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04/10/2009 - Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A cultura da burla


O rumoroso episódio do adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria realizado neste final de semana em todo o país, evidenciou mais uma vez o quanto a corrupção está incrustada na sociedade brasileira. Basta surgir uma oportunidade e logo aparecem espertalhões para tirar vantagem. Os trapaceiros sobrevivem, prosperam e se multiplicam por causa da impunidade, mas também – e principalmente – porque muitas pessoas que se consideram honestas compactuam com as burlas. Quem roubaria uma prova escolar se não tivesse a certeza de que alguém pagaria por ela?

No caso específico, felizmente, o ciclo vicioso foi interrompido por uma denúncia responsável. Difícil é saber se antes de oferecer a informação para um órgão de imprensa os vigaristas não a repassaram para outras pessoas interessadas em conhecer antecipadamente as respostas das questões do concurso. Quem cola na escola, fura fila, recebe ou paga propina, acha-se no direito de estacionar em fila dupla mesmo que isso prejudique outras pessoas ou comete pequenas contravenções porque não dá nada, ou porque outros também o fazem, quem assim procede está contribuindo para disseminar no país esta cultura da burla, geradora das grandes falcatruas.

Enquanto o Brasil continuar sendo o país do jeitinho – e algumas pessoas se orgulharem disso –, será difícil promover a mudança de mentalidade necessária para um combate efetivo da corrupção. Como ensina a teoria das janelas quebradas, uma casa que parece abandonada serve de atrativo para marginais, drogados e criminosos. Um simples vidro quebrado que não é consertado pode ser o gerador de um ambiente propício à criminalidade. Da mesma maneira, a tolerância com pequenas irregularidades e com pequenos delitos acaba gerando um modelo de corrupção e impunidade.

É evidente que os grandes golpes devem ser reprimidos com vigor, que todos os brasileiros precisam continuar vigilantes com a administração pública, cobrando de governantes e representantes políticos total integridade. Mas têm o dever, também, de não transigir com qualquer tipo de irregularidade, independentemente de sua dimensão, ocorra ela na área pública ou no setor privado. O país convive com esperteza demais, com sujeira demais, com salafrários demais. Não é possível que dois ou três facínoras interessados em ganhar dinheiro fácil prejudiquem desta forma milhões de estudantes, perturbem todo um sistema educacional, provoquem o adiamento de vestibulares, causem tanto transtorno e continuem impunes. As autoridades policiais e judiciais têm o dever de responsabilizar esses delinquentes. Mas tão importante quanto achar os culpados e puni-los devidamente é começar logo a prevenir a burla, o que só poderá ocorrer através da educação, do exemplo e do envolvimento de todos com a correção deste mal endêmico que parece não ter fim.

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