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12/02/2010 - Sol Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Passaporte falsificado deu origem a investigação de alegada rede de imigração ilegal ucraniana

Um passaporte com visto Schengen falsificado apanhado em Portugal esteve na origem da investigação Trufas Odessa, em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) desmantelou uma alegada rede de imigração ilegal ucraniana.

No julgamento, que decorre na 4.ª Vara Criminal, no Campus da Justiça de Lisboa, e no qual respondem 28 arguidos, um dos inspectores do SEF chamados a testemunhar afirmou que daquele visto contrafeito se partiu para investigar a sua fonte, um anúncio num jornal de língua russa publicado em Portugal que levaria à operação Trufas Odessa.

O responsável pelo anúncio, que está detido e é um dos principais arguidos, «providenciava transportes e documentos» a pessoas em viagens entre a Ucrânia e Portugal.

«Através dele, percebemos que havia uma rede transnacional», referiu o inspector do SEF, acrescentando que a seguir à sua descoberta começaram as operações de escuta telefónica e as operações de vigilância.

O preço de uma viagem e do cobiçado visto custava «2300 euros» a quem queria imigrar para Portugal, referiu, acrescentando que o preço viria a baixar devido «à concorrência».

Através de «contactos» na embaixada polaca em Kiev, os vistos turísticos válidos para o espaço Schengen eram obtidos, mas era claro que serviam a pessoas que «pretendiam ficar em território nacional», afirmou.

A testemunha referiu que o principal arguido planeava facilitar a operação de introdução de imigrantes ilegais em Portugal obtendo vistos espanhóis, mas não conseguiu concretizá-lo.

«À volta [do principal arguido] havia uma série de pessoas que faziam disto o seu modo de vida», referiu, acrescentando que com as escutas e as vigilâncias se foram descobrindo outros aspectos da actividade da alegada rede, como a falsificação de cartas de condução e o transporte de bens roubados.

Dos seis arguidos que decidiram falar no início do julgamento, todos negaram fazer parte de qualquer rede, admitindo participar no transporte e organização de viagens entre Portugal e Ucrânia mas sempre a título individual, com relações ocasionais com outros arguidos que se dedicavam ao mesmo.

A investigação começou em 2007 e culminou em 2008 com uma operação internacional que envolveu polícias de vários países europeus.

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