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23/01/2006 - Jornal Gazeta do Oeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpes antigos e que todos caem - Carro sem gasolina, filha doente e outras "fuleiragens" que ainda pegam ingênuos


O indivíduo baixinho, gordo, camisa listrada sempre para fora da calça, limpo e uma cara de muitos tipos comuns, avalia a cara do cidadão e aplica o golpe. Escolhe principalmente pessoas que estão voltando do trabalho e uma de suas áreas de ação é nas proximidades da rua Goiás, no bairro Santo Antônio. A abordagem é simples e bastante convincente para as pessoas sensíveis. Ele tenta passar-se por um amigo conhecido e estrategicamente, com um jogo de palavras, consegue informações que a própria pessoa lhe fornece ao logo da conversa.

Fala da família, de trabalho e finalmente, o golpe. "Você sabia que minha filha está com câncer?" A pergunta vem tão natural e carregada de sentimentos que são poucos aqueles que não caem. A conversa segue um curso normal, falando sobre a terrível doença. Ele normalmente está subindo a Goiás e isto tem uma razão especial: está indo ao hospital visitar a filha, que sofreu uma crise da doença. Diz que já gastou absurdo com a criança e finalmente, a "cantada": "Sei que a situação está difícil, mas foi bom encontrar você companheiro". Neste momento, a vítima está se sentindo culpada e maldizendo a sua memória por não lembrar daquele cara que lhe parece tão familiar. Percebendo que já pegou o pato, vem o golpe final: "Sei que você está voltando do trabalho, mas daria para me emprestar R$10,00? Sabe como é, estou gastando uma fortuna com medicamentos e preciso comprar umas coisas pra casa e pra minha filha..." e por aí vai. Dependendo da vítima, o golpe é infalível. Este indivíduo às vezes usa outra personagem: a mãe que está internada e ele está indo ao hospital visitá-la. Mas no final, o objetivo é o mesmo: conseguir R$ 10 ou R$ 5.


Carro que acaba

a gasolina

Muitos golpes são tão manjados que a vítima se sente constrangida em procurar a Polícia. Outra razão que impede essa providência é que o dinheiro perdido nesse tipo de golpe é pouco. Mas nem sempre os golpes são pacíficos. Principalmente os bandidos itinerantes podem usar truques tidos como ingênuos e pacíficos e que depois terminam em violência.

Outro golpe conhecido é o caso do carro que acabou a gasolina ou enguiçou no meio da rua. Esses golpistas agem normalmente após a meia-noite, quando o movimento das ruas é fraco e não há mais ônibus para os bairros. Já foi aplicado na região central de Divinópolis. O truque é o seguinte: o marginal usa uma camiseta branca, com manchas de óleo e as mãos também aparecem sujas, como quem mexeu no motor de um carro. Escolhe vítimas masculinas, principalmente trabalhadores e moradores em bairros distantes. A abordagem é a seguinte: "Companheiro, não se assuste não! Aqui é um trabalhador como você, não é um assalto. Você sabe como é, depender desse pessoal do centro é dureza. Meu carro está parado ali na frente com minha mulher e minha filha dentro. Eu fui buscar elas no hospital e o carro acabou a gasolina. Preciso de R$ 5 para buscar no posto. Você poderia me emprestar? Olha, te dou meu endereço e depois deixo no endereço que você quiser". Um detalhe interessante é que o golpe é aplicado num local longe do posto de gasolina, para evitar que a vítima do golpe decida acompanhar o golpista. Soubemos de um caso onde a pessoa abordada decidiu acompanhar o indivíduo e se deu mal. "Além da roupa suja, ele estava com uma chave de fenda na mão. O posto era caminho para mim e decidi ir com ele. No caminho, o cara colocou a chave no meu pescoço e levou todo dinheiro de minha carteira e disse que estava sendo camarada em deixar meus documentos", disse Carlos C. A.,vigia noturno de 61 anos que mesmo depois de mais de dois meses do acontecido, fica trêmulo ao contar desta primeira vez que foi assaltado.


