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25/11/2009 - O Dia Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Rede de negócios para lavagem de dinheiro

Por: Paula Sarapu e Thiago Prado

Milícia de Rio das Pedras criou 14 empresas e explorava de cooperativas de vans a empréstimos.

Rio - A milícia de Rio das Pedras estendeu seus tentáculos a uma verdadeira rede de empreendimentos lucrativos. Negócios na área de transporte alternativo, exploração do gás, grilagem de terras, agiotagem e segurança clandestina elevaram os integrantes do grupo ao nível, e aos rendimentos, de homens bem sucedidos. Foram montadas 14 empresas dentro e fora da favela ao longo dos últimos anos, segundo o Ministério Público, para permitir a lavagem de dinheiro do grupo.

No fim da década de 90, foi criada a cooperativa de transporte alternativo de Rio das Pedras, comandada por Getúlio Rodrigues Gamas — executado este ano — e os irmãos Dalmir e Dalcemir Pereira Barbosa. Apesar de ter oficialmente cerca de 400 carros, a associação coloca em circulação nas ruas o dobro de veículos. Getúlio chegou a afirmar, à CPI das Milícias, que as vans arrecadavam R$ 60 milhões por ano. Os irmãos foram indiciados pela polícia pelo assassinato, em 2003, do então chefe de gabinete da SMTU, Paulo Roberto Paiva.

Presidente da associação de moradores de Rio das Pedras, Jorge Moreth, o Beto Bomba, foi preso em casa, um imóvel confortável no Anil: ele foi surpreendido quando dormia. Foto: Severino Silva / Agência O DIA
“A denúncia é importante porque atinge o braço econômico do crime organizado. Espero que o combate chegue a Gardênia Azul”, afirmou o deputado estadual, Marcelo Freixo, em referência ao vereador Cristiano Girão — acusado pela CPI de chefiar uma milícia na comunidade de Jacarepaguá. A CPI das Milícias, presididida por Freixo, indiciou todos os denunciados ontem.

Entre os negócios que mais renderam lucros ao bando estão os empréstimos para moradores por meio da Areal Cred Fomento — empresa do major Dilo Pereira Soares, que tinha Beto Bomba como funcionário. Denúncias que chegaram à CPI das Milícias no ano passado apontam para a morte de pessoas que não pagavam aos agiotas em dia. Dilo já foi preso em 2001 acusado de envolvimento no sequestro e morte de um taxista suspeito de envolvimento com o tráfico. Beto Bomba chegou a fazer figuração, como policial militar, este ano, numa minisérie da Rede Globo.

O inspetor Félix Tostes, morto em 2007, também faturou com o restaurante Estação Azul, que até hoje funciona na favela. Queiroz ainda tem uma loteria que está no nome do seu filho. O capitão da PM — que foi candidato a deputado estadual em 2006 pelo PDT e trabalhou no Gabinete Militar na gestão do prefeito Cesar Maia — também foi dono da empresa de vigilância Protec.

Dalcemir — que numa certidão de imóvel se declarou jornalista — já teve empresa de lava-jato e de transporte de ônibus para o Nordeste. Mas o que realmente dava lucro para o irmão de Dalmir nos últimos meses era a grilagem de terras. Segundo investigações da 32ª DP (Taquara), ele faturou R$ 1 milhão com a venda de parte de um terreno que era da viúva de Félix. Socorro entrou na Justiça contra o miliciano.

Do regime semiaberto ao ‘plantão’ da milícia

As investigações mostram que seis acusados deixavam o Instituto Penal Cândido Mendes, durante o dia, no fim do ano passado, para trabalhar para a milícia de Rio das Pedras. Cumprindo pena no regime semiaberto, dois deles foram presos ontem de manhã, antes de ir para a rua: os ex-PMs Paulo Roberto Alvarenga e Carlos Roberto Guedes.

Alvarenga é apontado como segurança de Dalmir — acusado de ser um dos mandantes do atentado a Socorro no ano passado. O ex-PM Carlos Alberto Vieira Dantas confessou participação e entregou Otto Luiz Stefan de Albuquerque, cabo reformado da Marinha, o ex-PM Sérgio Barros de Amorim e Guedes — todos companheiros de prisão.

A moto usada no crime foi emprestada por Wilson de Souza Guimarães Junior, o Porquinho, que também já cumpria pena. A polícia concluiu que a arma usada contra Socorro foi a mesma do atentado a Nadinho em 2008.

Homicídios e ameaças para manter o poder

No inquérito, várias mortes são atribuídas à milícia, como a de Adeildo Alves Cunha, por não pagar empréstimo da Areal Cred Fomento, e de Vera Oliveira, mãe de jovem de apelido Romarinho, que seria viciado. Os homicídios de Gutemberg Dias Barbosa, José Luiz dos Santos, Jeferson de Freitas da Luz Nascimento e Francisco Antônio dos Santos também teriam sido cometidos pelo grupo. “Temos indícios suficientes de que esses crimes contra a vida foram tentados pelo interesse da quadrilha em permanecer dominado a milícia”, disse o delegado Cláudio Ferraz.

Com a desarticulação do bando, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, não descarta a possibilidade de o tráfico tentar tomar a favela. “Temos a inteligência para começarmos a detectar qualquer tipo de movimento nesse sentido. A polícia, seja ostensivamente ou não, não vai tirar seu foco dali”, disse Beltrame.

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