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22/11/2009 - 24 Horas News Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Indícios de fraude cancela concurso público; provas suspensas

Por: Rubens de Souza


O maior Concurso Público para contratação de pessoal, promovido pelo Governo do Estado, começou errado e terminou anulado. O secretário de Administração, Geraldo de Vitto, anunciou que o certame está anulado sob suspeita de fraudes. Durante toda a manhã, houve denuncias de favorecimento e também falhas dos mais variados tipos. As provas da parte da tarde, que deveriam ter início as 14 horas, foram suspensas, segundo informaram funcionários do Governo.

O Governo alegou problemas de logística para cancelar o concurso. Faltou local para os candidatos fazer as provas. Já em outros locais as provas não chegaram a tempo. Há informações de que houve vazamento de provas. Candidatos disseram ter observado que concorrentes tiveram acesso às provas que ainda seriam aplicadas no período da tarde. Outros candidatos tiveram acesso a provas para outros cargos. Os candidatos disseram que receberam essas provas dentro da própria sala onde prestavam o concurso.

A situação mais grave pelo que se tem registro até o momento foi na Unirondon, em Cuiabá. No local não teve prova nesta manhã. Muitos candidatos que estavam lotados em outros locais foram transferidos para a Unirondon, alguns recentemente, faltando três ou quatro dias para o concurso, o que aumentou ainda mais a confusão. Vários candidatos chegaram ao local e não encontraram sala para fazer a prova. Os candidatos chegaram a registrar boletins de ocorrência como forma de provar que eles estão sendo prejudicados.

Em outros lugares candidatos disseram ter recebido os envelopes de provas rasgados, sem lacre e ainda engano no momento de distribuição de formulários. Os questionários que deveriam ser respondidos de tarde foram entregues agora pela manhã, gerando um clima de insegurança entre os concorrentes.

O concurso público é considerado o maior da história de Mato Grosso. Ao todo, serão atendidos 19 órgãos: Auditoria Geral do Estado, Casa Civil, Instituto de Defesa Agropecuária, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar, Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Polícia Judiciária Civil, Instituto de Terras de Mato Grosso, Secretarias de Meio Ambiente, de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social, de Infraestrutura, de Comunicação, de Administração, de Planejamento, de Turismo, de Cultura, de Esporte e Lazer, de Desenvolvimento Rural, Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Junta Comercial e Procon.

Os problemas desse concurso começaram muito antes, ainda na fase de preparação do certame, quando o Ministério Público Estadual anunciou medida para desqualificar a Fundação de Apoio ao Ensino Superior (Faesp), órgão da Universidade de Mato Grosso (Unemat). A Faesp é uma fundação privada que arrecada dinheiro público por convênio com a instituição de ensino superior, mas até hoje, nunca prestou contas dos valores arrecadados por meio da universidade. Para que o concurso fosse mantido, foi necessário um Termo de Conduta, ajustado com o MPE.

As provas estavam sendo aplicadas em Cuiabá, Várzea Grande, Água Boa, Alta Floresta, Barra do Garças, Diamantino, Juara, Juína, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra, Vila Rica, Cáceres e Nova Xavantina.

Na sexta-feira, agentes da Polícia Federal apreenderam documentos na casa da professora Geysa Atala Curvo, coordenadora de concurso e vestibulares da Unemat , entidade responsável pela organização e elaboração das provas. Ainda não há informações sobre os motivos do mandato de apreensão.

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