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10/03/2007 - Jornal de Piracicaba Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Trabalho de faculdade: o golpe

Por: Olênio Sacconi


Recebi uma fatura do banco na qual aparecia um débito correspondente à primeira parcela de uma compra feita em seis parcelas, em um estabelecimento que figurava na referida fatura como Ed Peixes Ltda. Eu nunca havia utilizado esse cartão bancário na função crédito. Estranhando esse aspecto e, ainda mais, o fato de não ter comprado em nenhuma peixaria, como sugere a designação do estabelecimento na conta, dirigi-me ao Banco para reclamar de uma provável clonagem do meu cartão bancário, já que, há um mês, ocorreu clonagem com meu cartão de outro banco, em função do que o meliante efetuou várias compras em São Paulo em meu nome. Eu já era, então, “gato escaldado”.
Quando comecei a informar o ocorrido, a gerente do banco que me atendia riu (não sorriu, riu mesmo) e complementou, ela própria, a ocorrência, desvendando o mistério e fornecendo detalhes da trama em que, sem o saber, eu havia me envolvido dias antes e em que ela própria já havia caído. O tremendo 171 (estelionato), como se diz na linguagem policial, vai a seguir relatado.
Santos, sol de fevereiro, gente bonita, férias, agito. Na entrada de um shopping, sou abordado por uma morena alta, bonita e bem falante, que me pergunta se eu tinha o cartão de crédito tal. Eu disse que sim. Então, informou que, mediante a exibição do cartão, eu iria ganhar brindes, que eram uma promoção da operadora do cartão. Eu poderia escolher um filme em DVD e um exemplar de uma revista Escolhi um DVD do Hulk (aquele que fica verde, como estou agora) e ela sugeriu uma revista masculina em que era capa a Sheila Carvalho. Expliquei que não era bem meu gênero de leitura, mas que meus filhos poderiam apreciar. Aí, como expliquei que eram dois filhos, ela me deu também a das novas morenas do Tchan.
Devidamente contemplado, enquanto o meu cartão permanecia na mão da jovem, fui solicitado a colaborar com um trabalho de faculdade da morena, que com muita lábia foi explicando: era estudante de comunicações da PUC (Pontifícia Universidade Católica) e precisava entrevistar-me. Cada entrevista devidamente documentada contava pontos. Atingido pela somatória de várias entrevistas um certo número de pontos, a operadora do cartão de crédito mais a editora das revistas, em convênio com a PUC, quitavam uma ou mais mensalidades da faculdade da jovem acadêmica. Como professor universitário tratei logo de ser prestativo e solidário. A entrevista, agora percebo, foi “só para inglês ver”. Mas, não parava por aí. Por ser bonzinho e colaborativo eu iria receber, totalmente grátis, por dois anos a tal revista masculina, também por promoção da editora, que ficaria com os meus dados para cadastro e mala direta. Para validar a entrevista da moça e contar pontos em seu favor, eu precisava assinar o formulário, juntamente com ela, o que me foi solicitado, acrescido do gentil pedido de que se a professora da área me ligasse para saber se eu havia sido bem tratado pela aluna, por favor a recomendasse. Concordei e assinei.
O banco informou que o Ed Peixes na fatura de meu cartão, não era uma peixaria e sim a Editora Peixes Ltda., que não é a editora da revista, mas uma distribuidora de revistas, talvez uma arapuca, com endereço no centro de São Paulo, que me vendeu a assinatura de uma revista que nem sei se vou receber.
Conforme informou a minha gerente no banco, que caiu em golpe idêntico, também em shopping, belas jovens abordam os homens e rapazes também vistosos abordam as mulheres, na prática do golpe.
Antigamente, meus avós diziam que quando alguém caía no “conto do vigário” ou do bilhete premiado, os malandros, fumando um “cigarrinho do demônio”, soltavam uma baforada na cara da vítima, que ficava abobalhada e passava a agir como convinha aos bandidos. No caso do panaca aqui, não teve fumacinha nenhuma na cara. Só o charme e a lábia da esperta morena da PUC. Da PUC que pariu...

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