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22/10/2009 - Correio de Uberlândia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Polícia Federal investiga falsa médica

Por: Rick Paranhos e Priscila Mello

Genoveva de Oliveira Miranda trabalhou sem registro em UAIs.

Genoveva de Oliveira Miranda, uma técnica em saúde bucal, de 28 anos, se passou por médica e trabalhou sem registro durante cinco dias no setor de Pronto-atendimento da Unidade de Atendimento Integrada (UAI) do bairro São Jorge, em Uberlândia. Segundo levantamento prévio da direção da unidade, a mulher teria atendido cerca de 50 pacientes no período e pedido demissão diante da insistência para que apresentasse os documentos para formalizar a contratação.

Dois dias depois, a falsa médica pediu emprego na UAI Planalto e foi autorizada pela coordenação da unidade a trabalhar no sábado passado avaliando outros cinco doentes que estavam internados. Nos dois casos, os diretores das UAIs não checaram as informações sobre Genoveva Miranda nos Conselhos Regional e Federal de Medicina.

A farsa só foi descoberta porque um médico teria desconfiado e alertado a coordenação da UAI Planalto, que reavaliou os prontuários dos pacientes e percebeu que Genoveva havia repetido as informações médicas dos dias anteriores anotadas por outros profissionais.

No mês passado Genoveva Miranda havia procurado a Secretaria Municipal de Saúde e solicitado ao coordenador da rede, Adenilson Lima, uma vaga no quadro de funcionários do setor, porém, como dentista. Na época, ela apresentou diploma de formação na Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp) e currículo em que afirmava ser especialista em cirurgia de cabeça, pescoço, face e mandíbula. E, ainda, que já havia trabalhado em hospitais de municípios de Goiás e São Paulo. No entanto, como não apresentou certificado de especialização, o coordenador se recusou a contratá-la.

A reportagem do CORREIO apurou que no mesmo período a falsa médica teria visitado os hospitais e clínicas particulares à procura de trabalho e teria assistido a várias cirurgias realizadas nas unidades.

Processo apura prática ilegal de odontologia

O caso foi denunciado à Polícia Federal, que já instaurou inquérito para investigar o caso. Esta não é a primeira vez que Genoveva Miranda tenta se passar por uma profissional da área de saúde. Embora possua curso técnico em higiene bucal, ela responde a um processo na Justiça por prática ilegal da odontologia.

O crime, conforme o delegado federal José Pacífico Martins Ferreira, foi denunciado no fim do ano passado por vários pacientes que procuraram a delegacia relatando sequelas em decorrência de problemas de saúde bucal resultantes de procedimentos errados realizados por Genoveva Miranda, que na época trabalhava como dentista, mesmo não tendo concluído a faculdade. “O processo aguarda julgamento”, afirmou.

Genoveva Miranda tem ainda outros nove processos na Justiça por execução de títulos extrajudicial. Em relação à nova denúncia, de acordo com Pacífico Martins, Genoveva Miranda deve ser indiciada por quatro crimes. “Falsidade ideológica, por fornecer informações falsas no currículo; falsificação de documento público, no caso, o diploma da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas, São Paulo]; uso de documento falso; e exercício ilegal da medicina”, afirmou.

Como o primeiro processo ainda não foi julgado, a falsa médica deve responder aos supostos crimes em liberdade. “E se for condenada pode pegar até 15 anos de prisão”, disse. Ainda de acordo com o delegado, o advogado Victor Hugo, que representa Genoveva Miranda, deve marcar uma data ainda nesta semana para que ela se apresente à polícia.

Cabeleireira alega ter perdido dentes

A cabeleireira Liliane Caixeta Magalhães, 28 anos, ainda guarda sequelas na boca, após 18 meses, resultantes dos erros supostamente cometidos por Genoveva Miranda quando a mesma atuava como dentista. “Eu perdi dois dentes, porque ela fez um tratamento de canal sem saber o que estava fazendo e depois ainda tive que enfrentar a dor para fazer a extração”, afirmou a cabeleireira, que teria gasto R$ 1,6 mil com o tratamento.

