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09/12/2009 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha que vendia bilhetes tinha ajuda de funcionários


Treze pessoas foram presas ontem, acusadas de integrar uma quadrilha que roubou bilhetes eletrônicos da SuperVia e máquinas que recarregam créditos desses cartões. Entre os presos envolvidos no esquema estão três pessoas que prestavam serviço para a concessionária. Segundo a polícia, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que a quadrilha chegou a faturar R$ 500 mil em apenas um mês com a venda de créditos dos bilhetes, Riocard e vale-refeição. Em maio de 2006, O Dia revelou em série de reportagens como funciona a fraude da venda de passagens eletrônicas.

Batizada de Fim da Linha, a operação, deflagrada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, com apoio de 100 policiais de nove delegacias especializadas, cumpriu 13 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão. As investigações apontam que o mentor do esquema é o empresário Leomárcio Detoni, que seria dono de uma empresa de ônibus em Mangaratiba, na Região da Costa Verde. A polícia investiga se a empresa foi criada exclusivamente para dar suporte à fraude. Ele foi preso junto com a mulher, Erilene Detoni, no apartamento do casal, em Nilópolis. O esquema funcionava principalmente na Baixada, Mangaratiba e Zona Oeste. Gravações telefônicas da polícia apontam que a quadrilha agia há pelo menos 15 anos.

A investigação descobriu que a sede da Viação Serra do Piloto - uma pequena casa em um terreno lamacento - funcionaria na mesma rua da Secretaria de Transporte do Município de Mangaratiba. A Fetranspor informou que a empresa não é filiada ao seu quadro e que tem seis validadores instalados em seis ônibus. Ainda de acordo com a federação, a Serra do Piloto opera em três linhas autorizadas pela prefeitura de Mangaratiba.

O primeiro passo para concretizar o esquema foi o roubo de quatro PDVs, máquinas que carregam os bilhetes, além de mais de 900 cartões vazios. Três delas foram roubadas em maio nas estações de Ricardo de Albuquerque, Édson Passos e Bento Ribeiro. Juntas, elas guardavam cerca de R$ 600 mil em créditos. A última máquina foi roubada em outubro, no quebra-quebra ocorrido em Nilópolis. O delegado Eduardo Freitas disse que o prejuízo para a SuperVia com os roubos chegou a R$ 1,2 milhão, mas a concessionária informou que não houve ônus porque conseguiu invalidar os créditos das máquinas.

Leo começando a passar cartões na Serra do Piloto

O segundo homem na hierarquia da quadrilha é Jorge dos Reis Lima, 45, que seria dono de um escritório de compra e venda de vales-refeição e RioCards. Ele foi preso em Nova Iguaçu. "Leomárcio não tinha como descarregar os cartões da SuperVia. Por isso trocou com o Jorge por Riocard. Parte desses bilhetes de ônibus era descarregada nos validadores da empresa de Leomárcio. Para não chamar a atenção, ele entregava o restante a motoristas e cobradores da Região Metropolitana, que descontavam e entregavam a quantia a ele. Chegar a essas pessoas será a segunda etapa do trabalho", afirmou Eduardo.

Integrantes da quadrilha ficavam nas estações de trem para convencer passageiros a entregar o dinheiro a eles "e não pegar fila" na bilheteria. Em troca, eles liberavam a roleta com os cartões roubados. Com a venda de créditos do RioCard e vales-refeição, o ágio cobrado chegaria a 50%. "O prejuízo é somente para o usuário, que perde seu benefício e, sem querer, colabora com o crescimento dessa quadrilha", explicou o delegado. Foram apreendidos mais de mil bilhetes eletrônicos. Os donos dos cartões serão chamados a depor e podem ser responsabilizados administrativamente pelas empresas onde trabalham.

Terceirizados da SuperVia acusados

As investigações apontam que três pessoas que prestavam serviço para a SuperVia seriam responsáveis pelo roubo dos aparelhos e cartões: Reginaldo Borel, Diego Felipe Kirschner Freire e Wilson Ricardo de Oliveira Gomes, todos presos ontem. Diego já tinha passagem por roubo.

Com a quadrilha, a polícia apreendeu R$ 5 mil, cinco revólveres, uma pistola, munição, um Peugeot, três computadores, 11 PDVs, máquina de contar tíquetes, cinco celulares e talões de cheque em nome de terceiros. Em apenas uma das máquinas de vale-refeição, havia R$ 106 mil. Na casa de Leomárcio foram encontrados 12 mil dólares. A investigação durou 6 meses.

A polícia apura se um supermercado em Nilópolis e a Viação Serra do Piloto seriam de Leomárcio, mas registradas em nomes de laranjas. Ele também foi autuado por furto de energia elétrica. Na segunda fase da operação, a polícia vai levantar os bens dos acusados para checar informações de que os presos estariam envolvidos com lavagem de dinheiro. Funcionários de empresas de ônibus, principalmente da zona oeste, também serão investigados por suspeita de participação no esquema.

Também foram presos: Donclay Gonçalves Leite, Carlos Eduardo da Silva Ferreira Leal, Luiz Paulo Leite, Joselito Cardoso dos Santos, Jair de Paula Filho, Vanilda Costa do Nascimento e Lucineide Fernandes. Os integrantes da quadrilha foram indiciados por crime contra a economia popular, formação de quadrilha, roubo, receptação, falsidade ideológica e por flagrante de porte ilegal de arma.

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