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21/03/2010 - SEGS Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Combate à fraude em seguros começa pelo controle de reguladoras de sinistros

Por: Márcia Alves

Para evitar fraudes, a Policia Civil de São Paulo deverá solicitar às seguradoras informações sobre as empresas e os profissionais que atuam na regulação de sinistros no estado.

A informação foi divulgada pelo regulador de sinistros, Carlos Alberto Azzolini, diretor da Azzolini Reguladora de Sinistros, durante palestra sobre a fraude em seguros, realizada no auditório da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), em São Paulo (SP), na noite de 16 de março. Entre as autoridades presentes na platéia, formada por mais de 130 pessoas, estava o presidente do CVG-SP, Osmar Bertacini.

Perito criminal por 30 anos e regulador de sinistros nos últimos 35 anos, Azzolini tem experiência de sobra para concluir que o combate à fraude em seguros depende da troca de informações e conhecimentos entre prestadoras de serviços de regulação de sinistros e seguradoras. Esse intercâmbio, a seu ver, deve começar pela identificação das empresas e profissionais que atuam no setor.

Azzolini conta que, tempos atrás, ele mesmo atuou na prisão de um grande fraudador de seguros que, mais tarde, absolvido do crime, se tornou investigador de sinistros, permanecendo até hoje na atividade. Há também muitos casos, segundo ele, de criminosos que se passam por reguladores de sinistros. “Às vezes o sujeito vai ao Deic, tira foto da carga apreendida, e a polícia sequer sabe quem ele é”, diz.

Para corrigir esta falha, ele conta que, recentemente, foi procurado pela Polícia Civil para prestar informações sobre a atividade de regulação de sinistros. A partir desses dados, a Polícia Civil então lhe pediu que divulgasse às companhias sobre o envio, em breve, de um ofício, solicitando a todas informações a respeito das empresas e profissionais de regulação com os quais atuam.

Tal iniciativa, segundo Azzolini, poderá beneficiar, inclusive, os profissionais que atuam na área, os quais não estão livres de responder criminalmente na Justiça por eventuais erros cometidos na regulação de sinistros. Em uma das audiências que participou, envolvendo a reclamação do segurado pela falta de troca da porta do veículo, ele disse que foi questionado pelo juiz sobre a pessoa na foto, apresentada no laudo, que segurava um aparelho para medir a quantidade de pintura do veículo. “Respondi a verdade, que não conhecia”. Depois, ficou sabendo que a tal pessoa foi ouvida pelo juiz e confirmou sua resposta. “Caso não dissesse a verdade, poderia ter sido indiciado pelo juiz”, afirma.

Troca de informação

Azzolini acredita que muitos casos de fraudes poderiam ser evitados ainda na fase de aceitação do seguro a partir da simples troca de informações entre os departamentos das companhias. Em uma pesquisa envolvendo sinistros de automóvel, ele descobriu a atuação de uma quadrilha especializada em fraudar o seguro de responsabilidade civil de terceiros. Cruzando os dados, Azzolini detectou o caso de um segurado que recebeu diversas indenizações ora como segurado e ora como terceiro, em companhias diferentes e em anos distintos, apresentando sinais de enriquecimento durante esse período.

Em outro caso de regulação de sinistro de roubo, Azzolini informou que recebeu em seu escritório um segurado, no qual percebeu a ausência de três dedos em uma das mãos. Suspeitando se tratar de um caso típico de automutilação, em que o intuito fora receber a indenização por acidentes pessoais, ele solicitou o levantamento dos antecedentes do segurado. Antes mesmo de receber a resposta, o segurado confessou o crime e desistiu da indenização por roubo. “Se a companhia tiver como verificar os antecedentes no momento da contratação poderá matar a fraude em sua origem”, avalia.

Ética e formação

No seguro de transportes, entre os casos mais comuns de fraudes, ele apontou as colisões entre caminhões e carros de passeio, geralmente adquiridos em leilões de salvados. Ele contou que os carros avariados são levados a cruzamentos para provocar o choque com caminhões, porque, na maioria dos casos, o sinistro é indenizado sem dificuldade. Essas quadrilhas também simulam a perda total desses veículos em regiões alagadas por enchentes.

Boa parte da palestra de Azzolini foi dedicada à apresentação de dados de roubo de carga e aos exemplos que revelam a sofisticação das quadrilhas que agem nesse tipo de crime. Em São Paulo, onde número de roubos de cargas aumentou 16% entre 2008 e 2009, a polícia encontrou desde modernos aparelhos (jummers) que bloqueiam o sinal dos rastreadores até quadrilhas especializadas em aliciar motoristas de caminhão.

Uma iniciativa que pode ajudar a polícia a combater e as seguradores a prevenirem a fraude é a unificação do documento de identidade, prevista em um projeto de lei que tramita no Congresso nacional. De acordo com Azzolini, muitos fraudadores que simulam a própria morte, por exemplo, para receberem a indenização de seguro vida, mudam de identidade e de cidade sem jamais serem descobertos porque o sistema de emissão de documentos não é unificado. “Os fraudadores trabalham com a deficiência de informação. Com a unificação do RG cortaremos caminho para chegar até a fraude”, acredita.

Encerrando sua palestra de quase duas horas, Azzolini ressaltou a necessidade de as empresas de regulação de sinistros adotarem uma conduta ética, com o propósito de apurar tão somente a verdade dos fatos. “As seguradoras não podem tratar o regulador como seu funcionário, pois ele também trabalha para o segurado. Essa diferenciação é importante para que haja garantia de idoneidade no serviço prestado”, afirmou.

Ele também divulgou a criação de um laboratório de perícias de incêndio, composto por experientes profissionais dessa área que prestarão serviços às seguradoras. “No Brasil, 90% dos laudos de incêndio atribuem a causa a curto-circuito. Nos Estados Unidos, esse índice é zero. Com o laboratório de perícias vamos mudar essa situação”, disse. Por fim, Azzolini fez um apelo às entidades formadoras de profissionais de seguros para que criem cursos de regulação de sinistros. “O mercado carece de profissionais com formação adequada nessa área”, concluiu.

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