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28/05/2002 - UOL Notícias / Boston Globe Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A China está perdendo batalha contra a pirataria industrial

Por: Indira A. R. Lakshmanan


Seis meses após a China ter entrado para a Organização Mundial do Comércio (OMC) com a promessa de acabar com a indústria da falsificação, discos, fitas, softwares e outros produtos piratas são vendidos abertamente como nunca no país. Os produtos pirateados são mais baratos e fáceis de ser encontrados do que os originais.

Quer se trate de um recém-lançado DVD do Homem Aranha, ou de uma imitação aparentemente perfeita de uma bolsa da Louis Vuitton, por US$ 25 (cerca de R$ 63), a pirataria está por toda parte, e as autoridades parecem ser incapazes de - ou não desejar - impor a repressão que prometeram antes de a China ser admitida no clube global de comércio.

A pirataria representa um prejuízo anual estimado em US$ 16 bilhões (algo em torno de R$ 40,3 bilhões) para os estúdios de gravação, gigantes da indústria de Software, como a Microsoft, e outras empresas ocidentais, segundo as organizações comerciais. Isso sem mencionar os danos para a imagem das marcas, acarretados pelos produtos grosseiramente falsificados. Os defensores do ingresso da China na OMC argumentaram que, tão logo fizesse parte da organização, o país teria muito mais apoio e incentivo para punir os falsificadores como forma de encorajar os investimentos estrangeiros e a distribuição de produtos originais mais caros.

Porém, a despeito de uma intensa campanha contra a pirataria anunciada pela cúpula do governo, os efeitos até agora são nulos. Algumas companhias estrangeiras acreditam que as autoridades estejam lucrando com a indústria da falsificação. Mas, seja por corrupção ou por incompetência para fazer cumprir a lei, a falha da China em conter vigorosamente a pirataria pode assinalar dificuldades para a implantação de uma série de concessões de mercado que Pequim fez à OMC, que serão dolorosas para produtores e consumidores chineses.

Os produtos falsificados podem ser encontrados em toda parte, incluindo os Estados Unidos. Mas é difícil imaginar que haja um local que produza e distribua falsificações em escala chinesa. A segunda parte da trilogia "O Senhor dos Anéis" não está sequer agendada para ser exibida nos cinemas norte-americanos até o final deste ano. Mas cópias em DVD daquilo que se alega ser o filme já podem ser encontradas nas ruas de Xangai.

Christine Lin, gerente da maior rede de cinemas da China, o Studio City Meingzhen Entertainment Management, em Xangai, diz que espera que uma investida governamental contra a pirataria reverta a redução das vendas de ingressos para as salas de exibição ocasionada pela comercialização de DVDs piratas. "Realmente não sabemos quanto tempo uma tal ação demoraria para surtir efeito. Neste país, é impossível pressionar o governo".

Em um dos mercados abertos mais populares de Xangai, centenas de camelôs vendem tudo o que se possa imaginar, desde falsas carteiras Cartier, por US$ 15 (cerca de R$ 38), até imitações de jaquetas North Face, por US$ 26 (algo como R$ 65). Há vários tipos de falsificações, dependendo do material e da arte dos falsificadores. As cópias de "nível A" são praticamente idênticas aos produtos originais. Caso os consumidores não encontrem nada que lhes agrade, eles podem procurar nos catálogos de artigos de luxo e escolher algo, fazendo uma encomenda a uma fábrica chinesa. Tudo isso ocorre a poucos quarteirões do shopping center onde as autênticas lojas Ralph Lauren e Tommy Hilfiger contam com bem menos movimento.

"Nada mudou depois que a China entrou para a OMC", reclama Anne-Cannelle Gergaud, gerente de uma loja da Christian Dior em Xangai, que conta com uma equipe para investigar os casos de falsificação. "A situação fica pior a cada dia. Cada vez que contamos com um sucesso, presenciamos a criação de um novo produto pirata no dia seguinte. Antigamente, as melhores cópias eram feitas na Coréia e na Itália. Agora, as obras-primas da falsificação vêm da China".

Felicia Deng, representante de comunicações para a Cartier na China, diz não se preocupar com a possibilidade de os fregueses confundirem uma falsificação com um autêntico Cartier. "Mas, em nome da imagem da marca e para a proteção dos nossos clientes, entramos com centenas de processos judiciais na China todos os anos, e ganhamos a maior parte deles", diz Deng.

"Não importa o que a China tenha prometido à comunidade internacional. O fato é que não é possível acabar com todas as falsificações. O máximo que podemos fazer é conter a expansão dos falsificadores", afirma.

No entanto, quando as autoridades policiais chinesas decidem agir para valer, elas conseguem ser bastante eficientes. Quando o presidente Bush e outros líderes da Conferência Econômica Ásia-Pacífico se reuniram aqui no ano passado, às vésperas das negociações finais para a entrada da China na OMC, a polícia de Xangai se comprometeu a projetar uma boa imagem do país, tendo varrido da rua todos os produtos falsificados.

Durante uma semana, os gritos populares dos camelôs - "DVDs? CDs? Dez yuans!" (aproximadamente R$ 3,15) - desapareceram das ruas. Os inspetores da Delegacia da Indústria e do Comércio convocaram um encontro no popular mercado Xiangyang, e apresentaram uma lista de mais de 20 produtos que, segundo eles, não poderiam mais ser copiados a partir de 10 de novembro, o dia em que a China assinou a sua inscrição na OMC. Os inspetores prometeram confiscar produtos falsificados e multar os vendedores. Após duas multas, o vendedor infrator seria expulso do mercado.

No início, alguns vendedores levaram a ameaça a sério, tendo feito liquidações para se livrar dos seus produtos, ou escondendo a mercadoria falsificada sob as mesas. Mas várias lacunas se tornaram evidentes desde o dia em que a ordem foi baixada. O Burberry, por exemplo, não estava na lista de produtos proibidos e, portanto, os falsificadores deduziram que poderiam continuar fazendo cópias do tecido.

Feng, um vendedor de bolsas, de 21 anos, diz acreditar que a campanha contra a pirataria, inspirada pela OMC, seria uma vantagem. Mais fábricas chinesas passariam a fazer produtos originais, ou talvez a participação na OMC significaria que a China pudesse obter permissões a preços mais acessíveis para vender legitimamente produtos estrangeiros. Mas não foi isso o que se passou. Logo ficou evidente que as regras contra a pirataria não seriam aplicadas para valer. Portanto, os camelôs voltaram a atuar como sempre, e Feng teve que seguir o exemplo de todos para enfrentar a concorrência.

A polícia geralmente deixa os vendedores de Xiangyang em paz. Os camelôs pagam um aluguel a uma empresa que gerencia o comércio.

Todos os dias, milhares de camelôs vão a luta nas mesmas calçadas de Xangai, apesar das ocasionais investidas dos policiais que usam uniformes negros e que chegam em motocicletas. Raramente se ouve o grito de advertência, "Gato preto à vista!" - em uma referência a um desenho animado chinês cujo astro é um gato policial - o que é um sinal para que os camelôs empacotem os seus produtos e fujam.

Uma providência mais eficaz seria impor penas severas sobre as fábricas e redes internacionais de contrabando que produzem e distribuem softwares falsificados, DVDs e produtos da moda. "O problema tem que ser resolvido em um outro nível, porque na China há gente demais envolvida neste negócio", afirma Gergaud, da Christian Dior.

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