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01/03/2010 - Diário do Nordeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

119 cartões clonados em 2009

Por: Nathália Lobo

A cada três dias, uma fraude do tipo foi registrada na Capital, segundo registros da delegacia especializada.

A cada três dias do ano passado, pelo menos um cartão magnético foi clonado em Fortaleza. A estatística da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) reflete a preocupação do cidadão que utiliza o serviço de terminais eletrônicos. "Sempre fico tensa, olho bem para a máquina, verifico se não há câmera apontada para o teclado, mexo na leitora de cartão para ver se está solta. Mesmo assim, não estamos livres. Quem ainda não teve o cartão clonado conhece alguém que já passou por isso", diz a bióloga Marina Duarte.

E a preocupação de Marina não é à toa. Dos pouco mais de 600 boletins de ocorrência já registrados na DDF, em Fortaleza, nos dois primeiros meses deste ano, pelo menos 60%, ou seja, 360, envolvem golpes praticados com cartões magnéticos. Clonagem, furto mediante fraude, desvio de cartões, são diversas as modalidades de crime que causam prejuízo que dói no bolso dos usuários e das administradoras. No ano passado, 119 casos de clonagem de cartão magnético foram registrados pela DDF.

A média de BOs registrados naquela Especializada, todo mês, é de 334. Nos últimos 12 meses, 4.015 pessoas procuraram a delegacia para prestar queixa, muitas delas, por terem sofrido alguma fraude com seus cartões. "São cartões trocados nos caixas eletrônicos por pessoas que se passam por funcionários, cartões que são desviados por empresas terceirizadas que entregam correspondência e, claro, há os cartões clonados por máquinas chupa-cabra e ´estourados´ pelos estelionatários", reconhece o titular da DDF, Jaime Paula Pessoa, ao lado de uma pilha de BOs.

No último Carnaval, por exemplo, enquanto muitas pessoas se divertiam nas praias e cidades do Interior do Estado, uma quadrilha de estelionatários fez uma verdadeira ´farra´ com o dinheiro alheio, em Fortaleza. Aproveitando-se do fato de que muitas pessoas viajam e não verificam suas contas bancárias durante o período carnavalesco, bandidos ´clonaram´ dezenas de cartões magnéticos em caixas eletrônicos às vésperas do feriado.

Durante o Carnaval, os espertalhões ´torraram´ o dinheiro das vítimas em saques e compras das mais diversas. O prejuízo só foi descoberto no fim da folia, quando as pessoas voltaram à sua rotina e foram aos bancos.

Quatro pessoas que trabalham juntas, em um órgão de Governo, estão entre as vítimas. Klebson Menezes, engenheiro florestal, tomou um susto quando foi tentar sacar um dinheiro de sua conta-salário. "Sabia que o valor estaria na conta dia 12 de fevereiro. No dia seguinte, estive no banco e verifiquei o saldo. Nada do dinheiro. Veio o Carnaval e ficava difícil resolver qualquer coisa naqueles dias de festa. Deixei para após o feriado. No dia 18, então, fui informado de que o dinheiro tinha sido depositado e, ainda no dia 12, foram realizados três saques. Dois no valor de 600 reais e um de 560 reais", conta.

Klebson procurou a Polícia e fez um boletim de ocorrência no 4º DP (Pio XII). Ele aguarda, agora, o ressarcimento do valor por parte do banco. "Depois de todo o procedimento necessário, me mandaram esperar cinco dias. Estou aguardando".

A surpresa maior para o engenheiro florestal aconteceu quando contou sobre o problema para os colegas de trabalho. Outros dois, pelo menos, tinham sido vítimas do mesmo golpe às vésperas do Carnaval. Um deles, analista de sistemas, foi lesado em R$1.065,80. "Fiz um saque de 300 reais da minha conta em um caixa eletrônico de um supermercado que fica na Avenida 13 de maio e perto de onde trabalho. No dia seguinte, o meu cartão foi utilizado em três compras. Quando voltei ao banco e encontrei apenas quatro reais de saldo, não entendi nada. Procurei a agência e descobri que tinha sido vítima de uma fraude", relata.

