Fico indignado em ver um negócio desse parar na mão de bandido.”

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