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09/11/2009 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Burlões usam diamantes falsos para enganar comerciantes

Por: Sónia Simões

A PSP diz que no último ano se têm registado vários casos. As "fenaquites", pedras falsas, acusam diamante nalguns instrumentos de teste.

São pedras, chamam-se "feniquites" e o seu aspecto transparente, brilhante com tons de amarelo, rosa ou roxo fazem-nas parecer verdadeiros diamantes. O próprio nome "feniquite" deriva da palavra grego phenakos , que significa mentiroso. E são de facto um engano que, segundo a PSP, tem servido de argumento a vários burlões que se fazem passar por vendedores de diamantes.

O último caso registou-se há uma semana em Cascais, com a detenção de dois homens portugueses, de 37 e 42 anos. Segundo a PSP, a dupla trazia um "saco de cor preta com 74 pedras incolores com formato e peso em tudo idênticos a diamantes". Mas que afinal eram fenaquites.

"Segundo consta, existe uma tentativa recente de introdução no mercado de pedras em tudo análogas a estas, de há cerca de um ano para esta data", acrescentou a polícia em comunicado.

Para o gemólogo Rui Galopim de Carvalho, só os mais incautos podem deixar-se levar por uma burla deste género. Apesar das semelhanças entre a fenaquite e o diamante "um entendido na matéria consegue ver as diferenças à lupa", diz. E será este o método mais fiável, defende. É que as canetas que qualquer um pode adquirir para testar se está perante um diamante testam apenas "a termocondutividade das pedras". Por isso acusam diamante quando sujeitas ao teste da fenaquite - um mineral com alto nível de termocondutividade, mas sem grau de dureza e, por isso, sem valor.

Usar estes materiais como se fossem diamantes não é novidade para o especialista. Num artigo que elaborou para uma revista britânica, Rui Galopim de Carvalho recorda um episódio ocorrido em inícios de 2008, quando dois angolanos andaram a tentar vender "pedras preciosas" nas joalharias da Baixa de Lisboa. Um comerciante com experiência na matéria analisou as pedras com uma lupa de 10x e facilmente percebeu não estar perante imitações. Temendo um frente-a-frente com os negociantes, disse não estar interessado e avisou as autoridades. A polícia não chegou a tempo de impedir que um negociante incauto caísse no engodo. Este testou as pedras com uma caneta, sem as analisar à lupa, e convicto de "uma grande oportunidade de negócio" perdeu vários milhares de euros, diz o gemólogo.

O perito britânico em gemologia, Thomas Hainschwang, relaciona o aumento das imitações dos diamantes com os novos "clientes" do mercado dos diamantes em bruto. Antes, os diamantes em bruto só eram acessíveis aos negociantes. "Nos últimos 50 anos, em países como Brasil, Rússia e alguns africanos, como a Serra Leoa, Guiné e Congo," têm disponibilizado esta pedra preciosa a pessoas não envolvidas no mercado dos diamantes em bruto - provocando assim um aumento de imitações.

Os chamados substitutos de diamantes são pedras bem trabalhadas com as formas típicas de cristais de diamante. Traços distintivos são o peso, indicando um material de menor densidade, com inclusões fluidas e planos de clivagem diferentes dos verdadeiros.

O DN tentou, desde terça-feira, falar com um responsável da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, que até ao fecho desta edição nunca se mostrou disponível para esclarecer pormenores sobre o contrabando de pedras preciosas em Portugal. Fonte da Direcção Nacional da PSP, por seu turno, afirma que os casos são isolados e que os números não justificam integrar a estatística das apreensões. O DN também tentou, sem sucesso, falar com a Direcção- -Geral das Alfândegas.

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