As movimentações com o cartão dele foram feitas em dois supermercados e numa loja de peças de carros. O analista de sistemas, que prefere não se identificar, relatou que foi orientado a fazer um boletim de ocorrência a aguardar o ressarcimento. "Ainda no banco identifiquei várias pessoas que tinham sido vítimas do mesmo golpe. Todas essas pessoas tinham utilizado a mesma máquina automática. E todas as pessoas só descobriram o problema após o Carnaval", salienta.

Números nacionais
Mais de 13 mil plásticos clonados

Em 2009, o mercado de cartões sofreu um prejuízo de quase R$ 40 milhões com fraudes envolvendo cartões. A estimativa foi divulgada, na semana passada, pela Horus, empresa especializada em controle e prevenção de fraudes em meios eletrônicos de pagamento, que atua no ramo de consultoria e serviços para a prevenção a fraude.

De acordo com levantamento realizado pela empresa, foram mais de 13 mil plásticos clonados em todo o país. Os crimes resultaram na prisão de, pelo menos, 718 pessoas. O prejuízo com este tipo de crime correspondeu a 0,08% dos mais de R$ 444 bilhões faturados pelo segmento no ano passado com as modalidades crédito, débito, lojas e redes segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).

Para chegar a estes números a companhia desenvolveu um balanço do seu sistema de monitoramento que acompanha diariamente as notícias publicadas na imprensa sobre fraudes neste segmento. Para Eduardo Daghum, sócio-diretor da empresa, os prejuízos com a criminalidade no setor de cartões devem ser bem maiores do que os demonstrados neste estudo, uma vez que nem todos os casos de clonagem e outros golpes são relatados à Polícia ou se transformam em reportagens.

Para o delegado Jaime Paula Pessoa, é importante que a população conheça a definição de clonagem de cartão, porque o termo vem sendo utilizado para todo o tipo de fraude praticada com cartão. "Quando é feito um saque indevido da sua conta, por exemplo, normalmente trata-se de furto mediante fraude", explica o delegado.

A clonagem propriamente dita requer a utilização de um equipamento popularmente conhecido como ´chupa-cabra´, que lê cartões e armazena os dados da tarja magnética. "Em geral este equipamento é usado para copiar dados de cartões de crédito que não necessitem de senha. Para obter a senha, os estelionatários precisam de mais recursos", ressalta.

Internet

Jaime lembra, ainda, que existem as fraudes praticadas via internet. "Para fazer uma compra com o cartão alheio, pela internet, basta que o fraudador tenha os dados daquele cartão". Segundo o delegado, muitas pessoas que procuram a delegacia também tiveram seus cartões desviados ainda antes de utilizá-los. "A pessoa solicita o cartão e, no transporte, ocorre o desvio. Já constatamos envolvimento de carteiros, porteiros, funcionários de empresas de entrega terceirizados", destaca. Na avaliação do delegado, o fundamental é ter cautela. "Estar atento e procurar a Polícia quando perceber algo errado".

Fique por dentro
Dicas de segurança

Para a Polícia, a observação atenta dos caixas eletrônicos é o primeiro passo para evitar um golpe. Se todos estiverem desligados ou em manutenção e apenas um operando normalmente, desconfie. Reparar se o layout de todos os aparelhos é igual e se todas as peças estão devidamente conectadas pode ajudar também na prevenção.

Desconfie se o equipamento do banco usar uma ordem diferente da normalmente solicitada pelo seu banco para realizar as operações e jamais aceite ajuda de estranhos para realizar as transações no caixa. Peça sempre ajuda de um funcionário devidamente uniformizado ou identificado, preferencialmente, indicado pela gerência.

Antes de contratar os serviços de um determinado banco, pergunte ao seu gerente de que forma o banco procura minimizar a possibilidade de ocorrência de fraudes. As agências têm se cercado de medidas de segurança para proteger seus clientes e evitar prejuízos para o banco.

Quando for comprar com o cartão, nunca deixe o funcionário do estabelecimento levá-lo, sempre o acompanhe e fique atento a movimentos estranhos que ele possa fazer. Até calculadoras já foram apreendidas com leitora de cartões (chupa-cabra).

Finalmente, preste atenção ao visor da máquina e tenha a certeza de que o valor de compra foi digitado antes de colocar a sua senha.

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