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08/03/2010 - Diário do Nordeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O golpe da chave codificada

Por: Emerson Rodrigues e Nathália Lobo

Caminhonetes e carros de luxo são levados por bandidos, em locais públicos, com a própria chave do veículo.

Os assaltos a caminhonetes e veículos de luxo são registrados diariamente pelos órgãos de segurança na Grande Fortaleza (Capital e Região Metropolitana), entretanto, nos últimos meses, as quadrilhas especializadas em roubar esse tipo de veículo estão usando uma nova tática. Trata-se do ´golpe da chave codificada´, no qual os bandidos obtêm de forma ilegal a chave original da caminhonete ou automóvel e alguns dias depois o veículo é furtado, na maioria das vezes, em vias públicas, ou até mesmo em estacionamentos fechados.

A ação desses grupos já estão sendo investigadas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC). A Reportagem obteve o relato de vítimas que ´perderam´ ou tiveram as chaves dos seus veículos furtadas e nos dias posteriores ao fato, caminhonetes simplesmente ´sumiram´ de estacionamentos e de ruas, sem que os bandidos tenham empregado qualquer tipo de violência.

Os bandidos atuaram durante os furtos como os reais proprietários dos carros e, de posse das chaves originais, abriram os veículos, ligaram e saíram ´tranquilamente´. Em um dos casos, conforme o relato de uma vítima que prefere não se identificar, um bandido, usando roupas alinhadas, chegou a ´pagar´ R$ 2,00 de gorjeta para o flanelinha que ´vigiava´ o veículo, afirmando ser um amigo do dono da caminhonete Hilux e estaria levando o 4x4 a pedido do mesmo para outro local.

De acordo com o delegado Espártaco Esmeraldo, titular da DRFVC, existem investigações em curso naquela especializada sobre o ´golpe da chave codificada´. "Apesar de reconhecer que, normalmente, esses carros são tomados de assalto, temos informações de que vítimas perderam as chaves e os carros desapareceram em locais públicos", afirmou. Segundo Esmeraldo, os casos foram devidamente registrados e estão sendo investigados pelos inspetores da delegacia.

Para que os furtos sejam realizados com sucesso, as quadrilhas necessitam de uma logística para investigar os donos dos veículos e segui-los, depois de obter as chaves, aguardando o momento adequando para realizar o furto. Para o delegado essa nova modalidade ainda é um mistério, pois, de acordo com ele, "todo esse trabalho", não é justificável. "O mais fácil para as quadrilhas é dispor de uma arma e tomar o carro de assalto em algum local longe da Polícia. Mais esses grupos não agem de forma aleatória, pode ser que eles estejam fazendo estudos para descobrir veículos em que exista a facilidade de obter a chave", explicou.

Rotina

Para que esses golpes sejam aplicados com sucesso, Espártaco Esmeraldo ressalta que outras pessoas próximas ou que conheçam a rotina das vítimas estejam repassando informações para as quadrilhas especializadas no roubo e furto desse tipo de veículo. Por isso, o delegado alerta para que alguns cuidados (ver quadro com dicas) que os proprietários devem ter para evitar se tornarem futuras vítimas. "Duas coisas são básicas, não deixar chaves em cima de mesas de bares e restaurantes e também não entregar a flanelinhas ou manobristas em todo e qualquer lugar".

Fernando Rocha, que já teve sua caminhonete furtada há quase um ano e nunca a encontrou, conta que recebeu até ligações dos supostos bandidos. "Minha agenda estava dentro do carro, uma Hilux. O veículo estava estacionado perto do meu trabalho e desapareceu. Passei uma semana recebendo ligações de pessoas que pediam dinheiro e créditos para telefone em troca do veículo", lembra.

Perguntado sobre o destino desses veículos após o roubo, o delegado revela que, diferente do que ocorria no passado, quando os carros eram rapidamente desmontados e as peças revendidas para sucatas, atualmente eles voltam para as ruas, com chassis e placas adulteradas. "Ainda temos investigações sobre as quadrilhas que desmancham os carros, mas, atualmente, os grupos organizados têm utilizado sofisticada falsificação de documentos e os carros retornam as ruas da Cidade".

O delegado disse ainda que se alguma vítima desse tipo de golpe, por acaso se deparar com um veículo semelhante ao seu, mas com placa e número do vidro diferente, tente abrir o veículo se tiver de posse da chave antiga, pois você pode estar diante da sua caminhonete ou automóvel. Se confirmar que o carro é o seu, a dica do delegado é chamar a patrulha mais próxima da Polícia.

Trabalho ostensivo
PM localiza veículos durante as abordagens

No último dia 2, após a conversa com o delegado Espártaco Esmeraldo, ao sair da Delegacia, a equipe de reportagem encontrou na Rua Meton de Alencar, ao lado da especializada, dois policiais militares e um perito realizando, precariamente, no meio da rua, uma verificação em uma caminhonete Hilux, com suspeita de adulteração de sinais identificadores. Depois de alguns minutos veio a confirmação, a Hilux SR5, de cor preta, estava com chassi e número de vidros adulterados.

O homem que acompanhava os policiais olhava assustado para o perito ao descobrir que foi vítima de um golpe. "Sou de Santa Catarina e comprei esse carro de um particular por R$ 82 mil. Ele me forneceu nota fiscal e tudo. Não desconfiei de nada", disse o empresário, que pediu para não ser identificado e vai ter que arcar com o prejuízo. A origem da caminhonete vai ser investigada.

