Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

09/12/2009 - Jornal Pequeno / Folha de S.P. Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Homem do 'esquema Fernando' teria recebido propina da Camargo Corrêa

INVESTIGADO NA ‘BOI BARRICA’ E NA ‘CASTELO DE AREIA’.Astrogildo Quental, que já teve conversas suspeitas com Fernando Sarney ‘grampeadas’ pela PF na Operação Boi Barrica, agora é citado na Operação Castelo de Areia, sobre ‘propinoduto’ de empreiteira. PF também vê suspeita de pagamento de propina ao irmão do deputado federal petista Antonio Palocci, referente a uma obra em Tucuruí, no Pará.

O relatório final da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal - que investigou o "propinoduto" da construtora Camargo Corrêa, destinado a políticos e diretores de empresas estatais - menciona o nome de Astrogildo Fraguglia Quental, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobrás.

Quental é ligado à família Sarney e foi secretário estadual de Infra-estrutura do Maranhão no governo de Roseana Sarney. Ele foi um dos investigados em outra operação da PF, a Boi Barrica, que em julho passado indiciou Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em quatro crimes: formação de quadrilha, instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O diretor da Eletrobrás era um dos principais interlocutores de Fernando Sarney ao telefone em conversas gravadas pela polícia com autorização da Justiça. Ele era tratado de "Astro" pelo grupo criminoso chefiado, segundo a PF, por Fernando Sarney. A PF chegou a afirmar que Quental defendia os interesses dos negócios do grupo de Fernando na Eletrobrás.

Na manhã do dia 19 de julho de 2008, a Polícia Federal gravou o seguinte diálogo entre Fernando Sarney e Astrogildo Quental, depois que um emissário dos dois - Marco Antonio Bogéa - foi acuado por agentes da PF num apartamento de Fernando em São Paulo, onde Bogéa deveria entregar uma mala com conteúdo suspeito pega das mãos de Astrogildo, em Brasília:

FERNANDO: Houve um problema lá em São Paulo.

ASTROGILDO: Houve?

FERNANDO: É o seguinte: nosso amigo [Marco Bogéa] chegou lá na alameda Franca, chegaram depois duas pessoas com a foto dele, se identificaram como agentes, atrás dele...

ASTROGILDO: Atrás dele?

FERNANDO: É, mas ele não fez nenhum contato. Então, primeiro, aborta tudo, tá? Tá bom?

ASTROGILDO: Tá...

FERNANDO: (...) Cuidado aí, com todo o cuidado diz para não acontecer nada, que na segunda feira [dia 21] você refaz o contato.

ASTROGILDO: Rapaz, que coisa, hein?

FERNANDO: Pois é, agora vamos identificar de onde vem isso, tá? Ele [Marco Bogéa] está lá na alameda Franca, os caras apareceram, seu Gileno [porteiro] escondeu, ele me ligou, e agora estou vendo o que fazer.

ASTROGILDO: Tá bom.

FERNANDO: É só para você dizer para a outra ponta que não é para fazer nada, tá bom?

ASTROGILDO: Tá bom.

FERNANDO: E aguarda novas providências, tá? E disso surge a certeza de que a monitoração existe...

ASTROGILDO: Tá bom, entendi, ok.

Irmão de Palocci sob suspeita - O relatório final da Castelo de Areia também levanta a suspeita de envolvimento de Adhemar Palocci, irmão do deputado federal e ex-ministro da Fazenda do governo Lula Antonio Palocci (PT-SP), no pagamento de propina da construtora Camargo Corrêa ao PT e ao PMDB. Segundo a investigação, há indícios de que cada partido tenha recebido R$ 500 mil da empreiteira.

Adhemar é diretor de planejamento e engenharia da Eletronorte, estatal responsável pela execução da construção das eclusas de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará. De acordo com as apurações da PF, a Eletronorte e a Camargo Corrêa assinaram um aditivo contratual para a obra, no valor de cerca de R$ 76 milhões. Desse total foi abatido um montante relativo a impostos, e chegou-se a R$ 71 milhões, valor que teria servido de base para estipulação do total da propina.

Para a PF, um manuscrito apreendido nas investigações traz indícios de que o valor de propina pago pelo aditivo da obra tenha sido de R$ 2,1 milhões. Um trecho do documento traz a inscrição "acordo de 3% dos pagamentos de eclusa".

Ainda segundo o relatório, o manuscrito traz a descrição de um valor de R$ 1 milhão que "está ligado às siglas PT e PMDB, à proporção de 50% para cada" um. O documento também contém as expressões "ADM/Pau" e "Paulocci" - que, segundo a PF, são menções a Adhemar Palocci.

O relatório da PF deixa claro a necessidade de aprofundar as apurações sobre os suspeitos. O documento, com mais de 300 páginas, foi entregue ao Ministério Público Federal de São Paulo em 22 de novembro.

Na segunda-feira, com fundamento no relatório, o órgão encaminhou os documentos da apuração à Procuradoria-Geral da República para que o órgão tome medidas para o prosseguimento das investigações. No caso de Tucuruí, o Ministério Público deve pedir novas apurações sobre o envolvimento de um membro do TCU (Tribunal de Contas da União) e um diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes).

A Procuradoria também vai pedir novas investigações a respeito de outras 13 obras. Entre elas estão a construção da linha 4 do metrô de São Paulo e do Rodoanel Mário Covas.

A apuração deverá recair sobre os conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Eduardo Bittencourt e Antonio Roque Citadini. Documentos apreendidos na Castelo de Areia apontam as inscrições "Ed. Bitt" e "Roc. Citadini", que, para a PF, são abreviações dos nomes dos conselheiros.

Segundo o relatório da PF, a inscrição "CLEIMS - Metrô L4", encontrada em um dos documentos, refere-se à palavra "claim", que é utilizada no jargão técnico de contratos nos casos em que há alterações de cláusulas dos negócios. Para os investigadores, essa é uma das chaves para aprofundar as investigações sobre as irregularidades nas obras paulistas.

Políticos - O deputado federal Edson Aparecido (PSDB-SP) também deve ser alvo de novo inquérito. O nome dele surgiu durante apurações sobre documentos relativos à obra da ponte Paulicéia, no rio Paraná, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Segundo nota divulgada ontem pelo Ministério Público, um membro do PMDB também é suspeito de participar de irregularidades ligadas à obra.

Iniciada para apurar crimes financeiros supostamente cometidos por executivos da Camargo Corrêa, o alcance obtido pela Operação Castelo de Areia surpreendeu os envolvidos nas investigações. Nomes de integrantes da base aliada do governo federal e da oposição surgiram nas apurações. O caso já resultou em duas ações criminais contra diretores da empreiteira e doleiros, que já foram acusados de movimentar ilegalmente cerca de US$ 30 milhões e fraudar a licitação para construção do metrô de Salvador. A abertura de um terceiro processo está sob análise do juiz titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 2293 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal