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07/12/2009 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude em vistos para os EUA: agenciadores ofereciam falsas vagas de trabalho para atrair brasileiros

Por: Marcelle Ribeiro e Cleide Carvalho


SÃO PAULO - O esquema que fraudava vistos de trabalho temporário (H2B) para os Estados Unidos oferecia falsas vagas em empresas americanas para atrair brasileiros. Onze pessoas foram presas e a polícia ainda procura sete pessoas denunciadas pelo Ministério Público estadual de São Paulo. Três delas, que são brasileiras, estão sendo procuradas em território americano. Segundo o Ministério Público, eles foram identificados como Antonio Elso Clem, Valquiria Dozzi Batalha e Valéria Dozzi Barbugli. As outras quatro pessoas estão sendo procuradas no Brasil.

Os acusados de integrar o esquema foram presos em quatro estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Foram ainda cumpridos mandados de busca e apreensão no Mato Grosso. Todos os detidos são acusados de formação de quadrilha e estelionato. Seus bens foram bloqueados e eles são investigados por lavagem de dinheiro. Dos 12 denunciados pelo MP, apenas um é americano.

O MP comunicou a autoridades dos EUA sobre a necessidade de investigação e a suspeita de que um advogado americano, de Oklahoma, também faria parte do esquema. O consulado dos EUA em São Paulo afirma que depois da descoberta das fraudes, o sistema de checagem da concessão desse tipo de visto foi intensificado.

O esquema funcionava da seguinte maneira: empresas americanas procuravam agenciadores nos EUA para selecionar estrangeiros para vagas legais de trabalho temporário. Todo ano, o Congresso americano autoriza a criação de milhares de vagas de emprego temporário para trabalhadores estrangeiros. Os agenciadores então se candidatavam a parte dessa cota aprovada pelo Congresso. Depois da aprovação do Congresso, o Governo americano autorizava o consulado dos Estados Unidos no Brasil a emitir o número de vistos pedidos pelos agenciadores.

Mas, no Brasil, agenciadores ofereciam mais vagas de trabalho que a cota autorizada pelo governo americano, muitas vezes em hotéis, fábricas e hospitais. Eles atraíam os brasileiros com anúncios em internet e jornais, usando empresas com 30 nomes diferentes, como Work USA, Job USA e TWSO. A base dessas empresas era em São Paulo. Os brasileiros interessados em trabalho nos EUA pagavam aos agenciadores até US$ 15 mil pela vaga com o visto de trabalho.

No entanto, ao chegar no Consulado, a maior parte dos brasileiros tinha o visto negado, apesar do pagamento aos agenciadores ter sido feito. Outros conseguiam visto, mas descobriam, nos EUA, que o emprego não existia. Alguns passaram fome, tiveram que pedir dinheiro emprestado para a família para voltar ao Brasil e outros ficaram ilegais nos Estados Unidos. A minoria conseguia a vaga prometida.

- Os acusados diziam às vítimas que elas ganhariam US$ 15 por hora, num contrato de seis a nove meses. Mas quem conseguia a vaga, descobria que receberia apenas US$ 7 por hora trabalhada - disse a promotora Aline Zavaglia Alves, do Ministério Público do estado de São Paulo.

Segundo a promotora, o grupo atuava em células espalhadas por todo Brasil e não tinha um único chefe. Eles começaram atuando no Mato Grosso, depois foram para São Paulo e após isso para o Paraná, de onde se expandiram para outros estados. De acordo com ela, os empregadores americanos não participavam da fraude. Também não há funcionários públicos do Brasil ou dos EUA entre os suspeitos.

O diretor de segurança regional do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Aaron Codispoti, disse que as irregularidades começaram a ser detectadas em 2003, mas afirmou que as autoridades brasileiras só foram avisadas em 2008, quando o número de pedidos de visto de trabalho temporário aumentou e quando uma mudança no perfil das vagas foi notada. Segundo ele, nem sempre o consulado entrava em contato com os empregadores americanos para saber se a vaga realmente existia.

Brasileiros que tenham sido vítimas do esquema de fraude podem ser ressarcidos. Para saber como, podem entrar em contato com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público do estado de São Paulo pelo email gaeco.guarulhos@mp.sp.gov.br

Este é um dos maiores casos de fraude a vistos da história dos Estados Unidos, segundo o Consulado.

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