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09/11/2009 - Portal Terra / New York Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crime pela internet envolveu manuscritos milenares nos EUA

Por: Jim Dwyer


Promotores públicos americanos consideraram crime a maneira pela qual um prolífico comentarista de internet, que operava sob 50 diferentes pseudônimos e endereços de e-mail, tentou influenciar o debate acadêmico em blogs e listas de discussões sobre a origem dos Manuscritos do Mar Morto.

Raphael Haim Golb, 49 anos, foi preso em flagrante em março deste ano em seu apartamento em Manhattan suspeito de ser um dos participantes de uma briga virtual sobre os Manuscritos do Mar Morto, na qual está em disputa a origem dos documentos de dois mil anos de idade em uma guerra que consome as energias de acadêmicos de todo o mundo. Golb usava 50 diferentes pseudônimos e endereços de e-mail para fazer comentários em blogs e usou o nome de um professor que desejava desacreditar para escrever uma quase confissão de plágio, que circulou entre alunos e funcionários da Universidade de Nova York.

O propósito de Golb, segundo a promotoria, era "influenciar e afetar o debate sobre os Manuscritos do Mar Morto e prejudicar os acadêmicos que discordassem de seu ponto de vista".

Por algum tempo, ninguém soube que 50 dos diferentes nomes envolvidos no debate sobre os manuscritos eram, na verdade, usados pelo prolífico Golb, que se formou no Oberlin College e tem um diploma em Direito pela Universidade de Nova York e um doutorado em literatura comparada pela Universidade de Harvard (sua dissertação trata dos "problemas de privacidade e confiança na literatura moderna, e sua relação para com a ideia de liberdade").

Em documentos judiciais apresentados na semana passada, os advogados de Golb afirmam que os promotores estão tentando transformar o lugar comum em crime. Os dois lados no debate sobre os manuscritos, dizem, usam "fantoches" (identidades falsas) na internet, a fim de criar a impressão de que existem dezenas de pessoas debatendo alguma coisa.

"Esses blogueiros usam legiões de fantoches para travar combate intelectual com os fantoches supostamente criados por Raphael Golb e outros", os advogados escreveram. Não existem outras criaturas do reino animal que se comportem assim, ao menos não quando a questão não envolver alimento, acasalamento ou sobrevivência. E, como bônus, há também um elemento shakespeariano no caso.

O pai de Golb, Norman Golb, é um professor da Universidade de Chicago e crítico das alegações de que os Manuscritos do Mar Morto eram obra de uma seita conhecida como "essenos", que supostamente viviam perto das cavernas em que os documentos foram encontrados. Normal Golb sugeriu que os documentos na verdade eram produto de diversas bibliotecas de Jerusalém, e que foram escondidos na caverna quando a cidade caiu depois do sítio romano do ano 70.

Não é briga que atraia os fracos.

Golb assumiu a causa do pai com todo o vigor propiciado por múltiplas contas no Gmail. Quando detido, ele foi questionado pelos promotores sobre o uso do nome "Charles Gadda", que é um dos mais ferozes defensores das teorias de seu pai na web. Golb não respondeu de maneira direta.

"Eles alegavam que meu pai era responsável por aquilo, ou tinha me pedido que o fizesse", alegou Golb, de acordo com documentos judiciais. "Meu pai certamente jamais pediu que eu fizesse qualquer coisa de parecido". Mas ele admitiu que "Charles Gadda" estava se saindo bastante bem. "Você sabia que os artigos de Charles Gadda foram lidos por milhares de pessoas?", prosseguiu Golb. "Eu sei porque os li, e isso está afirmado lá".

A internet, claro, é tanto uma mina de ouro quanto uma pilha de detritos, na qual pessoas mentem sobre suas idades, capacidades, o mundo. Os promotores afirmam que, ao adotar todas essas falsas identidades, Golb queria tirar vantagem, e por isso cometeu roubo de identidade, fraude de identidade e assédio agravado. Mas os advogados de Golb alegam que não existe benefício tangível, e portanto não houve crime.

"Conquistar vantagem em um debate acadêmico sobre os Manuscritos do Mar Morto não é o tipo de benefício que a lei requer", disse Ronald Kuby, um dos advogados de defesa.

Mas, e os problemas que Golb aparentemente tentou causar a Lawrence Schiffman, diretor de estudos judaicos na Universidade de Nova York?. Alguém, usando a conta larryschiffman@gmail.com escreveu aos alunos de pós-graduação e ao diretor da faculdade de Schiffman, alertando para um artigo que sugeria que ele havia cometido plágio. Há dois fatos que talvez nem precisem ser mencionados: o artigo foi escrito sob um dos pseudônimos de Golb, e Schiffman não aceita as teorias de Golb pai.

A defesa alega que as mensagens de e-mail eram paródias transparentes, e que, de qualquer forma, danos à reputação são causa civil e não criminal. "Ele escreve cartas em meu nome nas quais admito terríveis violações", afirmou Schiffman na sexta-feira. "É isso que temos hoje na Internet?".

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