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08/02/2006 - Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Emprego: golpe do teste psicológico faz novas vítimas

Por: Fabiana Parajara


SÃO PAULO - No último dia 1º de fevereiro, o estudante universitário T.S.V., de 30 anos, recebeu um telefonema da Gatework, agência de empregos. Era para agendar uma entrevista de emprego para o dia seguinte. A vaga com salário de R$ 3 mil, com direito a vale-transporte e pagamento de 60% da mensalidade da faculdade (ele freqüenta o curso de Marketing), despertou o interesse do universitário que procura emprego há meses.

- Cheguei ao escritório, um pouco antes da hora marcada e fui imediatamente atendido. Depois de uma breve conversa, os entrevistadores disseram que a vaga era minha e que, para completar o processo, teria de apresentar um exame psicológico que custava R$ 2.400. Eles disseram que após a contratação, a empresa me reembolsaria o valor - conta o universitário.

Mas T.S.V. não dispunha de tanto dinheiro para pagar e ofereceu todo o primeiro salário como pagamento.

- Eles recusaram, disseram que tinham custos e, depois de muito negociar, o valor caiu para R$ 800. Durante todo o tempo fui muito pressionado. Diziam que se eu não fizesse logo o teste, perderia a vaga. Assim que assinei o cheque, um dos entrevistadores disse que ia almoçar enquanto eu fazia do teste - lembra.

Enquanto T.S.V fazia o teste, o cheque foi descontado. Ao sair, T.S.V resolveu usar a internet para conseguir mais informações sobre a empresa de recolocação. Descobriu várias listas na internet com pessoas que passaram pela mesma situação. Nenhuma conseguiu qualquer emprego. Pior, poucos conseguiram reaver o dinheiro.

- Depois que você paga, eles apresentam um contrato e dizem que é apenas uma formalidade. Que a vaga já é minha. O contrato afirma que paguei pelos testes e pelo serviço da Gatework, que enviará meu currículo para várias empresas. Diz ainda que a vaga não é garantida - conta T.S.V.

Amparada pelo contrato assinado, essas empresas acabam impunes. E a situação se repete diariamente. A nutricionista Priscila Monteiro, de 33 anos, foi outra que caiu no conto.

- Eles pegam a gente no pior momento da nossa vida, quando estamos muito frágeis emocionalmente. Eu pensava: 'se não pagar, vão pensar que eu não quero pegar no batente' - diz ela, que acreditou na mesma história duas vezes num curto espaço de tempo.

As empresas FAN RH e Interview cobraram de Priscila R$ 680 e R$ 840, respectivamente. Ao ver que o tempo passava e a vaga não aparecia, ela resolveu se informar e encontrou, pela internet, várias pessoas na mesma situação.

- Resolvemos então entrar com uma ação contra a Interview. Somos cinco pessoas, com ações individuais, e que são testemunhas uma da outra. Houve uma primeira audiência de conciliação, na qual a empresa ofereceu o ressarcimento do valor pago. Não aceitei porque quero também uma indenização por danos morais. Todo esse processo foi muito desgastante - afirma ela.

Ela conta que mesmo com o processo em andamento, ainda recebeu ligações da Interview com o mesmo tipo de proposta.

- Quando dizia que já conhecia a empresa, a pessoa imediatamente desligava o telefone - conta ela, que também vai processar a FAN RH.

Tanto a Interview quanto a Gatework negam a venda de vagas.

- O contrato é assinado antes do pagamento. A empresa não usa a venda de vagas. Isso está escrito em nosso contrato. Tudo o que foi falado consta do contrato - diz Bruno Segala, gerente comercial da Gatework.

- Ao contrário do que muita gente informa, o custo da contratação não corre por conta das empresas. Elas não pagam pela recolocação. Querem os profissionais já triados. É essa triagem que oferecemos aos profissionais - afirma Segala.

Segundo ele, o custo médio dos testes psicológicos na empresa é de R$ 1.300.

- Não existe isso de pagar sem ver o contrato. O contrato da Interview foi ajustado com o Ministério Público. Nele consta a cláusula de que não há garantia de vagas, até porque a venda de vagas é crime - diz o advogado da empresa, que prefere não ser identificado nesta reportagem para não ter seu nome vinculado ao setor.

- A empresa trabalha direitinho. O problema é que tem uma nuvem negra sobre o setor porque muita gente não é idônea - afirma o advogado.

No 78º Distrito Policial, dos Jardins, há diversos boletins de ocorrência registrados contra as duas empresas. Segundo um policial que prefere não ser identificado, os casos deixaram de ser registrados como estelionato e passaram a ser registrados como crimes contra o consumidor.Na prática, o contrato assinado acaba funcionando a favor da empresa, que argumenta na Justiça que apenas cobrou pelo seu trabalho e que o candidato a emprego já sabia de antemão que o emprego não era garantido.

- É um tipo de propaganda enganosa. Era muito complicado comprovar os estelionatos por causa dos contratos apresentados pelas empresas. O registro como crime contra o consumidor aumenta a chance de a pessoa reaver o dinheiro - afirma o policial.

Segundo ele, diversas outras empresas atuam da mesma forma na região da Avenida Paulista, mas a maioria dos boletins é referente a atuação da Gatework e da Interview.

De acordo com Marcos Diegues, gerente jurídico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), casos como os de T.S.V. e Priscila não são novos e freqüentemente se repetem.

- Antes de qualquer pagamento, é preciso ler com atenção os contratos para poder cobrar seus direitos depois. Se há garantia de emprego, a pessoa já deve desconfiar. Muitas cedem à pressão porque estão vulneráveis. Esses são casos de polícia, que devem ser denunciados - afirma.

Na Fundação Procon de São Paulo, os registros desses casos são comuns.

- Essas empresas não têm vagas alguma. Elas usam a isca para chegar ao desempregado, que está fragilizado e faz qualquer negócio. É uma ação criminosa. Como quase nunca há testemunhas, porque as entrevistas são individuais, fica difícil provar o crime. O que a pessoa tem de fazer é reunir outras vítimas, que servirão como testemunhas para provar que é uma prática recorrente da empresa - orienta Selma do Amaral, do Procon.

Foi o que fez Priscila Monteiro, que deu entrada na ação em meados do ano passado. Ela diz que o processo é lento e complicado, mas que vale a pena denunciar.

- Muitas vítimas acabam deixando para lá. Não pode. É preciso que a empresa sofra uma ação criminal para que não engane mais ninguém - afirma.

Segundo T.S.V, que tentou o ressarcimento amigável, no último dia 3 de fevereiro, a Gatework teria informado a ele que a política da empresa é só fazer o ressarcimento por ordem judicial.

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