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13/11/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Denúncia sobre suposta fraude em concurso da PRF é recebida pelo MPF

Entre os eliminados estão os primeiros colocados no Rio, SP e MG. Candidatos bem colocados fizeram o exame em salas extras.

O procurador da República em Niterói (RJ), Leonardo Costa, recebeu denúncia de supostas fraudes ocorridas no concurso da Polícia Rodoviária Federal para 750 vagas. A documentação com as irregularidades já foi encaminhada por Costa para a Procuradoria da República no Rio de Janeiro, que já havia investigado outras denúncias relacionados ao concurso, como duplicidade de inscrições e tumulto em um local de aplicação de prova no Rio de Janeiro.

Entre as denúncias encaminhadas pelo juiz federal William Douglas à Procuradoria desta vez estão cópias de cartões de resposta de candidatos nas primeiras colocações com erros de preenchimento, indicações de que os primeiros colocados fizeram a prova em salas extras e de que alguns candidatos bem classificados já teriam passado em concursos anteriores da Funrio, organizadora do concurso.

O procurador da República Edson Abdon Peixoto Filho, que decidiu encerrar a investigação anterior sem propor ação civil pública, está de férias até dezembro e deverá decidir se abre nova investigação quando retornar ao trabalho.

A assessoria de imprensa da Funrio, organizadora do concurso da Polícia Rodoviária Federal, dediciu eliminar 27 candidatos que haviam sido classificados na lista preliminar do exame do resultado final divulgado na madrugada de quinta-feira (12).

As eliminações ocorreram por irregularidades nos cartões de resposta e suspeita de fraude. A maioria dos eliminados tinha as melhores notas. A lista com o resultado final do concurso está no site da Funrio (www.funrio.org.br).

Entre os eliminados estão os 13 candidatos com melhores notas do Rio de Janeiro, os três primeiros de São Paulo e os dois primeiros de Minas Gerais. Os demais eliminados são de diversos estados, disse a Funrio. Apesar da suspeita de fraude, a Funrio diz que não há indícios de vazamento de prova nem de gabarito e abrirá uma sindicância interna para apurar os motivos das irregularidades. O relatório da sindicância, que deve ficar pronto de 10 a 15 dias, será encaminhado para a Polícia Federal.

No total, 109.793 candidatos se inscreveram para as 750 vagas do concurso, que exige nível superior.

Segundo a organizadora, grande parte dos candidatos eliminados fez a prova em salas extras, usadas para atender candidatos que estavam no prédio errado do local marcado para a realização da prova por algum motivo.

Muitos candidatos haviam se inscrito para mais de um estado e tiveram de ficar apenas com a primeira opção após o Ministério Público Federal mudar a regra do concurso. Por conta disso, alguns desses candidatos tiveram o local da prova marcado em estado distante da onde moram e, para não precisar viajar para o exame, fizeram a prova no próprio estado, mas em uma sala extra.

Os cartões irregulares foram preenchidos com letras diferentes e têm índice de acerto superior ao dos demais candidatos. A Funrio disse que a identificação dos cartões irregulares ocorreu graças a um sistema digital, chamado Sherlock, que funciona como uma espécie de pente fino na conferência dos cartões.

Hackers

De acordo com a Funrio, cartões respostas com irregularidades já haviam sido encontrados por candidatos no próprio site da organizadora. A Funrio disse que hackers invadiram seu sistema na internet de uma forma que candidatos conseguiram ver o cartão resposta de outras pessoas. As imagens dos cartões com irregularidades foram amplamente divulgadas por candidatos na internet e em vídeos pelo youtube.

Por conta da divulgação dos cartões de respostas irregulares, a Funrio afirmou que intensificou a conferência dos cartões repostas para a divulgação do resultado final.

Além dos 35 eliminados no resultado final, a Funrio disse que outros 45 candidatos já haviam sido eliminados nas demais etapas do concurso por razões como usar aparelhos eletrônicos nas provas, tentativa de "cola" ou preencher o cartão resposta de forma incorreta.

MP encerra investigação

Antes das providências tomadas pela Funrio, o Ministério Público Federal (MPF) havia encerrado a investigação de supostas irregularidades ocorridas no concurso.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPF, a partir dos dados reunidos desde setembro, o procurador da República Edson Abdon Filho concluiu que a possível falta de isonomia dos inscritos foi regularizada e que o incidente ocorrido na aplicação da prova na Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro, não motiva a proposição de ação civil pública na Justiça.

A investigação focalizou cinco possíveis irregularidades: a dispensa indevida de licitação; o favorecimento de candidatos com escolha de vaga da lotação; o não-ressarcimento de taxas de inscrição em duplicidade; a divergência entre o local de realização da prova e o da vaga disputada; e o tumulto na aplicação das provas na UGF.

Anulação

Para William Douglas, professor, juiz federal e autor de 28 livros sobre técnicas e dicas de preparação para concursos, o fato de a Funrio eliminar os candidatos é confirmação inequívoca de que houve fraude. “As denúncias não são despropositadas”, diz.

Para ele, o concurso deve ser anulado. “O que aconteceu tira a credibilidade. Não se pode permitir que se entre na polícia através de fraude. Não haverá dúvida de que esse candidato envolvido em irregularidade será um policial corrupto e usará o cargo para ganhar dinheiro”, diz.

Ele defende que o fato seja devidamente apurado e que quem participou da fraude vá para a cadeia. "Tem que haver inquérito policial porque isso é crime", afirma.

Protesto

Centenas de candidatos programaram uma manifestação para a próxima segunda-feira (16), às 10h, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, para pedir a anulação das provas.

De acordo com a comissão organizadora, o protesto reunirá concurseiros que se sentiram lesados pela decisão da Funrio de apenas desclassificar os candidatos supostamente envolvidos no esquema de fraude em vez de não anular o concurso.

Depois do protesto, uma comissão irá ao Ministério Público Federal, também no Centro, para pedir apuração das denúncias de fraudes e o cancelamento do concurso.

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