Desde menino...

Apesar do pequeno prejuízo dado às vítimas, estas malandragens inocentes podem evoluir para coisas mais sérias. Principalmente quando é praticado por crianças. E até os pequeninos já aprendem a malandragem. Alguns meninos, aproveitando o período escolar, jogam uma mochila nas costas e saem por aí pedindo dinheiro para comprar material escolar. Conseguem comover muitos trouxas, mas tudo não passa de trapaça. Muitas vezes dentro da mochila não tem sequer um caderno, mas tem cola que infelizmente não é escolar.


Atrapalhando para quem realmente está em apuros

Além desses golpes, existem dezenas de artimanhas usadas por pessoas de má índole ou que simplesmente não conhecem outra forma de ganhar a vida. O problema é que ninguém está livre de passar por situações de emergência que necessite da ajuda de alguém. Mas a ação dos marginais acaba prejudicando as pessoas que realmente precisam de ajuda. Esta já é uma realidade nas capitais e grandes cidades, onde ninguém confia em ninguém. Pouco a pouco, esta desconfiança vai tomando conta das pequenas e médias cidades, onde ninguém confia em ninguém.

Estelionatários ameaçam empresários

Delegado Regional ensina como se precaver do golpe

Os golpes narrados na reportagem à parte parecem ingênuos. No entanto, existem estelionatários que usam táticas mais ousadas e cruéis. De acordo com Renato Trade, delegado da 23ª Delegacia Regional de Segurança Pública de Divinópolis, nos últimos dias, dois empresários de Divinópolis foram vítimas de um golpe bastante comum, principalmente no período de férias.

O golpista descobre o nome do empresário e liga para ele fazendo dois tipos de ameaça: de seqüestro ou de morte.

Com bastante facilidade, o estelionatário descobre o número do telefone e o nome da vítima. Daí, liga dizendo que faz parte de uma organização criminosa como o PCC ou CV (Comando Vermelho) e exige uma quantia em dinheiro sob ameaça de morte.

Segundo o delegado regional, foi o que aconteceu com um empresário do setor de material de construção em Divinópolis. O estelionatário conseguiu o telefone do empresário e ligou com uma história absurda. Disse que foi contratado para matá-lo pelo preço de R$ 8.000,00. Mas durante o levantamento que fez sobre a vida do empresário, descobriu que ele era uma pessoa de bem e por isso, queria negociar.

Apavorado, a vítima aceitou negociar e os R$ 8.000,00 caíram para R$ 3.000,00 com R$1.000,00 de entrada e o restante em 10 dias. Uma verdadeira "fuleiragem" que fez o empresário desconfiar e chamar a polícia. Mesmo assim, ele acabou depositando a entrada numa conta que certamente foi aberta com documentos falsos.

Outro empresário do setor de panificação também foi vítima do mesmo golpe.


Como agir

O delegado regional orienta como a pessoa deve agir se for vítima desse golpe. "Em primeiro lugar, a pessoa precisa saber que a primeira atitude do estelionatário é aterrorizar a vítima. Por isso diz que é foragido, que faz parte de organizações criminosas e depois, exige o dinheiro. Nós sabemos que essas organizações não agem assim. Logo, quem for ameaçado deve negociar com o marginal e nunca depositar o dinheiro. Se fizer isso, a chantagem irá continuar para sempre", disse. O delegado acrescenta que a vítima deve procurar a Polícia que irá tomar as providências seguras.

Outro cuidado a ser tomado é orientar a familiares e funcionários para não fornecer nome, endereço e nem telefone dos empresários.

O delegado disse ainda que a Polícia Civil leva cerca de dois dias para conseguir um mandado judicial para interceptar ou rastrear telefonemas. No entanto, essa medida pouco ajuda na captura do bandido, pois normalmente as ligações são originadas de telefones celulares furtados. "Em alguns casos, eles ligam a cobrar com identidade oculta... As pessoas podem atender, mas acho um absurdo atender ligações desse tipo", orienta.

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