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15/06/2007 - ComputerWorld Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

China investe pesado em tecnologia de gestão de risco

Imperativos operacionais, demandas dos clientes e competição estrangeira estão gerando um surto de investimentos em TI que transformará os bancos chineses.

Nos 10 primeiros meses de 2006, reguladores da China descobriram 776 crimes bancários, incluindo 205 casos envolvendo mais de 1 milhão de ienes (cerca de 125 mil dólares). Fraudes e outras irregularidades em bancos chineses atingiram 95,9 bilhões de dólares em 2005, um aumento de 31% em comparação a 2004, de acordo com a Comissão de Regulamentação Bancária Chinesa.

Em meados do ano passado, foi amplamente divulgada uma auditoria do governo apontou crimes financeiros e irregularidades contábeis totalizando 6,45 bilhões de dólares no Banco Agrícola da China, o segundo maior banco do país em ativos.

Com perdas tão grandes, não é de se espantar que os bancos chineses estejam investindo pesado em tecnologia de gestão de risco. Em 2006, o banco estatal da China implantou um sistema de monitoramento em tempo real para reduzir fraudes.

A adoção de tecnologia para gestão de risco e controle de fraude é só um item da pauta da indústria bancária chinesa. Os bancos estão centralizando operações, aprimorando a emissão de relatórios financeiros, automatizando processos manuais, melhorando o serviço ao cliente e desenvolvendo novos produtos para competir em um mercado em expansão.

Como suas contrapartidas nos Estados Unidos, muitos bancos estão sentindo a pressão das novas regulamentações. A indústria bancária chinesa cresce em escala e velocidade sem precedentes e TI encontra-se no centro de toda esta atividade.

“A escala é tremenda”, afirma Elias Baltassis, diretor do escritório em Paris da empresa de consultoria Opera Solutions, sediada em Nova York, nos Estados Unidos. Além disso, os bancos chineses têm de atualizar todos os sistemas de uma tacada só porque estão defasados em todas as áreas. “É um problema que os Estados Unidos nunca tiveram”, observa Baltassis.

Os bancos chineses estão comprando novos sistemas de TI para plataformas bancárias core e operações de gestão de risco e muitas outras áreas e sistemas de infra-estrutura física como caixas eletrônicos, diz Chris Ip, sócio McKinsey, que comanda a prática de TI na Grande China para a empresa de consultoria em gestão sediada em Nova York.

Os bancos chineses costumavam operar de uma maneira fundamentalmente diferente dos norte-americanos. Até hoje, em muitos bancos chineses cada agência toma e emite empréstimos quase como se fosse uma instituição autônoma, explica Colin Lawrence, líder de empreendimento de risco e transformação da IBM Global Business Services para a Grande China e a região Ásia-Pacífico. Se uma agência precisa de dinheiro para emitir um empréstimo, recorre ao mercado interbancário — onde os bancos chineses emprestam dinheiro uns aos outros — e paga pelo privilégio.

“Se cada agência estabelece suas próprias taxas e empresta seu próprio dinheiro, é claramente ineficiente”, ressalta Lawrence. Quando você tem um sistema comum, pode combinar todos os depósitos e todos os empréstimos do banco inteiro, reduzindo a necessidade de ir ao mercado interbancário.

O Banco das Comunicações da China, quinto maior do país, saiu na frente. Em agosto, concluiu o projeto de centralizar dados de suas operações de varejo, com a ajuda da Sterling Commerce, empresa norte-americana de consultoria em TI.

Trabalhar com um parceiro ocidental é uma prática comum dos bancos chineses. Dois anos atrás, o Bank of Shanghai contratou a HP para criar um centro de serviços baseado em padrões que reduziu o custo e o tempo de processamento de transações online. A HP, por sua vez, trabalhou com a Temenos Group AG, fornecedora suíça de sistemas bancários.

Os bancos chineses ainda precisam melhorar a transparência e os índices de empréstimos não pagos, ressalta Michael Araneta, analista da IDC Financial Insights em Cingapura. A conversão de processos em papel para sistemas eletrônicos também é vital, assim como a reestruturação organizacional. “Os benefícios de ter processos eletrônicos serão limitados se os bancos chineses continuarem tendo sistemas não-integrados e se as agências continuarem operando como ilhas”, diz Araneta.

A centralização, porém, é acompanhada do desafio de proteger todos estes dados que se tornaram acessíveis. Mais uma vez, os bancos chineses estão trabalhando com fornecedores internacionais para se beneficiar da experiência e das melhores práticas destas empresas.

E elas são extremamente necessárias. Um estudo realizado pela Sterling Commerce mostrou que muitos bancos chineses transferem arquivos usando software gratuito baixado da Internet. “Freeware tem muitas falhas de segurança”, aponta Albert Visscher, diretor de marketing da Sterling Commerce para a região Ásia-Pacífico.

O risco de crédito mal gerenciado é outro grande problema. Os bancos chineses são notórios por suas carteiras de empréstimos vencidos e socorro do governo. “Na prática, muitos bancos chineses não conseguem distinguir entre tomadores de empréstimo de alto e baixo risco e formular taxas correspondentes”, diz Mark Lawrence, diretor da McKinsey. Os sistemas de gestão de risco de crédito podem melhorar os resultados financeiros dos bancos e criar oportunidades de nova receita ao possibilitar a cobrança de taxas mais altas dos tomadores de empréstimo que apresentam maior risco.

A nova concorrência internacional está aumentando as apostas. Em dezembro, o governo chinês abriu o setor bancário a instituições estrangeiras e pelo menos 10 bancos já solicitaram licença para criar filiais incorporadas no país.

E estes clientes talvez estejam interessados, já que a qualidade do serviço oferecido pelos bancos chineses tem deixado a desejar. No maior banco do país, o Banco Industrial e Comercial da China, as transferências chegam a demorar três dias. Se um cliente de um banco chinês perde um cartão magnético, é menos oneroso abrir uma nova conta do que repor o cartão.

Tecnologia da informação avançada capacita os bancos estrangeiros a oferecer serviço melhor, o que pode ser particularmente atrativo para clientes mais abastados, acredita Christopher Formant, vice-presidente executivo de serviços financeiros globais da BearingPoint, outsourcer de TI norte-americana com forte presença na China.

Os bancos chineses podem ser tão ágeis, em parte, porque estão implementando tecnologia nova tardiamente. Os problemas que agora estão enfrentando já foram resolvidos por outros bancos. Mas não é tão simples quanto parece porque os sistemas precisam ser personalizados.

Muitos bancos na China subestimam a complexidade dos projetos de TI, citando a necessidade freqüente de criar interfaces no idioma chinês. Mas há quem diga que falta aos bancos chineses, principalmente, as habilidades e a experiência necessárias para utilizar esta tecnologia.

“Está na hora de os grandes bancos enfocarem o lado das pessoas e dos processos”, alerta Charles Richard, co-fundador da Quantitative Risk Management, empresa de consultoria em gestão de risco, e ainda acrescenta: “Não creio que o ponto fraco esteja em TI. Está no negócio.”

Para reter seus melhores clientes e competir com instituições estrangeiras, os bancos chineses também estão investindo em tecnologia para dar suporte a novas linhas de negócio. No ano passado, por exemplo, o Banco Agrícola da China começou a utilizar software da empresa londrina Misys para negociação e gerenciamento de risco de derivativos e produtos estruturados.

A iniciativa também foi motivada pela exigência da Comissão Reguladora de Bancos da China de que os bancos implementem tecnologia antes de se engajarem em determinados tipos de negócio. “Seguimos uma determinação regulatória da Comissão”, revela um gerente de TI do China Merchants Bank, também usuário pioneiro. “Se quisermos negociar derivativos, precisamos ter este tipo de sistema.”

Se a China precisa, a China terá. “O ritmo de mudança e crescimento é extraordinário”, diz Formant. Ele prevê que na próxima década os bancos chineses vão assumir seu lugar entre as maiores instituições de serviços financeiros do mundo.

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