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03/11/2009 - Correio Braziliense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Mostra exibe as obras-primas do falso documentário, revelando os limites tênues entre ficção e realidade

Por: Yale Gontijo


Uma importante observação merece ser feita sobre a mostra de falsos documentários F de Falso — Nem tudo é verdade, exibida na Caixa Cultural, de hoje a domingo. Obviamente, ela não se refere à veracidade do conteúdo do que será exibido. "Um falso documentário é aquele que parece um documentário, mas trabalha com personagens inventados e situações fictícias", explica o curador Marcos Kurtinaitis. Programada em um período inglório, na mesma data em que se realiza o Festival Internacional de Brasília (Fic Brasília), a mostra será exibida unicamente em Brasília e apresentará clássicos da dissimulação e exemplares de picaretagem cinematográfica de marca maior.

"O ponto mais interessante da coisa é justamente perceber que muito do que a gente compra como verdade em documentários ou reportagens reais também são um pouco falsos e que a ficção também tem um pouco de verdade. Isto nos leva a criticar a forma como consumimos os produtos midiáticos", alerta Kurtinaitis. É com um sorriso de ironia que as produções fakes nos reapresentam o mundo. O marco da comunicação deliberadamente falsa é a lendária transmissão radiofônica do texto H.G Wells, A guerra dos mundos, em 1938, feita em formato de noticiário pelo então desconhecido ator Orson Welles.

A narrativa de uma invasão marciana no planeta Terra desesperou boa parte dos moradores de uma cidadezinha norte-americana. Cinquenta anos depois, já como diretor consagrado, Welles encerrou a carreira construindo um testemunho sobre a alma imortal dos artistas. Em Verdades e mentiras, o espectador é conduzido por uma labirinto de espelhos onde o conceito de autenticidade na arte é discutido por meio da história do húngaro Elmyr de Hory, auto declarado o melhor falsificador de arte pictórica do século 20. A obra-prima de Welles será exibida hoje na abertura da mostra.

Também haverá a exibição do brasileiro Procura-se, de Rica Saito. Na narrativa em estilo "boneca russa" é revelada a história secreta do músico visceral Mário da Rocha durante os anos 1960, totalmente apagada nos dias atuais. Durante a pesquisa para a composição de Rocha, a equipe se deparou com a história real de um músico paulista que foi utilizado como combustível para a produção. "Ele é um produto híbrido. Tanto pode ser interpretado que Rocha existiu como não. Em uma palestra, uma professora de física comparou o filme com a teoria das lógicas paraconsistentes, criada pelo físico e matemático brasileiro Newton da Costa", narra Saito.

Pela teoria de Da Costa, "duas verdades ou duas afirmações contraditórias não implicam na trivialidade do sistema". Em termos shakespearianos não quer dizer nada mais do que "a passagem do ‘ser ou não ser’ para ‘o ser e não ser’", explica o diretor. "A intenção era desmistificar um pouco essa geração, a dos meus pais", explica o cineasta. A fita foi selecionada de verdade para a mostra Vidas Brasileiras do Festival de documentários verdadeiros É tudo verdade do ano passado.

Curiosidades sobre as produções fakes

» O relato do jovem desempregado de O diário de David Holzman utiliza técnicas do cinema verdade. A película foi dirigida em 1967 por Jim McBride e é considerado o primeiro falso documentário da história. O filme ganhou reconhecimento pelo pioneirismo da experimentação sendo incluído no acervo da Library of Congress dos Estados Unidos.

» Uma das vertentes dos falsos documentários são as sátiras chamadas em inglês de Mockumentary. A palavra é formada pela junção mock (gozação, piada, em inglês) e (documentary) documentário. A banda de heavy metal inglesa Spinal Tap ainda nem existia quando os bastidores de uma turnê de retorno triunfal foram revelados nos cinemas com o lançamento do hilariante Isto é Spinal Tap, em 1984. O resultado foi tão convincente o grupo formado por atores lançou um álbum autêntico.

» O cinema de fundo falso é uma arma para os mais chegados a teorias conspiratórias. Lançado em 2002, o francês Operação Lua coloca em xeque um dos marcos da guerra fria entre americanos e soviéticos. Segundo a produção, a chegada do primeiro homem ao satélite natural da Terra foi inteiramente forjada pelo governo norte-americano. A famosa transmissão dos primeiros passos do astronauta Neil Armstrong foi filmada em estúdio e dirigida por Stanley Kubrick. Há gente que até hoje acredite na produção.

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