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15/01/2007 - MídiaSemMáscara Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Elogio à corrupção

Por: Ipojuca Pontes


Sei que muitos discordam mas é preciso reconhecer, no Brasil da era Lula, o solerte poder da corrupção. Acreditem: é notável a sua capacidade de resistir e contaminar tudo e todos, de forma eloqüente e inquebrantável. Sim, ela está em toda parte e avança cada vez mais forte, nos mais distintos espaços e esconderijos, vale dizer: nas esquinas, nos bares e confessionários, barracos, colégios e hospitais, nas artes e ofícios, nos ministérios, escritórios, quartéis e lares impolutos, no Congresso, no Judiciário e, muito especialmente, no Executivo, “pai e mãe de todos os escândalos”.

Uma tal robustez e capacidade de atuação não é fenômeno desprezível que se possa jogar de lado e improvisar, com cara de repugnância, uma palavra de condenação. Parafraseando Erasmo, no seu Elogio da Loucura, é preciso admitir, com humildade e cabisbaixo, que sem a marca da corrupção nenhum governo se equilibra, notadamente os populistas e totalitários, sendo certo que ela atinge até os “bem-intencionados”, sobretudo àqueles que militam nos partidos empenhados em estabelecer a “justiça social” – seja lá o que isso possa significar. De fato, no Brasil a corrupção contaminou o “incontaminável” - e para ela não há punição. Querem uma maior demonstração de força e poder do que a impunidade da corrupção?

Humilde diante da intrepidez da perversão, fiz pequena lista de pessoas da “nossa” vida pública recente que, pelas fraudes e ilícitos praticados deveriam estar na cadeia - e tive de me curvar diante da hidra, sempre vigorosa na sua desonestidade e, reconheçamos, fulgurante no seu esplendor criativo. Como diria o modesto apresentador de televisão, “vem comigo”.

Caso 1 - Waldomiro Diniz. Ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República e ex-assessor do ex-Chefe da Casa Civil do governo Lula (José Dirceu), flagrado extorquindo dinheiro do bicheiro Carlinhos Cachoeira para as campanhas eleitorais dos candidatos petistas, Waldomiro, pelo que se sabe, depois de muita investigação (confessou-se culpado) foi enquadrado em oito modalidades de crime, entre eles o de concussão, prevaricação e extorsão.

Hoje: Waldomiro continua endinheirado, livre e solto. Depois de mais de três anos da extorsão televisada, ele é visto desfilando sua elegância bem-penteado nos supermercados de Brasília e hotéis de luxo do Rio de Janeiro, onde vez por outra aparece. O seu caso está cada vez mais emperrado na Justiça e há quem afirme que em breve Waldomiro, um “injustiçado”, voltará ao serviço público com direito às isonomias de praxe.

Caso 2 - Delúbio Soares. Tesoureiro do PT e uma das principais peças (ao lado de Marcos Valério) do mensalão, o esquema bolado para promover a corrupção no Congresso a partir da compra de parlamentares por dinheiros desviados dos cofres da Viúva, um crime “suavizado” sob epíteto de “Caixa dois”. Ativista de um dos maiores escândalos da vida parlamentar brasileira, no Império ou na República, o ex-tesoureiro de PT, amigo de passar cigarros para Lula por baixo do pano, enfrentou sem abrir o bico uma CPI, apelando para todos os golpes: deboche, mentira, engodo, choro, esquecimento e estupefacientes para engrolar a língua. Um verdadeiro titã. Ao cabo do depoimento, foi profético: “As denúncias serão esclarecidas, esquecidas e acabarão virando piada de salão”.

Hoje: enquanto Bruno Maranhão, o “vândalo do Congresso”, deixou o Recife para acompanhar de perto na sala VIP do Planalto, a posse de Lula, Delúbio, o ex-distribuidor da grana fraudulenta resolveu acompanhar a festa de solenidade do 2º mandato presidencial no balneário chique de Porto das Galinhas, onde ouviu pela televisão, com redobrado entusiasmo, as palavras alvissareiras do amigo empossado. Está gordo, feliz e administra, sem qualquer constrangimento, sua bem-sucedida propriedade em Goiás.

Caso 3 - Marcos Valério, o “Carequinha”, publicitário que, ao lado de Delúbio Soares pôs em prática o fabuloso esquema de corrupção política jamais imaginado, o mensalão, que consistia em pagar gordas propinas a deputados da base aliada em troca de votos para o governo. Corria tanto dinheiro no negócio que ele passou a ser chamado de “valerioduto”. O “Carequinha”, na CPI, disse que repassou empréstimos de suas empresas para fomentar o esquema corrupto (avalizado por José Genoino, presidente do PT) no valor de milhões e milhões de reais.

De fato, a história dos empréstimos do publicitário era uma farsa. Segundo informou no seu relatório o deputado Osmar Serraglio, relator da CPI do mensalão, a grana do valerioduto para corromper o Congresso vinha de empresas estatais, entre outras a Visanet, concessionária do Banco do Brasil.

Hoje: Marcos Valério deixou o cabelo crescer, apresentando um novo visual dentro de ternos talhados sob medida. A grande imprensa, depois de mantê-lo meses e meses nas manchetes e capas das revistas, resolveu esquecê-lo. No momento, de cabeleira cheia, o publicitário toca a sua empresa, cuida de suas fazendas de gado e “tira de letra” os processos judiciais em que está envolvido. Garante que é inocente.

Caso 4 – Duda Mendonça. Mistura de marqueteiro e contraventor (declarado), um dos artífices da escalada de Lula até a Presidência da República, Duda, em depoimento à CPI revelou que recebeu pagamento de R$ 10,5 milhões pelos serviços da 1ª campanha presidencial através de depósitos clandestinos em uma conta secreta em paraíso fiscal. Envolvido com superfaturamento de contratos com órgãos públicos, o baiano choroso meteu-se com remessas ilegais para contas no exterior e é acusado por sonegação e crime eleitoral.

Hoje: Duda passeia sua inteligência permissiva por uma das melhoras propriedades do Brasil, no litoral baiano, ao tempo em que sua agência renova generoso contrato com a Petrobras, no valor de R$ 150 milhões.

Voltamos na próxima semana, pois a pequena lista é extensa.

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