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17/02/2010 - iOnline Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Nutricionistas alertam: calorias que vêm nos rótulos são falsas

Por: Sandra Pereira

Cadeias de fast-food servem, em média, mais 18% das calorias do que dizem ter, revela estudo.

É apenas uma amostra, mas pode ser reveladora. Nos Estados Unidos, um estudo publicado este mês na revista "Journal of The American Dietetic Association", a maior organização de nutricionistas do mundo, revelou uma verdade inesperada: as refeições baixas em calorias servidas nos restaurantes e os congelados light comprados nos supermercados podem conter mais calorias do que os rótulos indicam.

Um grupo de investigadores da Universidade de Tufts, Massachusetts, EUA, analisaram 29 refeições com menos de 500 calorias servidas em cadeias de fast food e em restaurantes tradicionais da área de Boston - mas com distribuição em todo o território dos Estados Unidos - e concluíram que têm em média mais 18% das calorias anunciadas. Já as dez refeições congeladas baixas em calorias continham mais 8% de calorias do que as indicadas no rótulo.

"Todos os produtos industrializados e que implicam manipulação humana" podem ser sujeitos "a erros" nos rótulos, alerta a presidente da Associação Portuguesa de Dietistas, Graça Raimundo. "Mesmo os produtos naturais e frescos têm alterações nutricionais devido à forma como são produzidos. Questões como a fertilização dos terrenos ou o controlo de qualidade condicionam o valor nutricional", acrescenta.

Uma pessoa que precise de duas mil calorias por dia, se as aumentar 5% pode engordar 4,5 kg apenas num ano, alertam os autores da investigação. No entanto, "são necessários mais estudos para ver se é um problema nacional [dos EUA]", apontou a cientista responsável e especialista em nutrição, Susan B. Roberts.

"O importante é perceber de que modo as empresas que produzem estes produtos alimentares chegam aos valores nutricionais publicados. Este trabalho técnico deve ser desenvolvido por dietistas que nem sempre estão presentes nas equipas técnicas destas empresas. Esta é a realidade em Portugal e nos Estados Unidos", aponta Graça Raimundo. Nos dois países, "o controlo não é sistemático, é mais esporádico. Nos restaurantes, a produção não é em massa e é muito difícil fazer o controlo", alerta.

Estudo em Portugal

Os especialistas em nutrição ouvidos pelo i defendem a realização de um estudo semelhante em Portugal. "Estamos habituados a confiar nos rótulos dos alimentos devido à fiscalização [europeia], mas devia haver uma instituição credível a elaborar um estudo idêntico para tranquilizar a população", defende a presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, Alexandra Bento, surpreendida com o resultado "num país com controlo rigoroso".

Em Portugal, "as pessoas desconfiam dos rótulos", acrescenta a especialista em obesidade e comportamento alimentar, Isabel do Carmo. "Estes resultados suportam o fortalecimento da política de rotulagem nutricional dos alimentos", remata Vítor Hugo Teixeira, professor de Composição Nutricional de Alimentos da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

Alexandra Bento concorda e lembra que a rotulagem nutricional não é obrigatória e deveria ser mais explicativa. Como exemplo aponta que as embalagens trazem geralmente informação nutricional para quantidades de 100 gramas/mililitros, o que não corresponde à quantidade do produto. "Se a informação fosse fornecida por dose, tudo seria mais claro, pois o consumidor não seria obrigado a fazer contas."

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