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20/01/2010 - Gazeta do Povo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha desenvolve e comercializa software para falsificação de dinheiro

Por: Célio Yano e Gladson Angeli

Dezoito pessoas foram presas. A Polícia Federal surprendeu-se com a qualidade da falsificação e estima um prejuízo de mais de R$ 3,5 milhões com a colocação das notas falsas em circulação.

Dezoito pessoas foram presas nesta quarta-feira (20) em uma operação da Polícia Federal (PF), acusadas de montar um esquema de produção e distribuição de dinheiro falso em Curitiba e região metropolitana. De acordo com a PF, a quadrilha desenvolveu um programa de computador para realizar as falsificações e também vendia o software para interessados em produzir dinheiro falso. Estima-se que o grupo produziu mais de R$ 3,5 milhões em notas falsas.

A quadrilha era especializada na produção de notas de R$ 100, mas também trabalhava com cédulas de R$ 50. O grupo começou a ser investigado há dois anos, quando o Banco Central do Brasil detectou um aumento na identificação de cédulas falsas no Paraná. De acordo com Nilson Antunes, chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários da Polícia Federal, não há informações de outra quadrilha presa até hoje no Brasil que utilizava um sistema tão moderno e que produzia copias tão perfeitas.

Do total de prisões, 17 ocorreram em Curitiba e uma na cidade de Barretos, no interior de São Paulo. A PF cumpriu 20 mandados de busca a apreensão, que resultaram na apreensão de computadores, impressoras, grande quantidade de material de serigrafia, além de notas falsas. Entre os presos está um advogado que trabalha na capital paranaense. Uma pessoa ainda está foragida.

Esquema

Nos computadores apreendidos pela PF, o software de falsificação estava instalado e trazia as notas já digitalizadas dentro de seu padrão de tamanho e cor. O perito criminal federal, Gustavo Ota Ueno, explica que diferente do que acontece com as notas verdadeiras, cada lado das notas falsas era impresso separadamente e depois colados.

As notas ainda passavam por um processo de serigrafia para criar revelo. Segundo o delegado, cada cédula levava em média 15 horas para ficar pronta. “A quadrilha trocava as notas em bares, feiras, lojas de flores, para não chamar atenção", afirmou.

Além de produzir para si mesmos, os integrantes da quadrilha vendiam o programa e notas falsas já prontas. “Cada cédula de R$ 100, por exemplo, era vendida a R$ 20 ou R$ 30”, contou o delegado. Desde que o esquema começou a ser investigado foram apreendidas e encaminhadas ao Banco Central aproximadamente 21,5 mil notas falsas.

Junto com o software, a quadrilha oferecia um manual de como fazer dinheiro. “Era um arquivo de áudio e vídeo, chamado Receita de Bolo, que mostrava o passo a passo da impressão, serigrafia e montagem das notas”, disse o delegado.

De acordo com as investigações, a quadrilha estava se ramificando para Santa Catarina e São Paulo. Segundo Antunes, nenhum dos presos tinha conhecimentos avançados de informática ou serigrafia, mas conseguiram fazer cópias quase perfeitas. “Eu que trabalho com identificação tive dificuldade para reconhecer a falsificação. É por isso que quando eu recebo uma nota de 100 reais, prefiro trocar por duas de 50”, afirmou o delegado.

Como identificar a falsificação

As notas de Real possuem diversos itens de segurança, mas os falsificadores já conseguiram reproduzir alguns deles. É o caso das fibras luminescentes, que são pequenos fios espalhados no papel que se tornam visíveis, na cor lilás, quando a cédula é exposta à luz ultravioleta. As canetas detectoras, muito usadas no comércio, também estão ultrapassadas. Os falsificadores desenvolveram um verniz especial que impede a nota de absorver a tinta.

Um dos itens de segurança mais conhecido é a marca d’água. É possível ver a figura quando se olha a cédula contra a luz. O perito explica que enquanto na nota verdadeira ela é feita no momento da produção do papel, na falsificação é impressa depois. Por isso, a marca d´água fica mais forte, nem sendo necessário olhar contra a luz para vê-la.

As cédulas de R$ 100 apresentam, ainda, alto-relevo nas figuras da República e da garoupa, nas legendas "BANCO CENTRAL DO BRASIL" e "CEM REAIS", na tarja contendo a palavra "REAIS" e nos números indicativos do valor da cédula. Estas inscrições e desenhos podem ser sentidos com os dedos. Segundo o perito da PF, a quadrilha conseguiu produzir alto-relevo na parte central da nota, mas não nas laterais.

Outra dica é prestar atenção no símbolo das Armas Nacionais (veja a imagem ao lado), que impresso em um lado deve se ajustar exatamente ao desenho semelhante que se encontra no outro lado da cédula. “Como cada lado da nota falsa é impresso separadamente, é muito difícil conseguir o encaixe perfeito”, disse o perito.

Além disso, o número de série identifica cada nota produzida pela Casa da Moeda. O conjunto de letras e números são únicos, não podendo existir duas cédulas com a mesma numeração. Os falsificadores, porém, produzem inúmeras notas com o mesmo serial. A PF divulgou os números das notas falsas apreendidas (veja no quadro).

Outras informações sobre os itens de segurança podem ser consultados no site do Banco Central.

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