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15/11/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Empréstimos não-autorizados diminuem aposentadoria de idosos

Reportagem do Fantástico mostra venda de dados do INSS. Criminosos falsificam documentos e pegam crédito em nome de idosos.

Aposentados brasileiros enfrentam fraudes ligadas a empréstimos consignados, aqueles que já vêm descontado em folha. Parcelas de créditos que eles dizem não ter feito aparecem descontadas, diminuindo a aposentadoria.

No Brasil, desde o começo deste ano, mais de quatro mil aposentados reclamaram de empréstimos que dizem não ter feito. Até agora, o INSS já comprovou que 1.011 eram mesmo fraude.

Uma lesão grave na coluna obriga José Maria Leite, de 74 anos, a andar curvado. Mas esse não é o único problema sério que ele enfrenta.

José Maria descobriu que a aposentadoria de um salário-mínimo ficou menor, de uma hora para outra. Ele estava pagando dois empréstimos de R$ 700, que alguém pegou em nome dele: “Me dói”, diz.

Uma vitória ele já conseguiu - uma liminar da Justiça para bloquear a cobrança. Ainda falta receber de volta o que foi descontado na aposentadoria: “É muito egoísmo, demais da conta, fazer judiação com coitado pobre.”

Na mesma cidade, Pitangui, no interior de Minas Gerais, outro aposentado, Ronaldo José do Couto, foi vítima do golpe do empréstimo consignado.

Passou meses pagando as prestações de R$ 413 de uma dívida de R$ 12 mil que ele nunca fez: “Eu mostrei para o rapaz do INSS, ele disse que realmente tinha coisa irregular.”

Em Água Nova, no sertão do Rio Grande do Norte, cidadezinha de três mil habitantes, mais de 30 aposentados foram vítimas do golpe. “Nunca fiz empréstimo”, afirma Maria das Graças Souza.

“Porque, como é que faz o empréstimo no nome da pessoa sem a gente dar os documentos?”, questiona a aposentada Maria Ozélia Bezerra.

Venda de dados

A reportagem do Fantástico foi investigar como esses empréstimos são feitos sem que o aposentado assine qualquer documento.

“Diversas são as modalidades para enganar os idosos, mas a que mais tem preocupado a polícia é a compra por estelionatários de dados cadastrais que deveriam pertencer exclusivamente aos órgãos federais encarregados de darem assistência aos idosos”, explica o delegado Abílio Pereira.

Isso significa que os bandidos usam dados do próprio INSS. O repórter Giovani Grizotti começou a investigação pela internet. Vários sites vendem cadastros dos aposentados.

Ligamos para um site de Belo Horizonte. Quem atende se identifica como "Henrique". Por telefone, pedimos que Henrique mandasse uma amostra do banco de dados.

“Tem nome, tem CPF, nome, endereço completo, telefone até três opções, tem o número de benefício, enfim, tem um monte de informação”, diz Henrique.

Falamos com as pessoas que aparecem nessa lista e confirmamos que as informações são autênticas. Marcamos encontro com o golpista na capital mineira. A conversa entre Henrique e o repórter do Fantástico aconteceu em um restaurante no centro da cidade.

“Dou garantia total de reposição por futuros registros que estiverem desatualizados. Esse é um pessoal antigo. Um pessoal que dá muito óbito também. Às vezes, qualquer óbito também eu reponho para você. Te vendo a R$ 0,10 cada registro. Vamos supor que fossem 400 mil. Daria R$ 60 mil”, oferece Henrique.

Depois de gravar a oferta do golpista, a equipe do Fantástico se apresenta. Henrique foge. A reportagem quase perde Henrique de vista, mas o encontra numa garagem. Henrique nega que venda os cadastros do INSS. "Não, não vendo não, nunca vendi."

Ligamos para outro site que também oferece as listas. Dessa vez quem nos atende é um homem do interior do Mato Grosso do Sul, que afirma que as informações são do INSS mesmo. “O banco de dados foi extraído este ano”, diz.

Desse golpista, compramos uma lista com dados de aposentados da cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul, por R$ 200. Para ter certeza de que as informações eram mesmo verdadeiras, consultamos o site do INSS. Tudo confere.

Com essas informações, os bandidos falsificam documentos e fazem a dívida em nome dos aposentados.

Documento falsificado

A reportagem foi então verificar se é fácil conseguir os documentos falsos. No centro de Porto Alegre descobrimos um falsário. Encomendamos a ele uma carteira de identidade em nome de uma das pessoas da lista de aposentados da cidade gaúcha de Canoas: “Só vai ter que ter assinatura de quem vai utilizar. O papel é bom, original.”

Com a falsificação, de acordo com a polícia, um criminoso poderia ter conseguido um empréstimo consignado em nome do aposentado da lista. Nossa produção entregou as listas que conseguimos com os golpistas ao INSS e o documento falso à Polícia Civil de Porto Alegre.

“Um exame superficial é capaz de produzir resultados para aquisição de empréstimos em estabelecimentos bancários”, atesta o delegado.

O presidente do INSS, Valdir Simão, admite o problema: “Estamos tomando providências junto à área de inteligência da Previdência Social, Polícia Federal e Ministério Público, para investigar a autoria, a origem desse banco de dados e também quem está comercializando. Se houve uma fraude, o banco tem que devolver rapidamente o dinheiro corrigido pela Selic ao nosso segurado sob pena do contrato ser suspenso e não poder mais fazer empréstimos consignados”.

Prevenção

A delegacia de proteção ao idoso dá dicas aos aposentados: “Não assine nenhum tipo de documento em branco para ninguém, ainda que se trate de familiares. Esses golpes também têm participação intrafamiliar. Não forneça nenhum dado cadastral, CPF, endereço ou telefone, número de conta bancária ou documento de identidade por telefone para ninguém”, alerta Abílio Pereira.

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