Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

04/04/2010 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Doping: a 'fraude' lusa que espantou o ciclismo ibérico

Por: Duarte Ladeiras


DN revela o esquema seguido na pré-época pela LA-MSS, elaborado por um médico contratado pelo director desportivo... Ambos são arguidos no julgamento que começa na quarta-feira. No processo consultado pelo DN pode ver-se como funcionava o plano de dopagem dos atletas na temporada de 2008. Dos fins de Dezembro ao início de Fevereiro tudo era calculado ao milímetro e 'passado' aos ciclistas que, para surpresa geral, ombrearam com as melhores equipas espanholas

Arranca ana quarta-feira o julgamento dos dois arguidos resultantes da investigação ao doping na equipa LA-MSS: Manuel Zeferino, ex-director desportivo, e Marcos Maynar, ex-médico da formação, ambos indiciados por oito crimes de administração de substâncias dopantes e outros tantos de corrupção de substâncias alimentares. Os ciclistas não foram acusados pelo Ministério Público (MP), mas não escaparam à justiça do ciclismo.

Na origem do processo penal e das sanções desportivas está um esquema de dopagem com uso intensivo de dopantes na pré-época, desaparecimentos providenciais, pós mágicos para manipular amostras e fármacos 'caseiros' ou comprados na Internet e em Andorra.

Um faxe em espanhol encontrado na pasta pessoal de Zeferino e ficheiros do computador de Maynar, em Espanha, com os nomes dos ciclistas, ambos com conteúdo coincidente, permitiu perceber que é desde os fins de Dezembro até aos primeiros dias de Fevereiro que se prepara a época do ponto de vista de doping.

Os documentos, incluídos no processo penal, que o DN consultou, revelam que os corredores tinham a indicação para começar por tomar Anapolon de 18 a 24 de Dezembro. Amostras deste fármaco foram apreendidas na casa de Pedro Cardoso, num saco que lhe fora entregue por Maynar, mas as análises revelaram que não continha o anabolizante indicado na embalagem

A seguir, durante seis dias, os atletas deveriam tomar um segundo tipo de anabolizante, seguindo, nos primeiros sete dias de Janeiro, com o uso de outra substância do mesmo tipo: oxandrolona.

Um período de três semanas que era compensado com outro remédio, Pregnyl (gonadotrofina coriónica, para evitar a atrofia dos testículos e eventuais problemas sexuais, devido aos efeitos secundários dos anabolizantes), e por férias forçadas; Maynar diz aos corredores para "tirarem férias e desaparecerem de casa" até ao dia 17, para escapar a testes fora de competição.

Acabadas as 'férias', começa o período das hormonas: primeiro, três semanas de eritropoietina (EPO) sintética clássica, que os ciclistas deveriam pedir a Zeferino; depois uma combinação de injecções de darbepoietina, EPO de 2.ª geração e que necessita de menos injecções, e insulina. O plano de dopagem terminava oito dias antes da primeira prova da época, a tempo de 'limpar' vestígios.

E terá sido com base neste esquema que a LA-MSS se apresentou no início de 2008 como a equipa dominadora em Portugal, capaz de ombrear com formações espanholas teoricamente mais poderosas. O desempenho da equipa lusa espantou o ciclismo ibérico ao vencer a Subida de Naranco e a Volta às Astúrias e ao cilindrar a concorrência no Grande Prémio Rota dos Móveis.

Mesmo com margem para os vestígios desaparecerem dos corpos dos atletas, Maynar ordenava aos corredores para fazerem análises sanguíneas, de modo a verificar se os indicadores hematológicos não ultrapassavam os limites legais. No carro da LA-MSS foi encontrada uma centrifugadora sanguínea, os ciclistas confirmaram à Polícia Judiciária (PJ) que eram submetidos a análises ao sangue. Ao ser interrogado, Maynar, disse que desconhecia a existência da máquina, mas compreendia o porquê da sua aquisição: é que, segundo afirmou o médico espanhol, trabalhava para Zeferino para detectar eventual dopagem dos corredores e solicitava os seus índices sanguíneos.

Perante os investigadores, Maynar também assumiu que era responsável pela prescrição de todo o material clínico. O médico indicava ao director desportivo o que comprar e este encomendava a uma terceira pessoa, que se abastecia em Andorra. Maynar garantiu que só receitava remédios que poderiam ser usados com autorização de utilização médica, mas perícias técnicas ao seu computador revelam que este indicou à LA-MSS sites onde comprar dopantes, incluindo anabolizantes fabricados no mercado negro.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 235 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal