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22/01/2010 - Jornal de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fármacos falsos à venda na net até contêm tinta para as estradas

Por: Eduarda Ferreira

Portugueses compram sem muitas precauções.

Mais de 50% dos medicamentos à venda na Internet são falsos, implicando tratamentos falhados e risco de vida. São fabricados em más condições higiénicas. Cera, graxa e mesmo a tinta amarela usada para pintar faixas nas estradas entram na mixórdia.

Melhor preço e comodidade são razões invocadas pelos internautas portugueses que já adquiriram fármacos através da Internet, segundo sondagem mandada fazer pelo Infarmed, a autoridade nacional do medicamento. O que mais procuram esses consumidores são fórmulas de emagrecimento e aumento muscular, bem como antidepressivos. Na amostra de 800 indivíduos, 74% disseram conhecer os riscos associados à compra em sites ilegais. Ainda assim, compram. E mesmo quando afirmam ter tomado precauções sobre a credibilidade do fornecedor, não seguem os passos aconselháveis para se certificar que os sítios são seguros. Ora, muitos deles têm até uma fachada de seriedade.

A sondagem do Infarmed dá conta de um fenómeno também internacional: o recurso à Internet para a compra de medicamentos para doenças oncológicas e cardiovasculares. Dos internautas ouvidos e que já fizeram aquisições destas, 4,2% compraram fármacos para "tratar" o cancro.

Estes dados foram ontem divulgados no âmbito de um curso organizado pelo Conselho da Europa e pelo Infarmed para promover a cooperação nacional e internacional entre autoridades policiais, alfandegárias, de saúde e judiciais no combate à contrafacção dos medicamentos. Portugal convidou delegados de vários países africanos e da América do Sul, para que uma rede de informação neste campo seja agilizada. A nível nacional, a rede está a ser impulsionada, requerendo, entre outras, a participação das Alfândegas, Justiça, Polícia Judiciária e da indústria farmacêutica. Por outro lado, o Conselho da Europa prepara uma convenção sobre este tipo de contrafacção e que pretende ver alargada não só ao âmbito continental mas mundial.

A fraude em medicamentos já atinge 1% dos fármacos nos países desenvolvidos e 10% nos países em desenvolvimento. No começo, o alvo eram aqueles ligados ao estilo de vida (para emagrecer, ganhar músculo ou para a vida sexual). Agora já atinge os medicamentos destinados a tratar o cancro, doenças urinárias e cardíacas. As autoridades avisam: o perigo está em que muitas destas doenças, não recebendo tratamento, levam à morte. A própria formulação do falso fármaco pode matar. Ontem, na sessão de formação sobre o tema, foi referido o caso de uma jovem argentina que faleceu um dia após ter tomado uma injecção com supostas vitaminas.

As fotos tiradas de locais de fabrico desmantelados são sórdidas: não há ali a mínima preocupação de higiene. Num dos casos, lá está uma tinta amarela, destinada a dar cor aos comprimidos: é um produto usado para fazer as marcações nas estradas. Um ex-detective da Scotland Yard e agora ao serviço da agência das farmacêuticas para combate a esta fraude disse ontem que os falsificadores usam farinha para os comprimidos, aplicando-lhes cera de soalho ou graxa de sapato para lhes dar brilho. Em alguns casos foi detectado o uso de ácido bórico, que nunca deve ser ingerido, pois pode levar à falência de órgãos vitais. E se, em muitos casos é usada argila para dar forma aos comprimidos, a verdade constatada pelos investigadores é que as embalagens cada vez são mais idênticas às originais, tal como os "blísteres" onde estão acondicionados os remédios. Esta situação foi verificada na última apreensão de remessas postais feita nas alfândegas portuguesas, em Novembro. Cerca de 90% eram contrafacções e algumas amostras tinham substâncias tóxicas, confirmou o presidente do Infarmed.

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