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20/01/2006 - Revista Bula Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A ideóloga do mensalão

Por: José Maria e Silva


Definitivamente, Marilena Chauí é o Marcelo Caron da filosofia. A única diferença que separa a filósofa uspiana do cirurgião plástico é que Marcelo Caron matava corpos no ato de moldá-los, enquanto Marilena Chauí mutila espíritos fingindo que os educa. Talvez o crime da professora seja até mais grave. Enquanto as vítimas de Caron foram levadas até ele voluntariamente, movidas pela vaidade de se verem bonitas, as vítimas de Marilena são guiadas até ela compulsoriamente, tangidas pela necessidade de terem um diploma. Muitas vítimas de Caron poderiam ficar livres do seu bisturi assassino apenas com dietas e caminhadas. Mas que aluno pode-se livrar do filosofismo panfletário de Marilena, que é obrigatório no ensino secundário e nas faculdades de todo o país? Eu mesmo tive a minha dieta de Chauí nas escolas em que passei. Se houvesse um Conselho Federal do Magistério com seu respectivo Código de Ética, a filósofa Marilena Chauí deveria ter o mesmo destino do médico Marcelo Caron — o seu registro profissional tinha de ser cassado e ela tinha de ser impedida de lecionar.

Apesar de ter publicado A Nervura do Real, um calhamaço de mais de 1.200 páginas sobre Espinosa, a rigor, Marilena Chauí não pode ser considerada nem professora nem filósofa — é uma pensatriz. Ela não pensa — encena o pensamento. Se na mais recente edição do seu Convite à Filosofia ela não tivesse trocado os clássicos da língua pelos bárbaros do rap, poderia parodiar Fernando Pessoa ao refletir sobre si mesma. Porque Marilena Chauí é uma fingidora. Finge com tal desfaçatez que chega a fingir que é petismo o petismo a que se reduz. Na revista Caros Amigos (edição de novembro), ela simula que está emprestando sua inteligência à defesa crítica do PT, quando, na verdade, limita-se a repetir a algaravia dos militantes do partido, até com mais obtusidade do que eles próprios. São oito páginas de entrevista, em que os entrevistadores (Natália Viana, Marilene Felinto, Bernadette Abrão, Marina Amaral, Hamilton Octávio de Souza, José Arbex Jr., Wagner Nabuco e Renato Pompeu) não ousam questionar a entrevistada, deixando que ela gaste todo esse generoso espaço para tentar provar o impossível — que “a crise é produto da mídia” (manchete de capa da entrevista) e que “por trás da crise está a luta de classes” (título interno da algaravia).

A entrevista é insuportável. Lê-la, só mesmo por dever de ofício. Marilena Chauí mente o tempo todo e, por saber que está mentindo, faz-se prolixa para esconder a mentira. E dizer que ela mente não é desrespeitá-la, pelo contrário — se não estiver mentindo, então é mentalmente incapaz. Nem um estudante secundarista de grêmio livre teria a coragem de fazer uma defesa tão pueril do PT como essa que ela faz em Caros Amigos. Daí a absoluta necessidade que tem de se mostrar uma contorcionista das palavras, desdizendo-se a cada frase, de tal maneira que não sobrem rastros de suas contradições. Na entrevista, ela exercita a mesma “lógica da mistificação”, denunciada pelo filósofo Olavo de Carvalho há mais de seis anos, num artigo recusado pela Folha de S. Paulo e pela revista Bravo!. Intitulado “A Lógica da Mistificação ou O Chicote da Tiazinha”, esse artigo faz uma crítica demolidora do opúsculo O Que É Ideologia, a obra mais conhecida de Marilena Chauí, com dezenas de edições e adotada fartamente no ensino médio e nas faculdades de humanas. O artigo de Olavo de Carvalho — irrefutável — desmoraliza toda a trajetória acadêmica da pensatriz uspiana, verdadeira erva daninha da inteligência nacional.

Uma vez que não tinha argumentos filosóficos para se contrapor à crítica de Olavo de Carvalho, Marilena Chauí deveria ter ao menos compostura intelectual para não reincidir nos mesmos erros denunciados por ele. Mas a entrevista que concedeu à revista Caros Amigos mostra que ela não se preocupa, verdadeiramente, com o conhecimento, a educação, a ciência — seu negócio é a política, a doutrinação, a militância. Não existe lógica no pensamento da filósofa uspiana. Ela se contradiz a cada frase, a começar pela tentativa de dizer que foi apanhada de surpresa pela crise política, alegando ter ficado “desligada do mundo do dia 24 de fevereiro até quase o final do mês de maio”. Na carta que escreveu aos estudantes da USP, tão logo saiu do seu suposto silêncio, ela havia atribuído seu desligamento do mundo à doença da mãe. Todavia, a não ser que uma pessoa se refugie numa montanha, feito um eremita, é impossível se desligar totalmente dos meios de comunicação. Nos supermercados, nas lanchonetes, nas rodoviárias, nos aeroportos, nos restaurantes, até mesmo dentro dos hospitais, as televisões estão ubiquamente ligadas e é absolutamente impossível — repito: absolutamente impossível — que Marilena Chauí não tenha tomado conhecimento da crise mesmo no leito da mãe enferma. E, no caso de uma pessoa com sua formação e círculo de amizades, bastam algumas informações soltas para que ela deduza o resto da história. Uma filósofa que se diz “completamente atordoada” com a repetitiva corrupção política do país não tem autoridade cognitiva para se arvorar a especialista num filósofo tão complexo quanto Espinosa. Ou Marilena Chauí mente ao dizer-se “completamente atordoada” com simples notícias de jornal ou suas teses sobre Espinosa não passam de mais um embuste. Não há meio-termo.

Aliás, ela própria oferece o desmentido à sua afirmação de que esteve desligada do mundo quando a crise eclodiu. Próximo do final da entrevista, comentando uma matéria de Caros Amigos sobre a imprensa, que também a “apavorou”, ela se trai: “Mas é preciso explicar melhor porque fiquei tão apavorada com a matéria de Caros Amigos. Durante a atual crise, quem acompanha o noticiário todos os dias e toda semana, talvez não se dê conta — eu só pude me dar conta porque, como expliquei antes, fui tomar contato com a situação em final de junho, começo de julho. Meu marido tinha guardado para mim os jornais e eu passei dois ou três dias só lendo sobre essa situação”. Ora, o que Marilena explicara antes é que, “do dia 24 de fevereiro até quase final do mês de maio”, ficara desligada do mundo. Ou seja, do começo para o fim de uma mesma entrevista, ela erra uma data crucial com uma diferença de mais de um mês. Esse erro não é admissível, porque o seu silêncio virou polêmica nos principais círculos intelectuais do país, a começar pela grande imprensa. Se estivesse dizendo a verdade, dificilmente Marilena Chauí erraria uma data tão importante para o momento em que vive. Ainda mais que esta entrevista a Caros Amigos não foi feita de afogadilho — ela teve tempo de meditar sobre o que iria dizer.

Mas não param aí as contradições flagrantes da filósofa. No mesmo primeiro parágrafo em que se diz atordoada, Marilena Chauí se desmente. Diz a filósofa: “Eu tinha três sentimentos: o primeiro era que a notícia não me dava o começo de alguma coisa e o final do que estava sendo noticiado. Ou seja, eu não sabia de onde aquilo estava vindo e para onde ia”. O segundo sentimento de perplexidade se devia ao fato, segundo ela, de que os jornais desmentiam-se a si mesmos de um dia para o outro. Outra mentira, porque os jornais não tinham culpa se Delúbios e Marcos Valérios mudavam suas versões dos fatos todos os dias. “E a terceira [coisa] é que a minha perplexidade foi diferente da perplexidade dos meus companheiros petistas e mesmo de eleitores do PT, porque a perplexidade geral era: ‘Como o PT pode ser corrupto? Como o governo pode ser corrupto’. E a minha perplexidade não era essa, era: ‘Como o governo e o partido não percebem a forma que a luta de classes tomou e são incapazes de uma resposta verdadeiramente política ao que está acontecendo’. Ou seja, a minha perplexidade veio do que considero a despolitização da resposta partidária e governamental à crise que estava posta”. Afinal, como é que Marilena Chauí pôde ter um entendimento mais arguto da crise do que os demais petistas que acompanhavam e até protagonizavam os fatos se ela própria tinha dito que a crise a deixara completamente atordoada? Ou, aprioristicamente, ela considera o PT infenso à corrupção, de tal modo que, mesmo sem compreender nada, ela podia sair proclamando: “Corrupção no PT? Jamais!?”

Ainda neste mesmo início de conversa, a própria Marilena Chauí se desqualifica moralmente. Ela diz que, para não repetir o que todo mundo falava a respeito da crise, optou pelo silêncio. Mas ressalva: “Isso não me eximiu de falar em muito lugar; formaram-se grupos de discussão. Pertenço a um grupo de discussão...”. “Grupos de discussão do PT?”, pergunta um dos entrevistadores. E ela responde laconicamente: “É. Mas não me sentia em condições de oferecer uma reflexão e me mantive em silêncio”. Os contribuintes brasileiros que financiaram os estudos de Marilena Chauí — do antigo primário à pós-graduação em Paris — tinham o direito de saber o que ela pensava da crise e não só os militantes petistas com os quais ela se fechou em reuniões esotéricas até se sentir em condições de se pronunciar. Claro que a filósofa é livre para fazer suas opções políticas, mas seu nível de engajamento é tanto que compromete sua condição de filósofa e, sobretudo, de professora de uma universidade pública. Que isenção se pode esperar de uma intelectual dessas diante do conhecimento se ela assumidamente se comporta como intelectual orgânica do PT?

Chauí é tão confusa que, logo depois de se confessar “completamente atordoada” com a crise, ela diz que a crise não a pegou “desprevenida”, porque, “desde o dia 1º de janeiro de 2003”, ela acordava esperando o impeachment do presidente Lula. Isso porque se considera “uma das poucas marxistas que acreditam que a classe dominante opera e que ela não vai entregar o país e o poder à esquerda”. E reitera: “Eu diria que se me surpreendi foi com a demora. Demorou a vir a famosa crise. Então, ela não me pegou desprevenida, mas apareceu de uma maneira que me impedia de pronunciar”. Claro, se a crise tivesse sido deflagrada por desapropriações de terra promovidas por Lula, Marilena Chauí iria se pronunciar em defesa do governo no mesmo dia. Mas como a crise veio em forma de corrupção, e corrupção generalizada, envolvendo todo o alto clero petista, só lhe restou recolher-se ao silêncio; não o silêncio envergonhado, porque a arrogante Marilena não sabe o que é vergonha, mas o silêncio astucioso, que prepara o bote da retórica, por mais inverossímil que ele se mostre. Aliás, se Marilena já esperava um golpe mesmo quando Lula se mantinha, ao mesmo tempo, nos braços do povo e no colo das elites, por que ela não se aterrorizou com o primeiro grande escândalo do governo, que resultou na demissão de Waldomiro Diniz? É óbvio que uma pessoa que se mostrava tão apreensiva com o futuro do governo Lula não poderia ter apagado da memória aquela grave crise, que quase derruba José Dirceu. Vê-se que nada do que Marilena diz nesta entrevista a Caros Amigos é sério. Ela mente apenas.

Sempre anunciando um suposto método em sua análise, Marilena Chauí tenta dar consistência científica à sua entrevista, que se pauta por duas premissas: a) a atual crise política foi produzida pela mídia; b) por trás dela está a luta de classes. Chauí diz que o discurso da oposição se caracteriza pelo “tudo igual”, “a corrupção jamais vista” e “o governo Lula acabou”. As características são enumeradas assim mesmo, numa fala canhestra, indigna de alguém que se diz filósofa. “A finalidade desse discurso, dirigido preferencialmente à classe média, é neutralizar o conflito de classes”, observa. Mas não explica porque um discurso que tende a frear a luta de classes deveria ser dirigido logo à consumista classe média do capitalismo atual, como se ela estivesse prestes a deflagrar uma revolução socialista no país. Mesmo durante o regime militar, quando forneceu quase todos os quadros das guerrilhas urbanas e rurais (daí o fracasso da luta armada), a classe média nunca apoiou a luta de classes. Pelo contrário, foi a classe média que, seguindo a Igreja Católica, liderou a Marcha com Deus pela Família e a Propriedade, pedindo o golpe que derrubou João Goulart e iniciando a Revolução de 1964. O que mais tarde a classe média apoiou foi a abertura política, que nada tinha a ver com luta de classes e, sim, com liberdades democráticas, típicas de regimes capitalistas, liberais.

Esquecida de sua polêmica com o filósofo José Arthur Giannotti durante o governo Fernando Henrique, Marilena Chauí sustenta que, nas críticas ao governo Lula, há uma confusão entre a moralidade privada e a moralidade pública: “Essa avaliação moral nos levaria a uma tendência moralizante e nos colocaria à distancia da modernidade. Porque, na concepção pré-moderna, você avalia o governante a partir de uma lista de virtudes e conferindo se ele tem essas virtudes que são da ordem privada. Na concepção pós-moderna, despolitizada, você avalia o governante em função das características que o marketing político propõe. Se ele é bonito ou feio, se as preferências sexuais dele são interessantes ou não, quais são as preferências culinárias, se ele é jovem, se é velho, se pratica adultério, se bebe cerveja, se gosta de pinga — você faz a avaliação a partir de um estereótipo da vida privada também. Nos dois casos, você perde aquilo que a modernidade criou, que é a avaliação da qualidade das instituições republicanas e, portanto, que a moralidade é uma moralidade pública e ela é que você tem que avaliar”. Sem perceber, Marilena Chauí — que agora está no governo — caminha para a mesmíssima defesa que o filósofo José Arthur Giannotti fazia da “ética da responsabilidade” na esfera pública, contra a “ética da convicção”, para justificar os erros do governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, Chauí considerava uma amoralidade a “ética da responsabilidade” preconizada por Giannotti.

Essa divisão que Marilena Chauí faz entre moral pré-moderna, moderna e pós-moderna, tomando partido da modernidade, pode ser útil para a superficialidade da ciência política, que trabalha com o efêmero e precisa ser instrumental, mas, para um filósofo, que tem sempre de pensar sub specie æternitatis, trata-se de uma diferenciação muito canhestra. A fronteira entre moral pública e privada é muito tênue e, portanto, complexa para ser resumida de modo tão objetivo. Nem mesmo a divisão weberiana entre “ética da convicção” e “ética da responsabilidade” é satisfatória para descrever todas as tensões que permeiam a confluência entre público e privado, que dirá essa divisão enunciada por Chauí, ela mesma de feitio pós-moderno, ainda que em defesa da modernidade. A começar porque a moral da modernidade não é outra coisa senão a face pública da chamada “moral burguesa”, violentamente condenada por marxistas como Marilena Chauí, que até escreveu um livro intitulado Repressão Sexual. E o movimento feminista, que surge na modernidade, busca exatamente na moral da vida privada (o que para Chauí seria uma atitude pré-moderna) a condenação eleitoral do político adúltero, machista, violento, mas que, paradoxalmente “moderno”, tenta separar os benefícios públicos que leva à população daqueles vícios privados com que oprime suas mulheres (esposa e amantes). François Miterrand tinha amantes e era um político moderno. Luiz Carlos Prestes era pré-moderno, mas não hesitou em separar a moral pública da moral privada (como quer Chauí), apoiando Getúlio Vargas, o ditador que mandou Olga Benário, mãe de sua filha Anita Leocádia Prestes, para as câmaras de gás do nazismo.

Toda essa arenga de Marilena Chauí tem o objetivo de tentar levar seus leitores à seguinte conclusão: “Uma análise da crise nos mostra que, primeiro, a crise não é a corrupção. Não é que não há corrupção, é óbvio que há, mas se a causa da crise fosse a corrupção, os seus promotores estariam preocupados com a moralização dos costumes públicos e, neste caso, os arautos e vestais da República não poderiam ser exatamente aqueles sobre os quais pesam graves denúncias de corrupção. Se fosse a corrupção, todos os parlamentares, sem nenhuma exceção, deveriam ter aberto suas contas e suas prestações eleitorais e de campanha para a sociedade”. Ora, por acaso os parlamentares do PT abriram suas contas durante o governo Fernando Collor, quando lutaram com unhas e dentes pelo impedimento do presidente da República? Na época, Waldomiro Diniz já era um operador do então deputado José Dirceu e, pouco depois, em março de 1995, o economista Paulo de Tarso Venceslau, um dos fundadores do PT, denunciaria irregularidades em prefeituras petistas, envolvendo um compadre de Lula. Quer dizer, o PT já não era tão santo no passado para poder acatar, sem problema, a recomendação de absoluta transparência preconizada por sua intelectual orgânica.

