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16/03/2010 - Portal Terra / Invertia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

EUA: executivo é acusado de fraudar plano de resgate a bancos

Por: Benjamin Weiser e Eric Dash


Um antigo presidente do Park Avenue Bank, em Manhattan, foi acusado na última segunda-feira de fraude, suborno e desfalque, no que as autoridades definiram como primeiro processo criminal por tentativa de fraude contra o programa de resgate do governo aos bancos dos Estados Unidos.

Charles Antonucci, o executivo em questão, iludiu as autoridades federais e estaduais e criou a impressão de que havia investido US$ 6,5 milhões em dinheiro pessoal para salvar seu banco, informaram as autoridades.

Em lugar disso, informaram, ele usou dinheiro do banco para a transação, canalizando-o sigilosamente por uma série de entidades controladas por ele, e com isso conseguiu adquirir participação majoritária na instituição, como se o dinheiro tivesse vindo de investidores externos, de acordo com queixa-crime apresentada ao tribunal federal dos Estados Unidos em Manhattan.

Isso permitiu que ele criasse a impressão de que seu banco estava em situação melhor que a real, já que representava uma contagem dobrada desse dinheiro; a manobra permitiu que ele solicitasse mais de US$ 11 milhões ao Programa de Alívio a Ativos Problemáticos (Tarp), o pacote federal de resgate. O governo criou o programa no apogeu da crise financeira, a fim de injetar capital nos bancos americanos em um período no qual os investidores privados estavam assustados demais para colocar seu capital nessas instituições.

Preet Bhahara, procurador federal dos Estados Unidos para o distrito sul de Nova York, afirmou que o dinheiro teria bastado para resolver os problemas financeiros do Park Avenue Bank. Mas o suposto investimento de capital pessoal de Antonucci foi "o equivalente prático de usar dinheiro do Banco Imobiliário".

Em outra manobra ilícita, informaram os promotores, Antonucci aprovou milhões de dólares em saques a descoberto pelas empresas de um associado, que em seguida lhe ofereceu o uso de um avião particular para viagens a eventos como o Super Bowl ou um torneio do circuito Masters de golfe.

Os promotores também o acusam de ter fraudado uma igreja da Flórida em mais de US$ 100 mil. Antonucci, 59, de Fishkill, Nova York, foi libertado sob fiança de US$ 2 milhões por ordem de um juiz federal. Seu advogado, Charles Stillman, declarou depois da audiência que acreditava que seu cliente se declararia inocente.

As acusações de fraude foram as primeiras a emergir dos inquéritos federais sobre a suspeita de uso indevido de fundos federais. A inspetoria geral da Tarp anunciou em seu mais recente relatório que seu pessoal estava conduzindo 77 investigações civis e criminais sobre companhias que receberam dinheiro do fundo de resgate, entre as inquéritos sobre transações com uso de informações privilegiadas, fraudes contábeis e fraudes financeiras. Outras autoridades federais e estaduais estão envolvidas nos casos.

Neil Barofsky, o inspetor geral especial do Tarp, disse que as acusações contra Antonucci "representam um capítulo importante na história do resgate pelo Tarp". Ele afirmou que essa foi a primeira vez que uma pessoa "foi processada criminalmente por tentar roubar dinheiro dos contribuintes via Tarp".

Na noite de sexta-feira, as autoridades regulatórias dos bancos no Estado de Nova York fecharam o Park Avenue Bank, devido a gestão incompetente e deficiências de capitalização, e a Federal Deposit Insurance Corp. imediatamente tomou o controle do banco e vendeu suas operações. O Valley National Bank, de Nova Jersey, assumiu as operações.

"Nenhum cliente do banco perderá dinheiro, e esperamos que a transição ocorra sem problemas", disse Richard Neiman, o superintendente bancário do Estado de Nova York. O banco, sediado na Park Avenue, 460, tinha diversas agências de varejo em Manhattan e Brooklyn, segundo as autoridades.

À medida que a crise se agravava, no final de 2008, funcionários do Departamento do Tesouro liberavam recursos do Tarp em apoio às instituições financeiras saudáveis. Os bancos necessitavam de ficha limpa junto às autoridades regulatórias e reservas de capital suficientes, para se qualificar.

Ainda que os fiscais tenham questionado o Park Avenue Bank sobre a deterioração de sua situação, Antonucci mostrou o investimento de US$ 6,5 milhões realizado no final de 2008 como prova de que o banco continuava viável, informaram as autoridades. "O banco estava quebrado", disse Bhahara, acrescentando que Antonucci "fingiu metodicamente que estava tentando resolver seus problemas".

Funcionários federais começaram a avaliar o pedido do banco em novembro de 2008. No final de fevereiro de 2009, eles determinaram que a instituição não tinha condições de receber verbas federais de resgate. O banco retirou a solicitação.

No esquema contra a igreja da Flórida, os promotores acusam Antonucci de fraude contra a Calvary Springs Chapel, de Coral Springs, Flórida. Os dirigentes da igreja queriam construir um novo edifício para a congregação e foram informados de que, se investissem US$ 103.940 com um associado de Antonucci, receberiam US$ 604.848 em duas ou três semanas, disseram os promotores.

"A igreja ainda não viu um centavo do lucro prometido e nem o seu dinheiro original", disse James Hayes Jr., agente especial do serviço de Imigração e Alfândega em Nova York. Na segunda-feira, em uma agência do banco em Brooklyn, duas faixas azuis e amarelas do Valley National recobriam as velhas placas do Park Avenue Bank. Alguns clientes expressaram surpresa diante do acontecido.

"Foi um choque", disse Barry Reichman, 59. "A gente sempre acha que um banco é um banco, e não vai mudar". Ele disse desconhecer as acusações criminais, e que não pretende fechar a conta. "Gostamos desse banco porque o serviço é amigável", disse. O estudante Moses Menczer, 24, saiu do banco empurrando um carrinho de bebê. "Não me explicaram nada", afirmou. "Desde que me deem meu dinheiro, não faz diferença. Podem usar o nome que quiserem".

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