Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

16/11/2009 - Diário do Nordeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Clonagem de carros assusta

Por: Fernando Ribeiro

Os registros de casos de automóveis "dublês" têm se tornado comuns. O dono do verdadeiro veículo vira vítima.

De repente, sem nenhuma explicação, você começa a receber em casa aviso de que foi multado, uma, duas, três vezes, em locais por onde você não passou e em horários incompatíveis com a sua rotina. Cuidado! Seu carro pode ter sido clonado.

A clonagem de veículos tornou-se mais um duro golpe na vida dos cidadãos de Fortaleza. Os casos vêm ocorrendo com muita frequência, muito embora as autoridades policiais e ligadas à fiscalização de trânsito não tenham uma estatística que possa apontar os números exatos desse tipo de delito.

Flagrante

Na semana passada, uma simples abordagem de rotina nas ruas da Capital levou policiais militares da 2ª Companhia do 5º BPM (Messejana) a prenderem um casal que tentou fugir da blitz. Quando, finalmente, os PMs conseguiram abordar o automóvel, encontraram com os suspeitos uma arma de fogo, uma pistola de calibre Ponto 40 (0.40), pertencente à Polícia Rodoviária Federal, na Paraíba, certamente, uma arma roubada. Desconfiados, os policiais decidiram fazer uma busca na casa dos suspeitos.

Na residência, no Planalto Ayrton Senna, os militares acabaram encontrando fortes indícios de que o casal estaria envolvido com uma quadrilha de ladrões de automóveis e motocicletas. Na casa foram encontrados pedaços de placas de carros e outros apetrechos. Na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), para onde o casal foi conduzido e autuado em flagrante delito, veio a confirmação: o veículo em que estavam os suspeitos era um carro clonado. Logo, o automóvel autêntico apareceu.

O episódio narrado anteriormente é apenas um exemplo do crime que tem chamado a atenção das autoridades e feito várias vítimas. A clonagem de carro no País virou um grande problema para os cidadãos. Estima-se que no Brasil, 370 mil carros são roubados por ano. Desse total, cerca de 10 por cento, isto é, 37 mil seja utilizado para clonagem.

Os veículos clonados, ou conhecidos também como "cabritos", usam placas, chassi e documentos copiados de outro carro do mesmo modelo e da mesma cor. Muitos deles circulam durante meses e até anos, sem que a fraude seja descoberta pela Polícia. A trama só aparece quando o dono do verdadeiro automóvel descobre o fato, embora que involuntariamente. Isso acontece quando o "clonado" infringe as normas do trânsito ou se envolve em algum acidente ou mesmo em um crime. Com as multas ou notificações policiais endereçadas ao dono do verdadeiro automóvel, a clonagem é, então, revelada.

Quadrilhas especializadas neste tipo de delito vêm sendo detectadas e desarticuladas, com frequência, na região Nordeste, especialmente nos Estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os grupos têm se especializado na clonagem de caminhonetes de luxo, como Hilux e L-2000.

Prisões

Nos últimos dois anos, pelo menos três quadrilhas interestaduais foram desarticuladas em Fortaleza, sem contar com as prisões pontuais realizadas no dia a dia, como a do casal detido em Messejana, na semana passada. Veículos roubados ou furtados na Capital e Região Metropolitana são adulterados e, em seguida, colocados no mercado pelos criminosos.

O golpe, além de ser uma violação à Lei Penal, traz muita dor de cabeça para as vítimas.

FALHA
Delito não está inserido na legislação de Trânsito

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), não existe na legislação de trânsito uma regra específica para carros clonados. Assim, só resta ao proprietário que se sentir prejudicado, recorrer ao Denatran com a justificativa de que não cometeu a multa ou ainda descobrir que o carro que comprou se trata de uma cópia.

No caso da justificativa, ela deverá ser escrita à mão e, de preferência, com algum documento anexo que prove o local onde estava o verdadeiro carro no momento da infração, como um bilhete de estacionamento.

No site do Denatran há as instruções para o procedimento. Já para descobrir se o carro está irregular, basta fazer uma vistoria de chassi no Ciretran (Circunscricional Regional de Trânsito) da sua cidade ou mesmo na Polícia Civil.

