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29/03/2010 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado / The Guardian Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O homem que desmascarou Madoff

Por: Andrew Clark

Celebrado com atraso, Harry Markopolus tentou inúmeras vezes alertar as autoridades sobre a pirâmide financeira de US$ 65 bilhões.

Numa pequena cidade de Massachusetts, o americano Harry Markopolos, administrador de fundos, temia por sua vida. Durante três anos, ele portou um revólver Smith & Wesson, procurou bombas em seu carro e evitou caminhar por ruas escuras e vazias.

Aficionado por matemática, Markopolos desvendou o segredo do maior farsante de Wall Street. Celebrado com atraso por ter soado o alarme e antes ignorado por todos, tentou inúmeras vezes alertar as autoridades americanas sobre a pirâmide financeira de US$ 65 bilhões erguida por Bernard Madoff, que implodiu no fim de 2008, causando prejuízos bilionários a instituições de caridade, fundos de hedge, pensionistas e astros de Hollywood.

"Madoff foi um predador consciente. Frequentava casamentos e funerais. Nos velórios, ele abraçava as viúvas e dizia, "tomarei conta de você", e pouco depois liquidava com elas", diz Markopolos. "Nas ocasiões sociais, ele se comportava como um caçador. Todos pensavam nele como o simpático tio Bernie."

Visto como obsessivo equivocado até a confissão de Madoff, Markopolos passou a temer cada vez mais pela própria segurança. "Pense no que eles estavam fazendo", diz Markopolos, que temia uma reação tanto da parte de Madoff quanto dos inofensivos fundos "feeder" (criados sob medida para alimentar a pirâmide), que transferiam ao investidor o dinheiro de seus fregueses. "Se ele não encontrasse motivos para me matar, pense nos fundos feeder. O que aconteceria com o estilo de vida desses administradores? Todos enfrentarão a ruína financeira, serão processados e, com sorte, muitos acabarão na cadeia. Até que ponto as pessoas estão dispostas a proteger seu padrão de vida?"

Dotado de uma compreensão instintiva dos números por trás de complexos derivativos financeiros, Markopolos percebeu algo errado já em 1999, quando seu chefe na Boston Rampart Investment Management pediu que ele desenvolvesse um produto capaz de reproduzir os impressionantes resultados obtidos por Madoff.

Em seu livro recém-publicado, No One Would Listen (Ninguém quis escutar, editora John Wiley & Sons, sem tradução no Brasil), Markopolos descreve como se esforçou para compreender como Madoff conseguia obter lucros de 1% a 2% mês após mês, mantendo-se em território positivo durante 96% do tempo. Durante meses, ele tentou reproduzir o funcionamento da estratégia professada por Madoff, usando uma cesta de ações do S&P 500 protegidas do risco por meio de opções na bolsa de derivativos de Chicago.

"A matemática não deixava dúvidas", disse Markopolos ao Guardian, em entrevista concedida num bar irlandês de Manhattan. "A proporção entre risco e lucro era simplesmente a maior já vista na história."

É fácil dizer isso depois que o esquema foi desmascarado. Mas Markopolos afirmou a mesma coisa durante anos ? não apenas uma vez, mas continuamente. Ele procurou a comissão de valores mobiliários (SEC) ainda em 2001, entrou em contato com políticos e tentou convencer jornalistas a escrever sobre Madoff, conseguindo que algumas revistas de negócios publicassem matérias céticas a respeito do caso. Numa jogada elaborada, em 2005 ele entregou à SEC (a comissão de valores mobiliários americana) um dossiê detalhado intitulado: o maior fundo de hedge do mundo é uma fraude. Por que ninguém reparou nisso?

"O principal problema foi a incompetência", diz Markopolos, segundo o qual a equipe da SEC ? composta principalmente por advogados, e não por financistas ? não dispunha do conhecimento técnico necessário para acompanhar o raciocínio dele. Além disso, a fraude era impensável. "O esquema era simplesmente grande demais."

Alto e magro, vestindo um impecável terno creme e uma camisa rosa, Markopolos, 53 anos, transmite uma impressão de credibilidade, apesar de haver em sua fala um grau de certeza que pode à vezes parecer incômodo. Pai de três meninos pequenos, ele foi criticado por sua obsessão e acusado de buscar fama pessoal, enquanto outros se perguntam se ele teria sido motivado por uma recompensa financeira, coisa que Markopolos nega.

Excêntrico. O Wall Street Journal, que recebeu o dossiê sobre Madoff e nada fez por dois anos, recentemente o descreveu como "um pouco perturbado". "É claro que sou um pouco excêntrico", reconhece Markopolos, que revela em seu livro ter em certo momento mantido ao alcance uma velha máscara de gás do exército para o caso de os investigadores da SEC invadirem sua casa com gás lacrimogêneo.

"Quando se está denunciando uma fraude desse porte, é preciso ser excêntrico. É necessário acreditar firmemente em seus valores centrais e estar disposto a arriscar tudo para fazer aquilo que é certo."

Testemunhar diante de uma comissão do congresso, diz ele, foi uma experiência muito agradável, e Markopolos gosta do interesse manifestado por autores de roteiros cinematográficos na história do caso ? ele sugere que talvez Nicolas Cage possa interpretar o papel dele, como um "nerd durão".

Ele desistiu da administração de fundos em 2004 para se dedicar integralmente à investigação de fraudes financeiras e foi presenteado no ano passado pela Sociedade dos Analistas de Valores Mobiliários de Boston.

Cumprindo uma sentença de 150 anos numa prisão federal da Carolina do Norte, Madoff levou a SEC a reexaminar seus procedimentos e implementar uma série de reformas.

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