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12/11/2009 - Correio Braziliense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Alunos que receberam falso diploma do Ilal tentam recuperar dinheiro

Por: Guilherme Goulart


Dezenas de pais e estudantes lesados pelo Instituto Latino-Americano de Línguas (Ilal) fizeram ontem um protesto na sede da entidade, na 502 Sul. Além das reclamações por conta da fraude sofrida, estiveram no local para tentar reaver o dinheiro pago pelos serviços oferecidos sem valor diante das autoridades de educação — alguns investiram até R$ 3 mil por supletivos e certificados não reconhecidos pela Secretaria de Educação do DF e pelas universidades da capital do país. Não receberam nada de volta. E ainda ouviram de funcionários que deveriam pagar mais R$ 50 pelos documentos.

Quem sofreu o golpe, por exemplo, apareceu no Ilal também para se defender. Disse que não sabia da irregularidade. Criticou inclusive as instituições de ensino superior que aceitaram os diplomas atestados por empresas do Rio de Janeiro e obtidos com o Ilal. “Meu marido estudou, fez as provas, passou, mas agora viramos pessoas de má índole perante a sociedade? Isso não é justo”, afirmou a empresária Ana Clara, 32 anos. O marido, Fábio Faria de Oliveira, 37, pagou R$ 740 em fevereiro para concluir o ensino médio pelo Ilal. Faria vestibular para teologia no início do ano. O recibo do Ilal atesta “supletivo”.

O casal e as demais vítimas, no entanto, não conseguiram conversar com ninguém que se identificasse como dono do Ilal. Apenas funcionários e advogados tentaram defender a entidade, mas em reuniões privadas. A reportagem não pôde acompanhar os encontros e ainda pediram que se retirasse. Informaram que falariam sobre o assunto com a imprensa depois que resolvessem o problema com pais e alunos. Dois policiais militares acompanharam a movimentação do lado de fora da unidade da Asa Sul — há ainda uma na Asa Norte, uma em Águas Claras e duas em Taguatinga.

A atuação de cinco anos do Ilal no DF colocou sob suspeita a entrada de milhares de brasilienses na universidade. Por conta disso, pais e alunos têm medo de perder o dinheiro investido em educação. Uma enfermeira de 46 anos pagou R$ 3 mil por um certificado do Ilal. A filha passou no segundo vestibular do ano na Universidade de Brasília (UnB) e precisava de pressa para garantir a vaga. “Minha filha sempre foi excelente aluna e mereceu ser aprovada. Tentei pelo menos pegar meu dinheiro de volta, mas não consegui”, lamentou.

A família da cabeleireira Edna Maria da Silva, 48, também deve amargar prejuízos financeiros e educacionais. Ela gastou R$ 2,4 mil, pagos à vista, com o supletivo e o certificado de término de curso prometidos pelo Ilal. O filho de 17 anos usou o documento para garantir a vaga no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), na 704/904 Norte. Passou no segundo semestre e começaria o curso no início de 2010. “Meu filho fez as provas no fim de outubro e ainda não recebeu nada. Perdemos tempo, dinheiro e vamos agora procurar um curso credenciado”, contou.

Parecer

As principais universidades do DF descobriram no total 138 alunos matriculados com certificados do Ilal. A UnB levantou 81 casos — eram 88, mas alguns processos acabaram contabilizados duas vezes — entre os 6.101 candidatos aprovados nos dois vestibulares de 2009. E pediu parecer da Secretaria de Educação do DF sobre a validade das declarações emitidas pelo Ilal e pela Empresa de Pesquisa Ensino e Cultura (Epec), do Rio de Janeiro. Aqueles que forem flagrados têm até 24 de novembro para regularizar a documentação. Depois disso, terão 15 dias para apresentar a defesa.

O Centro Universitário de Brasília (Uniceub) tem 39 estudantes na mesma situação. O Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), 11. E a UDF, sete. Todas as instituições também deram um prazo para que os universitários apresentem documentos com validade perante as autoridades locais de educação. Se isso não ocorrer, centenas deles terão de recomeçar a caminhada ao ensino superior. A começar pela conclusão do ensino médio.

Além das universidades e da Cosine, investigam o caso a Delegacia de Defraudação e Falsificação (DEF), a Promotoria de Defesa da Educação (Proeduc) e o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon). Não se descarta, assim, a possibilidade de serem fechadas as portas das cinco unidades do Ilal no DF. Os proprietários podem ser acusados de estelionato de falsificação de documentos.


ALERTA DO CETEB

A suspeita de fraude praticada pelo Ilal provocou uma corrida ao Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb), escola do Plano Piloto autorizada pela Secretaria de Educação DF a oferecer supletivo e emitir certificados de conclusão de ensino médio. A diretora do Ceteb, Rosa Pessina, informou que houve um aumento de 15% em relação à média de até 2 mil alunos por ano. “O estudante deve entender que aqui não se compra certificado. Não se sai daqui em menos de dois meses de estudo”, afirmou Rosa, que integra o Conselho de Educação do DF. Ela emitiu ontem alerta aos pais e estudantes para que observem regras básicas na hora de procurar uma escola.

AS IRREGULARIDADES

# O Ilal não tem autorização da Secretaria de Educação do Distrito Federal para oferecer supletivo ou emitir certificados de conclusão de ensino médio. Materiais informativos e pinturas na fachada das unidades da escola, no entanto, atestam documentos com reconhecimento do Ministério da Educação (MEC).

# Pais e estudantes pagaram até R$ 3 mil pelos certificados sem valor. A maioria só descobriu a fraude depois de levantamento realizado pela Coordenação de Supervisão Institucional e Normas de Ensino (Cosine), da Secretaria de Educação do DF, e de denúncia do Correio.

# A escola emite declarações e certificados de alunos supostamente formados pelo programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), em educação a distância. A participação de menores de 18 anos é proibida pela Resolução nº 1/2009 do Conselho de Educação do Distrito Federal.

# Parte dos documentos emitidos pelo Ilal revela o nome de instituições de outros estados. Alguns dos diplomas e históricos escolares, por exemplo, são atestados pela Empresa de Pesquisa, Ensino e Cultura (Epec), do Rio de Janeiro — a entidade acabou descredenciada pelo governo do Rio desde setembro. Além disso, a Secretaria de Educação do DF não reconhece como válidos os supletivos realizados em outras unidades da Federação.

# Os estudantes formados em supletivos feitos não passam por nenhum tipo de aprendizado. Recebem apostilas e, em seguida, fazem algumas provas. Alguns alunos revelaram ao Correio que ligaram para conhecidos para consultar as questões na internet e passar as respostas.

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