Porém, os cuidados do consumidor devem começar na hora da compra. No caso das revendedoras de veículos, que precisam se certificar do histórico do carro, o procedimento é feito por meio de uma empresa privada. É verificado o número da carroceria, os selos de marcação, os vidros, motor etc. Se tiver algum vestígio de irregularidade, ela não recebe o veículo.

Numeração

Nas montadoras, os carros recebem uma série numérica que é gravada no chassi, motor, vidros e carroceria. Esses números são registrados com uma máquina especial, instalada na linha de montagem. No caso dos vidros, por exemplo, os números já saem serigrafados da fornecedora.

Embora haja um rigoroso controle dentro das fábricas por parte do Denatran, os criminosos conseguem acesso a todos os números do veículo, inclusive ao Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

QUADRILHAS ESPECIALIZADAS
Bandos agem de três modos

As quadrilhas locais e interestaduais que atuam no ramo de automóveis agem em três tipos de crimes. Segundo o delegado Jairo Façanha Pequeno, diretor do Departamento de Polícia Especializada e ex-titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas do Ceará (DRFVC), os criminosos atuam nos seguintes delitos: roubo ou furto para fim de depenação; para "desmanche" e venda de peças a receptadores, ou ainda; para adulterar veículos e colocá-los novamente no mercado como "dublê" ou clone.

Segundo Jairo Pequeno, em muitas situações já detectadas pela Polícia, o nível de adulteração do veículo é quase perfeita, fato que impossibilita a Polícia chegar à "identidade" do verdadeiro veículo.

Esquentam

No caso da clonagem, os ladrões lixam e alteram a numeração de chassi constante nos vidros do automóvel, mudam as placas e "esquentam " (falsificam) o Documento Único de Trânsito (DUT) depois de terem produzido alterações também no "segredo" do automóvel, isto é, na numeração existente no chassi e no motor.

"Eles reabrem a numeração do motor e do chassi de forma tão técnica que, muitas vezes, só mesmo um especialista para detectar a falsificação", explica Jairo Pequeno. Conforme o delegado, em 99 por cento dos carros clonados apreendidos, estes haviam sido furtados ou roubados. "Com a eliminação da etiqueta e a retirada do "segredo", somente o trabalho de um perito pode descobrir a adulteração, que é um crime previsto no artigo 311 do Código Penal", afirma o diretor do DPE.

Jairo Pequeno explica que as caminhonetes de luxo são as mais visadas pelos criminosos, muito embora, haja também grupos que fazem a clonagem de veículos de menor valor de mercado, isto é, modelos considerados "populares". Isso acontece, porém, em pequena escala. Os ladrões e receptadores preferem lucrar na venda de peças ou de veículos clonados de maior valor de mercado.

Os criminosos que atuam neste tipo de delito conseguem, muitas vezes, acesso a todos as informações sobre o carro original do qual farão uma cópia (dublê), inclusive ao Registro Nacional de Veículos Automotores (código do Renavam).

Muito cuidado

Para evitar dores de cabeça futuras após adquirir, por exemplo, um automóvel usado, os consumidores devem ficar atentos e examinar o histórico do veículo por meio de uma consulta ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), do Estado de origem do veículo.

Já para aqueles cidadãos que receberam multas de um carro que foi clonado igual ao seu, a alternativa para tentar se livrar da injusta penalidade (aplicação de pontos negativos na Habilitação e multa) é recorrer junto aos órgãos fiscalizadores do trânsito, no caso, o Detran, a Autarquia de Trânsito (AMC), Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRV).

O jornalista Paulo Ernesto Serpa, assessor de Comunicação Social do Detran-CE, explica que, dos casos de denúncia de clonagem chegados àquele órgão poucos se confirmaram na análise dos recursos.

O que diz a lei
Código prevê o crime

O ARTIGO 331 do Código Penal Brasileiro prevê o crime de "adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento." A pena é reclusão de três a seis anos, e pagamento de multa. Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é aumentada em um terço. Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou para o registro do veículo remarcado.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 303 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal