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20/01/2006 - Jornal de Piracicaba Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Política e corrupção

Por: Paulo Pereira da Costa


Corrupção. Abro o minidicionário do Aurélio, meu Sancho Pança, e vejo: “1- Ato ou efeito de corromper; decomposição. 2- Devassidão, depravação. 3- Suborno, peita”. A primeira definição remete mais ao efeito da morte de seres animais ou vegetais. Mortos, deterioram-se, apodrecem. Mas não é, obviamente, isso que vem à mente quando falamos em corrupção no cotidiano, notadamente quando o assunto é política, área em que tem maior incidência. Muita gente diz que toda a área política é corrupta. O pensador E. Mounier dizia que o poder atrai os corrompidos e corrompe os que atrai. Segundo Lord Acton, “o poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente”. Portanto, no uso mais corrente, corrupção é desonestidade, improbidade, ausência de ética. Lembra podridão, deterioração, decomposição, mas da alma, com o corpo humano vivo.
Várias são as formas de corrupção, dentre as quais o recebimento de suborno para deixar de aplicar a lei, como omitir autuação e multa a sonegadores de tributos, receber comissão, porcentagem, em obras cuja licitação foi dirigida a determinada empresa, em verbas liberadas para construção de bens ou realização de serviços públicos, dividir ganhos em obras ou serviços superfaturados, praticar apropriação ou furto de valores pertencentes ao erário.
A corrupção é o mal maior da nação. É a nossa danação, nossa expiação. É tanta que pode ser produto de exportação. Possuímo-la nas mais diversas maneiras. Em profusão. É tamanha, é tanto o que consome, que neste país de extensão continental e muito solo fértil pessoas passam fome, enquanto outras mandam dinheiro para paraíso fiscal, em quantidade tal que não gastariam nem vivendo mais de uma geração. A riqueza está concentrada nas mãos de poucos, que têm demais enquanto muitos nada têm. É normal? Claro que não. Por isso há tanta desigualdade social, tanta incivilidade, indigência, tanta criminalidade, violência. O efeito da corrupção é nefasto: enriquecimento ilícito dos corruptos e prejuízos de toda ordem aos destinatários dos bens e/ou serviços públicos que os valores desviados deveriam proporcionar.
É necessário mudar radicalmente. Política de verdade é para homens de bem, gente decente, que quer servir ao povo em vez de servir-se dele. Para melhorar a política, que hoje está associada à corrupção, que lembra fraude, falta de ética, é necessário mudar os políticos, cuja classe é a mais desacreditada do país. Não vejo meio de mudar o atual estado de coisas com os mesmos políticos que aí estão. Não penso que todo político é corrupto. Conheço muitos que não apresentam o perfil de quem se vende, embora as aparências enganem. Suponho que sejam honestos. Em termos. São honestos porque não se corrompem. Mas nem todos esses aparentemente decentes são briosos o bastante para lutar contra o sistema corrupto que sabem existir. No fundo são coniventes. Não representam ninguém além de si próprios. Fazem apenas o conveniente para manter o “emprego”, que por si só já é muito bem remunerado e cheio de regalias. Só que probidade pela metade não resolve; é como meia verdade. Prostitutas têm mais valor do que políticos corruptos. Elas vendem o corpo. Eles, a alma.
É preciso ter força de caráter. A verdadeira estrutura, a base, o alicerce, da pessoa não são as pernas: é a alma. Se princípios morais rígidos, nobreza de espírito, são básicos para qualquer pessoa, mais ainda para quem se dispõe a administrar a coisa pública, a fazer leis, a fiscalizar a aplicação da receita dos tributos. Político probo não ‘dança conforme a música’, não é leniente com o roubo descarado ao erário; tem o espírito voltado para o altruísmo, luta para dar vida digna a todos os cidadãos, conforme preceitua a Constituição Federal.
Seria bom se os políticos soubessem distinguir campanha de trabalho. O presidente da República está gastando rios de dinheiro com propaganda e andando Brasil afora em descarada campanha política, tentando recuperar a credibilidade perdida. Sem mais espaço, volto ao tema em outra ocasião, não sem antes citar Cazuza: “Brasil, mostra a sua cara/ Quero ver quem paga pra gente ficar assim/ Brasil, qual é o seu negócio?/ O nome do seu sócio?/ Confia em mim”.

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