Na seqüência de sua análise, Marilena Chauí diz que a crise é “institucional”, decorrente da “ausência de reformas do Estado”, e, no mesmo parágrafo, desdiz: “Finalmente, acho que se evidencia que não é crise nenhuma. Trata-se da luta de classes ao vivo e em cores, para ninguém botar defeito”. Sua tese é tão fantasiosa que ela própria tem de reconhecer que nem mesmo os petistas acreditam nela: “Infelizmente, nem o governo nem o PT, a não ser algumas vozes muito isoladas, foram capazes de perceber isso. Vi que o governo, os parlamentares, os dirigentes políticos se sentiram encurralados, completamente incapazes de responder à altura a um ataque de classes. E esse, sim, jamais foi visto no país. As respostas demoraram a vir e, quando vieram, foram decepcionantes, moralistas, envergonhadas, mea-culpa...”. Será que Marilena Chauí queria que Sílvio Pereira, o secretário-geral do PT, pilotando a sua Land Rover, liderasse uma marcha dos sem-terra para expropriar os grandes bancos, que cobrem de elogios o governo de seu chefe, fazendo coro ao FMI? Por incrível que pareça, era isso o que ela queria. Não exatamente com Silvio Pereira, mas com o presidente Lula na liderança — o que não melhoraria em nada a legitimidade da luta de classes de Marilena, porque ela não seria pilotada a partir da Land Rover, mas do luxuoso Aerolula. Parece que Delúbios e Sílvios ainda coram. Marilena, não.

No seu entender, o problema do PT não é a corrupção, mas a opção política. O partido foi compelido a usar as práticas dos partidos tradicionais ao decidir-se pela via partidária para chegar ao poder. Ela diz: “A primeira característica desse governo é a despolitização. Ele não é um governo de esquerda. Não assumiu a perspectiva da luta de classes. Portanto, não assumiu a necessidade de ter como prioridade todas as políticas que estão montadas para os direitos e interesses das classes trabalhadoras e das camadas populares”. Ora, como é que a mesma Marilena que acreditava paranoicamente na derrubada de Lula desde o dia de sua posse pode esperar o sucesso de uma luta de classes deliberadamente comandada pelo próprio presidente da República? É inacreditável que uma doutora de 63 anos de idade, do alto de dezenas de livros e artigos, não perceba o quanto sua tese é uma aberração — não em face de doutrinas adversárias, mas intrinsecamente comparada a sua própria doutrina. Mesmo dizendo que não havia condições de ruptura, devido ao FMI, Marilena Chauí afirma que os 52 milhões de votos que elegeram Lula lhe davam a força necessária para politizar o governo na direção da luta de classes. Quando diz isso, obviamente está pensando na Venezuela de Hugo Chavez, que é muito diferente do Brasil de Lula — além de não ter a mesma complexidade continental, a Venezuela ainda tem o petróleo, verdadeiro combustível de ditaduras.

Marilena Chauí continua fiel ao PT e acha que o partido está muito vivo e tem um grande futuro. No seu entender, a culpa de tudo o que aconteceu é da direção partidária. Infelizmente, nenhum entrevistado ousou perguntar a ela se os dirigentes do PT tomaram o poder no partido pelas armas. Obviamente foram eleitos, o que significa que sua culpa tem de ser repartida com toda militância ou pelo menos com aquela parte majoritária que ajudou a elegê-los. Mas a filósofa Marilena Chauí prefere agir covardemente, isentando-se de qualquer culpa e satanizando Delúbio Soares: “É inaceitável a expulsão de um quadro partidário por causa de suas convicções políticas. Mas o caso de Delúbio é diferente, é um caso de delinqüência. Mesmo que você diga que a iniciativa não é dele”. Como uma pessoa que se diz filósofa, que teve e tem sob sua responsabilidade a educação de gerações, pode ser tão injusta com um ser humano? Do ponto de vista ético, a filósofa Chauí e a USP que a (de)formou não servem nem para lamber os coturnos dos militares os quais tanto combateram. Qualquer tenente sabe que a culpa de um soldado é menor do que a do sargento que o obrigou a perpetrar um crime. Se a iniciativa da “delinqüência” petista, como ela mesmo afirma, pode não ter sido de Delúbio Soares, porque só ele tem que pagar por ela? Ainda mais Delúbio, que foi extremamente leal ao PT, protegendo todos os mandantes de seus atos, a começar pelo presidente Lula. Definitivamente, Marilena Chauí me dá asco. Se essa entrevista era sua candidatura à ideóloga da corrupção, ela não passou no teste — sem dúvida, é mentalmente inferior aos corruptos e, talvez, moralmente pior.

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