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13/03/2007 - O Estado de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpe telefônico contra dekasseguis

Por: Rodrigo Brancatelli


- Desculpa ligar de madrugada para dar essa notícia, mas seu filho sofreu um terrível acidente e está muito machucado.

- O Norio? Mas ele mora em Fukushima...

- Sim, o Norio, minha senhora. Ele está no hospital de Fukushima.

Sem perceber, um pouco pelo sono e um pouco pelo susto causado pela informação, a musicista Kumiko Nishihata, de 47 anos, deu toda a munição que os bandidos precisavam para dar um golpe que está se tornando cada vez mais freqüente na comunidade japonesa em São Paulo. O criminoso do outro lado da linha não sabia quem era Norio - muito menos onde fica Fukushima -, mas usou a ingenuidade da mãe para pedir R$ 5 mil para a conta médica.“Falaram que era urgente, que ele morreria”, diz Kumiko. “Quem não ficaria apavorada?”

O marido de Kumiko desconfiou da história e ligou para Norio, que assistia televisão do outro lado do globo. O golpe acabou não se consumando. Segundo levantamentos do Consulado Geral do Japão em São Paulo, da Fundação Brasil-Japão e de associações de dekasseguis, pelo menos dez casos parecidos ocorreram na cidade de São Paulo desde o começo deste ano. O Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) admite que o número deve ser maior, já que poucos membros da colônia fazem boletim de ocorrência.

O procedimento é muito parecido com o golpe do falso seqüestro, que, somente nos primeiros 45 dias do ano, causou mais de 3.150 queixas no Centro de Operações da Polícia Militar. A diferença é que os bandidos procuram pais de família e donas de casa cujos filhos ou parentes mais próximos estejam trabalhando no Japão, os chamados dekasseguis. “Desde o segundo semestre do ano passado, isso está se tornando cada vez mais comum”, diz Toshiaki Shimizu, cônsul japonês em São Paulo para assuntos policiais. “Como é mais difícil de checar se o familiar não está realmente machucado no exterior, os golpistas se utilizam dessa fragilidade.”

De acordo com o cônsul, bandidos conseguem informações em conversas casuais com os próprios membros da colônia - investigações sobre os números das contas repassadas para os depósitos da extorsão só deram em nomes de laranjas, que não sabiam do crime. Shimizu está agora fazendo um trabalho de conscientização da comunidade japonesa em São Paulo, dando dicas de como evitar o golpe. “Existem algumas modalidades diferentes, os criminosos também podem contar uma história de que o parente foi assaltado no Japão e precisa repor o dinheiro de alguma forma”, conta.“O importante é sempre manter telefones de amigos e colegas para tentar contatar o familiar em caso de emergência, além de suspeitar de qualquer ligação em que a pessoa não se identifique prontamente. Em caso de dúvidas, peça para anotar o telefone do interlocutor e ligue de volta.”

EXTORSÃO

A comunidade nipônica na cidade de São Paulo tem 398 mil pessoas, 23 mil delas nascidas no Japão e 375 mil descendentes, segundo o Consulado do Japão em São Paulo. Em 2005, o Ministério da Justiça estimou que 302 mil dekasseguis vivem no Japão legalmente, enviando cerca de US$ 2 bilhões por ano para o Brasil. “Em dezembro, um cara com nenhum sotaque japonês ligou aqui em casa às 4 horas falando que meu filho tinha sofrido um terrível acidente no Japão”, diz o vendedor Chitoshi Itohara, cujo filho mora em Tóquio há cinco anos.“Ele pediu R$ 10 mil para pagar o hospital, pois era necessário fazer uma cirurgia. Minha mulher ficou apavorada, correu para o computador e tentou fazer a transferência. Mas, como o banco bloqueou a operação, procuramos o consulado. Só aí descobrimos que tudo não passava de golpe.”

Para evitar uma epidemia dessas ligações, o Centro de Informação e Apoio aos Trabalhadores no Exterior (uma espécie de agência de intercâmbio que oferece empregos no Japão e presta serviços de informação e de orientação aos dekasseguis) dedicou palestras para avisar as famílias sobre esse tipo de crime.

“Instruímos as pessoas a sempre duvidar dessas ligações e não fornecer informações sobre amigos e parentes para desconhecidos”, diz o advogado Masato Ninomiya, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do centro.

“Houve casos em que os golpistas pediram US$ 50 mil, US$ 100 mil. Já até ligaram na minha residência, avisando sobre um acidente com meu filho. A diferença é que ele estava, na verdade, aqui em São Paulo, dormindo”, afirmou o professor.

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