O marido de Liliane Magalhães, segundo ela, também passou por momentos difíceis no consultório para substituir obturações e clarear os dentes. “Ele nunca havia reclamado de dor e depois do tratamento até hoje se queixa de dores”, disse.

Na lista de vítimas da falsa dentista constam ainda duas crianças de 5 anos e 7 anos que até hoje, segundo o avô que prefere não ser identificado, carregam trauma do procedimento feito por Genoveva. “Ela cortou a gengiva da minha neta para desobstruir um dente que estava nascendo e, o que é pior, sem anestesia porque ela não conseguiu fazer a aplicação e minha neta chorava muito”, disse. “O meu neto também sofreu muito com um tratamento de canal e só não perdeu o dente porque, depois de três dias de muitas dores, eu o levei para outra dentista. Agora eu quero que ela pague por tudo que fez”, afirmou.

A apresentadora de televisão Luciana Barbosa, 37 anos, também foi vítima e afirma que teve o quadro de saúde agravado em decorrência do tratamento malfeito por Genoveva. “Eu tenho lúpus e tive complicações resultantes de vários procedimentos errados que ela fez e fiquei quatro dias de cama; ela lesionou um nervo da minha língua, foi um horror”, afirmou. O tratamento custaria R$ 7,5 mil e Luciana só não foi mais prejudicada porque cancelou os cheques pré-datados repassados à falsa dentista.

Atendimento feito em vários consultórios

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, Genoveva Miranda cursou três semestres da faculdade de odontologia em uma faculdade particular de Uberlândia. Depois teria trabalhado como assistente no consultório do marido no bairro Aparecida, na região Central de Uberlândia. Alguns meses depois, eles se separaram e ela teria passado a atender em vários consultórios da cidade.

“Às vezes, ela sublocava de outro dentista ou alugava uma sala e montava seu próprio consultório. Ela afirmou ainda que, como tinha adquirido conhecimento no período em que esteve na faculdade e a prática com o marido, continuou trabalhando sozinha como dentista”, disse o delegado federal José Pacífico.

Procurado pela reportagem, o ex-marido negou que Genoveva Miranda tenha atendido sozinha em seu consultório. “Ela era apenas minha assistente e eu estou chocado com tudo isso que veio à tona hoje [ontem]”, disse. No entanto, vários pacientes afirmaram que começaram o atendimento no consultório do ex-marido, mas era Genoveva que fazia os procedimentos.

Coordenador de UAI “fez teste com médica”

O coordenador da rede municipal de Saúde, Adenilson Lima, informou ao CORREIO que, embora os coordenadores das UAIs tenham a liberdade de entrevistar os médicos que procuram as unidades em busca de trabalho, a contratação do profissional só pode ser feita pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “O procedimento exige avaliação de saúde, apresentação de documentos que comprovem a titulação dos médicos, certificados de especialização, além de entrevista com o setor de Recursos Humanos”, disse.

Quanto à falsa médica ter trabalhado por algumas horas no sábado passado na UAI Planalto, Adenilson disse que o coordenador da UAI “fez um teste com a médica pedindo que ela avaliasse os pacientes internados” e que, diante das falhas verificadas, comunicou à SMS, que denunciou o caso a Polícia Federal.

Lima afirmou ainda que foi aberto um procedimento administrativo para avaliar a conduta do coordenador da UAI Planalto que fez o teste sem a autorização prévia. Quanto aos plantões realizados pela falsa médica na UAI São Jorge, Adenilson Lima disse que, embora seja subordinada à SMS, a direção da unidade que é administrada pela ONG Missão Sal da Terra tem autonomia para contratar e demitir os médicos que lá trabalham. “Eles são responsáveis pelos erros que a suposta médica tenha cometido”, afirmou.

O coordenador da UAI São Jorge, Luiz Antônio Oliveira, reconhece o erro de ter contratado Genoveva Miranda sem verificar as informações da profissional no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM/MG) ou de São Paulo (CRM/SP). A maioria dos médicos é contratada por meio de indicação de um médico que trabalha conosco ou de algum ligado a nós. Realmente foi um erro, assumimos a culpa e a partir de hoje vamos checar as informações no CRM para todas as contratações”, disse Luiz Antônio.

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