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28/03/2007 - Monitor Mercantil Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude se profissionaliza


O Rio de Janeiro recebe nesta quinta-feira o "Seminário Internacional de Programas de Combate à Fraude contra o Seguro". O evento é promovido pelo Grupo Negrini e a Associação Internacional das Unidades Especiais de Investigação (Iasiu-Br).

Especialistas dos EUA, Colômbia, Espanha e Argentina debaterão quais são as melhores estratégias para combate a este crime. Segundo o presidente da Iasiu no Brasil, Moisés Ferreira, o crescimento das fraudes se deve à falta de conscientização a respeito do seguro em todas as camadas da população, ausência de legislação mais específica, pouca qualificação dos profissionais envolvidos no assunto e necessidade do aumento dos controles internos das seguradoras na aceitação dos seguros e na liquidação de sinistros.

"É fundamental que haja intercâmbio entre as seguradoras e que se fortaleça a unidade entre elas, não apenas nas áreas de sinistros, como também em controle internos, auditoria, compliance, produtos, bem como entre o setor publico e a iniciativa privada", alertou Ferreira, para completar que "ainda há muito a aprender com os outros países na unificação dos esforços, tecnologias avançadas, metodologias e técnicas investigativas".

Fundada em 1984, por um grupo de funcionários das Unidades Especiais de Investigações das Seguradoras Americanas, a Associação Internacional das Unidades Especiais de Investigação (Iasiu) conta atualmente com mais de 4 mil associados e 630 seguradoras em todo o mundo e atua no Brasil desde 2003.

Já para o presidente do Grupo Negrini, o advogado Pedro Paulo Negrini, "a fraude é um fenômeno universal. Não necessitamos saber como são as fraudes praticadas em outros países, porque nesse assunto - praticar fraudes - os brasileiros são doutores", ironiza.

Diversas empresas especializadas na detecção e comprovação de abusos em pleitos de indenização ou de fraudes contra o seguro integram o grupo comandado pelo advogado. Uma delas, a Cadastro Nacional de Informações e Serviços (CNIS), dedica-se à coleta de fraudes. Outra, a CN-Médica, é voltada para análise de relatórios de lesões, doenças e tratamentos e a faturas de médicos e hospitais.

Negrini falou com exclusividade ao MONTOR MERCANTIL:

O evento conta com a participação de palestrantes especializados dos EUA, Colômbia, Espanha e Argentina, integrantes de seguradoras e entidades internacionais, que possuem experiência no combate à fraude. Como a realidade destes locais pode ajudar o mercado brasileiro?

- Pelo que sabemos a fraude é um fenômeno mundial e, segundo noticiário recente, até o Reino Unido está implantado lá um banco de dados de fraudes. Queremos saber não como as fraudes são praticadas nesses países, porque os brasileiros são doutores na criação de novos tipos de fraude, mas sim como a fraude é combatida naqueles países. Quem executa as investigações? Os órgãos públicos de repressão empenham-se na comprovação de fraudes contra o seguro?

O senhor poderia dar alguns exemplos de formas de detecção e comprovação das fraudes, investigação e política de oferecimento de notícias de fraudes aos órgãos de repressão?

- A forma mais fácil de detecção de prática de fraudes é a da constatação de repetição de comportamentos suspeitos executados por parte de uma mesma pessoa. Essa constatação se consegue em bancos de dados que registre casos de fraudes. A segunda forma é levar à investigação e auditoria os casos suspeitos. Quanto à política de oferecer notícias de fraudes aos órgãos de repressão, ela varia de seguradora para seguradora. O que posso afirmar é que a impunidade, o fato de não tomar providência de repressão, é alto estímulo para que as fraudes continuem sendo praticadas.

As seguradoras estão preparadas para lidar com a fraude no Brasil? Há algum case de excelência?

- As seguradoras estavam preparadas para lidar com o volume e a modalidade de fraudes que as atingia, as quais eram praticadas "artesanalmente". Hoje a prática de fraude profissionalizou-se, havendo quadrilhas e quadrilhas de pessoas que praticam as fraude com esmero de especialistas. Para combater essa fraude de nova roupagem, os departamentos das seguradoras e as empresas terceirizadas encarregados da matéria devem contar com mais e melhores recursos de toda ordem.

A Fenaseg encaminhou sugestões para a minuta da circular da Susep que dispõe sobre os controles internos específicos para a prevenção contra fraudes. Uma das propostas é a inclusão das sociedades corretoras e dos corretores de seguros no atendimento às novas normas. Como o corretor pode ajudar na prevenção?

- É óbvio que o corretor de seguros, por seu contato diários com segurados e com sinistros, tem um feeling apurado para detectar espertezas. O corretor pode ser um parceiro eficiente para evitar aceitação de riscos que maliciosamente lhes forem endereçados, de modo a não repassar para seguradoras propostas que sejam suspeitas.

Outra sugestão da Fenaseg é que os programas de treinamento de prevenção à fraude não sejam específicos, para ser possível realizá-los juntamente com outros tipos de treinamentos promovidos pelas seguradoras. Como avalia a proposta?

- Os treinamentos para detecção e comprovação de fraude devem estar associados a treinamentos outros, como os de aceitação de riscos, regulação de sinistros, noções de direito do seguro, de direito penal e processual penal etc.

A Susep recentemente adiou o prazo para o envio de comentários e sugestões a respeito da minuta de circular que dispõe sobre os controles internos específicos na prevenção às fraudes, conforme previsto na Audiência Pública 12/06. Não é a primeira vez que a autarquia adia este prazo. Esse tipo de atraso prejudica a imagem do mercado segurador brasileiro?

- Esses adiamentos possibilitaram a realização do seminário internacional, no qual será ouvida a experiência de outros países em relação ao assunto. A matéria é delicada, e quanto mais for discutida será melhor. O problema da fraude é velho e vem se agravando. Quando sair a circular será bom que ela aborde o que é desejável fazer-se, e dentro do desejável, o que será possível executar-se.

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