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02/05/2010 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Procuradora teria feito denúncias falsas para adotar outro bebê

História começou em 2008, quando mãe desistiu de entregar criança. Inquérito sobre denunciação caluniosa, no entanto, foi arquivado.

A procuradora aposentada Vera Lúcia Sant’Anna Gomes, acusada de torturar sua filha adotiva de dois anos, já teria feito na polícia denúncias falsas para tentar tirar o bebê de uma mãe que desistiu de dar a filha recém-nascida para adoção.

A história começou em 2008. Uma moça estava grávida e pretendia dar o bebê. “Eu estava com dificuldades, sem trabalhar, e meu marido também. A gente decidiu”, diz a mãe.

Foi a dona de casa Valéria Lima de Morais quem procurou uma família para adotar o bebê.

“Eu perguntei ao meu massoterapeuta se ele não conhecia alguém que quisesse adotar, mas que tratasse bem. Ele indicou a doutora Vera Lúcia Sant’Anna Gomes e disse que ela realmente procurava, que ela criava cachorros e gatos e adorava crianças”, diz Valéria.

“Estava mesmo decidido que ela adotaria minha filha de verdade. Foi quando a menina adoeceu. Ela passou uma semana no hospital e eu me apeguei. Então, decidi não entregar mais minha filha”, conta a mãe.

Segundo Valéria, no dia seguinte à alta da criança, a procuradora foi ao hospital e teria tirado toda a doação que tinha feito de roupas, fraldas e lençóis para o bebê.

“Mandou que a enfermeira tirasse a roupa e a fralda do bebê e deixou o bebê totalmente nu”, diz Valéria.

Não demorou muito para Valéria e a mãe do bebê voltarem a ter notícias da doutora Vera Lúcia.

“Eu estava na praia quando a minha empregada me ligou dizendo que havia dois policiais na minha porta com uma ordem de prisão para mim”, conta Valéria.

“Passados uns dias, policiais foram à minha casa”, diz a mãe do bebê.

Segundo Maria Aparecida Mallet, ex-titular da Delegacia de Criança e Adolescente Vítima do Rio, chegou às suas mãos uma denúncia numa carta, manuscrita pela procuradora, com aproximadamente 30 ou 40 páginas.

“Foi quando a delegada me informou que a denúncia era de que eu fazia tráfico de órgãos, era pedófila e vendia crianças para pedofilia”, relata Valéria.

“Começamos a investigar e percebemos que não era bem isso. Na verdade, essa denúncia poderia ser uma manobra dela para ter a criança mediante uma fachada de legalidade. Para que a polícia pedisse uma busca e apreensão da criança e então fizesse a parte dela, que era solicitar a posse e guarda provisória da criança”, diz a delegada Maria Aparecida.

Desequilíbrio emocional

A investigação concluiu que as denúncias eram falsas. Um documento com esse resultado e com o relato da tentativa frustrada da procuradora de ficar com o bebê foi entregue à Justiça.

“Foi encaminhado cópia de todo o procedimento, de toda a investigação, de todo o apuratório, ao Juizado da Infância e da Juventude, bem como ao Conselho Tutelar”, afirma a delegada Maria Aparecida.

No relatório final, há uma frase do massoterapeuta que confirmou a história, mas não quis gravar entrevista. Ele diz que a doutora Vera Lúcia estava em desequilíbrio emocional extremo.

“Se a Vara da Infância e da Juventude sabia disso, como deixou ela pegar uma criança?”, pergunta Valéria.

A juíza que concedeu à procuradora a guarda provisória da criança de 2 anos diz que se baseou em laudos que indicavam que ela era uma pessoa apta para a adoção.

“Não é só a avaliação da minha vara. Há também a avaliação dos profissionais da instituição de abrigo. E todos foram unânimes em dizer que ela era uma pessoa apta a fazer aquela adoção”, alega Ivone Ferreira Caetano, juíza titular da Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro.

A mãe que desistiu da adoção na última hora reconheceu a procuradora na televisão.

“Eu coloquei minha filha no lugar daquela criança. Era minha filha que estaria lá”, diz Valéria.

Procuradora nunca foi investigada

A procuradora Vera Lúcia teria cometido um crime de denunciação caluniosa, que dá entre dois e oito anos de prisão. Mas a delegada foi transferida, o inquérito, arquivado, e a procuradora nunca foi investigada.

Na sexta-feira (30), a polícia encaminhou ao Ministério Público pedido de prisão preventiva de Vera Lúcia Sant’Anna Gomes por racismo contra as duas empregadas, que depois a denunciaram, e por tortura contra a menina de dois anos.

O Fantástico procurou a procuradora por meio de seu advogado e por três dias ele se negou a comentar as novas denúncias e diz que não sabe onde ela está. A Justiça deve decidir na próxima semana sobre a prisão preventiva da procuradora.

“Ficou constatada a multiplicidade das lesões. As lesões ocorreram em datas diferentes, em um período de 30 dias. Elas ocorreram diversas vezes, por meio cruel”, diz a delegada Monique Vidal.

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