O titular da DRFVC explica que as quadrilhas ´esquentam´ os veículos com a aquisição do que ele chamou de ´kit cabrito´. "Em leilões, as quadrilhas compram carros sinistrados (avariados) com documentação quente e fazem a transferência para os veículos furtados ou roubados, com a devida modificação de número de chassi e de outros sinais identificadores".

Para os soldados PMs Hermes Barcelos e Augusto Araripe, da Força Tática de Apoio da 2ª Companhia do 5º BP (Messejana), o caso da Hilux SR5 não era uma situação atípica. Responsáveis pela abordagem que resultou na apreensão da caminhonete, a dupla de policiais, somente entre os meses de fevereiro e março, já havia apreendido cinco veículos em abordagens pelas ruas da Cidade. "Já recuperamos três Hilux, uma L200, uma Montana e um New Civic", diz o soldado Hermes.

De olho nos bandidos
Operações policiais já desarticularam quadrilhas

As constantes operações realizadas pela Polícia na Capital, Região Metropolitana e no Interior já possibilitaram a descoberta de várias quadrilhas responsáveis pelo roubo, furto, clonagem ou desmanche de caminhonetes no Ceará. Uma das gangues foi descoberta em março de 2007, culminando na prisão de três pessoas. O grupo agia de forma interestadual. As caminhonetes furtadas ou roubadas em Fortaleza eram levadas para Santa Quitéria (a 223Km da Capital) e, posteriormente, vendidas em outros Estados.

A desarticulação do grupo ocorreu quando os inspetores da DRFVC descobriam que uma Hilux, que havia sido tomada de assalto na Aldeota, havia sido deixada estrategicamente pelos ladrões no estacionamento da Estação Rodoviária Engenheiro João Tomé. O veículo já estava sendo ´vendido´ pelos ladrões para receptadores do Estado Piauí.

Outra quadrilha já desarticulada pela Polícia mantinha uma oficina como ´fachada´ para suas atividades criminosas. Funcionava na Rua Professor Carvalho, no bairro Pio XII, onde a Polícia acabou encontrado cinco caminhonetes de luxo roubadas. Das cinco - três Hilux e duas L-200 - quatro já estavam totalmente desmanchadas.

Vários pedaços dos veículos estavam espalhados pelo local, o que levou as autoridades a denominar o lugar de um ´grande laboratório de veículos importados´.

Entre as caminhonetes identificadas no local - a partir de um levantamento de seus componentes - estavam duas Hilux que haviam sido roubadas durante o assalto contra a residência de um ex-prefeito do Interior do Estado. Ações assim são comumente observadas pela Polícia do Estado. Mas há casos que nunca são descobertos.

Dicas de prevenção
Delegado ensina como evitar o crime

Não deixar as chaves do seu veículo em cima de mesas de bares e restaurantes ou em locais de fácil acesso é uma das dicas da Polícia para que o cidadão não seja mais uma vítima dos criminosos. O mesmo vale para a orientação de não entregar as chaves do automóvel para flanelinhas ou lavadores de carros, e até manobristas.

"No caso de perda ou furto das chaves do veículo, o correto não é ficar usando a chave reserva. O dono do carro deve procurar o mais rapidamente uma empresa especializada ou a concessionária para fazer uma nova chave. E se possível, mude o código desta nova chave. Isso dificulta bastante a ação dos bandidos", alerta o titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), Espártaco Esmeraldo.

O empresário R.L., 47, conta que errou quando não seguiu essa recomendação. "As chaves da minha caminhonete Hilux desapareceram quando estava com amigos em um bar. Na hora me divertia e não houve uma preocupação excessiva com o que poderia ocorrer a partir daquele fato. Liguei pra casa, meu filho levou a chave reserva. Devo ter sido seguido porque, no outro dia, o carro foi furtado", lembra.

Na época, o empresário procurou a Polícia, fez boletim de ocorrência, recorreu até à Imprensa na tentativa de localizar o veículo. "A caminhonete foi encontrada quase um mês depois, coincidentemente, em uma operação policial em Mossoró, no Rio Grande do Norte, já adulterada", conta.

M.S.C., 38, não teve a mesma sorte. Ele teve a L-200 roubada por dois homens em uma moto e nunca mais viu sua caminhonete. "Durante uns três meses eu andei na rua olhando pra todo lado, procurando meu carro. Quando via um parecido, parava e ia verificar. Mas chega um momento em que a pessoa cansa e desiste. Faz oito meses que não tenho notícias da minha caminhonete", diz.

Fique por dentro
Receptação é crime

Depois de roubados ou furtados, os veículos são levados para as mãos dos receptadores.

O crime de receptação qualificada, previsto no parágrafo 1º do artigo 180 do Código Penal Brasileiro (CPB), prevê pena de reclusão de três a oito anos, e multa para quem ´adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime´.

Os receptadores quase sempre permanecem silentes quando são presos. Eles preferem não revelar a identidade das pessoas que lhe repassaram os objetos roubados. Quando a Polícia consegue identificar todo o bando, então, indicia os acusados também por crime de formação de quadrilha. O delito está previsto no artigo 288 do CPB, que prevê pena de um a três anos de reclusão quando ´mais de três pessoas se associam para cometer crimes´. Muitos donos de sucatas que servem apenas como ´fachada´ para desmanches já foram presos, acusados de participação no roubo, furto, receptação, desmanche e clonagem de veículos.

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