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15/04/2007 - O Estado de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Imagens mostram momento da apreensão do dinheiro pela PF


RIO - Imagens produzidas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Hurricane(furacão, em inglês) e obtidas pelo programa de televisão Fantástico, da TV Globo, mostram o momento em que policiais encontraram R$ 10 milhões, 300 mil euros, jóias e relógios de luxo escondidos em um compartimento secreto, ocultado por uma parede falsa, em imóvel na zona norte.

O dinheiro estava no escritório de Júlio Guimarães, sobrinho do bicheiro Aílton Guimarães, o Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), também detido na Hurricane.

Ao vasculhar o escritório, policiais desconfiaram que um armário embutido poderia esconder uma parede falsa. Depois de arrancar o fundo do móvel, os agentes decidiram usar uma marreta contra a parede de alvenaria, que descobriram ser oca. Em seguida, examinaram o compartimento com uma lanterna e se entusiasmaram ao descobrir uma montanha de dinheiro. "Muita grana, moleque!", exultou um policial.

Eram dezenas de malotes recheados com maços de R$ 10 mil. Para contar o dinheiro, a polícia precisou usar máquinas. Depois disso, os malotes foram transportados por helicóptero e carro-forte e ficariam no Banco Central.

Carnaval
O delegado da Polícia Federal Emanuel Henrique de Oliveira levantou a suspeita de que outro bicheiro preso na operação da PF - Anisio Abrahão Davi, o Anísio, presidente de honra da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis - teria influenciado o resultado do desfile das escolas de samba no carnaval deste ano. A Beija-Flor foi campeã. Nos últimos cinco anos, a escola ganhou quatro vezes.


A operação
A Operação Hurricane, realizada pela Polícia Federal na sexta-feira, 13, realizou 25 prisões nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal e ocorreu após um ano de investigações, ordenadas em uma operação sigilosa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) César Peluzzo.

A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal.

Na operação a Polícia Federal apreendeu 30 carros de luxo, uma moto e uma grande quantidade de dinheiro, sendo necessário um carro-forte para o transporte até uma agência da Caixa Econômica Federal.

A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho e, em setembro de 2006, foi remetida pelo procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, para o Supremo Tribunal Federal, devido ao surgimento do nome do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Paulo Medina.

A partir de então, o inquérito 2.424/2006 passou a ser presidido pelo ministro do STF Cézar Peluso. Ele autorizou a instalação de escuta, inclusive no gabinete de Carreira Alvim, cujos microfones foram descobertos no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do Tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a nove.


Os presos
- Ailton Guimarães Jorge - bicheiro, conhecido como Capitão Guimarães, é presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

- Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo

- Anísio Abrão Davi - bicheiro e presidente de honra da Beija-Flor

- Antonio Petrus Kallil - bicheiro, conhecido como Turcão

- Carlos Pereira da Silva - delegado da Polícia Federal de Niterói

- Delmiro Martins Ferreira

- Ernesto da Luz Pinto Dória - juiz do Trabalho do TRT da 15ª Região (Campinas, SP)

- Evandro da Fonseca - advogado

- Francisco Martins da Silva

- Jaime Garcia Dias - advogado

- João Sérgio Leal Pereira - procurador da República. Acusado de integrar esquema de fraudes em sentenças judiciais ao lado do desembargador Ivan Athié. Está afastado do cargo. Foi preso na Bahia.

- José Eduardo Carreira Alvim - ex-vice-presidente do TRF-2.ª Região, do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e desembargador federal

- José Luiz Rebello

- José Renato Granado Ferreira - empresário

- José Ricardo de Figueira Regueira - desembargador federal

- Júlio Guimarães Sobreira

- Laurentino Freire dos Santos

- Licínio Soares Bastos

- Luiz Paulo Dias de Mattos - delegado da Polícia Federal

- Marcos Antônio dos Santos Bretas

- Paulo Roberto Ferreira Lima

- Sérgio Luzio Marques de Araújo - advogado e irmão do juiz federal Marcelo Luzio

- Silvério Néri Cabral Junior - advogado

- Susie Pinheiro Dias de Mattos - delegada da Polícia Federal. Estava licenciada para exercer o cargo de corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com função era combater as fraudes de combustíveis.

- Virgílio de Oliveira Medina - advogado. Irmão do ministro do STJ Paulo Medina

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