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08/11/2009 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Jornais ingleses destacam entrevista de 'falso Lula'


A série de entrevistas para rádios estrangeiras concedida por uma pessoa que se fazia passar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma fraude descoberta na semana passada, foi destaque neste domingo nos dois principais jornais britânicos.

A Secretaria de Imprensa e Porta-Voz da Presidência da República já solicitou investigação sobre o caso. Nas declarações do "falso Lula", feitas em português para a rádio SBS da Austrália, para uma emissora estatal do Timor Leste e uma rádio de Angola, o presidente fala em garantias de segurança para turistas que visitem o Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos de 2016 e até referências ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como "meu amigo escurinho".

O site do jornal The Guardian destacou o fato que um "Lula fraudador" se ofereceu para conceder uma entrevista por telefone para uma rádio angolana direto de uma favela do Rio de Janeiro. "Quando Lula entrou no ar dizendo que estava falando ao vivo e direto de uma das maiores favelas do Rio, eles deveriam ter se perguntado o que estava acontecendo", escreve o jornal, em referência ao fato que os jornalistas não desconfiaram da fraude.

"E quando o som de tiros de metralhadora passou a interferir na ligação, eles deveriam certamente ter desconfiado. Mas não o fizeram", continua o repórter Tom Phillips, correspondente do jornal no Rio.

A reportagem também cita algumas das declarações do falso presidente para esta rádio angolana, como sobre a violência no Rio ("o Rio é um dos lugares mais calmos do mundo, nem as pessoas da Faixa de Gaza iriam acreditar"), ou sobre os macacos nas árvores, ("em qualquer lugar da cidade onde há um problema sempre há um macaco em uma árvore olhando para baixo").

Já o jornal Telegraph, em matéria assinada pelo correspondente de Sydney, destaca o fato que o falso presidente concedeu entrevistas para veículos do Timor Leste e de Angola e somente na Austrália que os jornalistas desconfiaram da fraude. "A brincadeira rodou o mundo despercebida", começa o texto, que destaca que a produtora executiva da rádio SBS foi a primeira a fazer uma reclamação oficial ao governo brasileiro, desconfiada da baixa qualidade da linha telefônica utilizada pelo presidente para conceder a entrevista.

O texto do Telegraph também recorda que há algumas semanas atrás vários jornais australianos foram vítimas de outra notícia falsa, sobre uma pesquisa sobre os moradores de Sydney, produzida por um programa de TV adolescente que queria provar como era fácil divulgar informações falsas para a imprensa. A pesquisa foi publicada por vários veículos, entre os mais importantes da Austrália.

Na semana passada, várias emissoras que mantêm programas em língua portuguesa no exterior receberam um e-mail, assinado por Caio Martins, que afirma ser assessor da presidência, lotado na secretaria de imprensa do governo. Nele, o suposto funcionário oferece uma entrevista individual com o presidente Lula.

As investigações do governo devem verificar se as entrevistas consistiram apenas em um trote isolado ou se têm sido repetidas em diversos países.

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Comentários


Autor e data do comentário: Caio Venâncio Martins - 09/11/2009 19:04

Essa patuscada tem de ser investigada e, os “engraçadinhos, devidamente punidos. Assino “Caio Martins” em minha coluna política do site Vote Brasil, e nos blogues de literatura que mantenho. Imagine então a minha surpresa ao ler o nome do “assessor” que agendava a fraude. Não há como não indignar-se.
Primeiro, por acreditar em ética profissional até no humorismo. Segundo, pela irresponsabilidade de envolver nome de muitas pessoas íntegras (há muitos “caios martins” neste país e fora dele), configurando de um lado falsidade ideológica e, de outro, danos morais.
Em minhas colunas no Vote Brasil questiono o Presidente com severidade, mas respeitando a dignidade da pessoa atrás da faixa.
A atitude Metropolitana FM é lamentável, principalmente por envolver nomes legítimos em suas presepadas. Isso é fraude. Isso é crime.



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