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28/01/2007 - O Tempo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Negócio da Índia

Por: Ezequiel Fagundes e Ricardo Corrêa


Anunciando como “um negócio da Índia”, o advogado tributarista e deputado federal eleito Juvenil Alves (suspenso do PT) colocou à venda, pela Internet, a fazenda Koronus, localizada no município de São Gonçalo do Pará, a 118 km de Belo Horizonte.

A propriedade rural de 500 hectares poderá ser adquirida por um valor próximo a R$ 5 milhões, como constatou O TEMPO em contato com o responsável pela venda.

No entanto, na declaração de bens que Juvenil Alves prestou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) na época da campanha, o petista não declarou ter propriedades com este valor, o que reforça a suspeita de que ele teria omitido bens à Justiça Eleitoral.

O bem de maior valor apresentado por Juvenil Alves na prestação de contas é a participação societária na Koronus Empreendimentos S/A, no valor de R$ 1,8 milhão.

Embora haja o anúncio de venda no próprio site da fazenda Koronus (www.koronus.com.br), o responsável pela venda, que é filho de Juvenil, afirma que o negócio só poderia ser concretizado após alguns meses, quando os bens de Juvenil estariam desbloqueados pela Justiça.

Por telefone, imaginando tratar-se de um comprador, Thiago Ferreira detalhou as benfeitorias da fazenda que se oferece de porteira fechada, ou seja, incluindo animais e toda a infra-estrutura.

“Não sei se você está acompanhando, mas meu pai chama-se Juvenil Alves e está tendo um problema aí. É coisa que a gente deve resolver em poucos meses, mas em princípio o que tem lá são 200 cabeças de Nelore, tudo registrado. Sempre foi gado de melhor qualidade que a gente comprou e deve ter aí uns 30 Mangalarga Marchador que a gente é criador também”, detalhou na conversa.

Mas, além dos animais, a fazenda de Juvenil Alves possui uma estrutura completa, com equipe de geneticistas, zootécnicos e veterinários que cuidam de cavalos e bois premiados que o deputado cria e adquire em leilões de elite. Em um vídeo divulgado na Internet, são apresentados detalhes do empreendimento colocado à venda.

A menção, no início, “um negócio da Índia” refere-se ao estilo de construção de uma das sedes da luxuosa fazenda Koronus, e ao rebanho de Nelore, raça originária do país asiático.

Em relação ao bloqueio de bens, o filho de Juvenil argumenta com o suposto comprador que isso deve se resolver rapidamente, pois, segundo ele, o prazo para o desbloqueio nesses casos é de seis meses.

“Não existe nenhum processo contra a gente ainda, mas ainda há um bloqueio judicial desses bens. Mas o prazo legal disso é seis meses. Se começou em novembro, já tem dois, então não acredito que vá passar disso não”, analisa o filho do deputado federal eleito.

Juvenil Alves ainda não foi denunciado pois conseguiu foro privilegiado ao ser diplomado como deputado federal. Agora, o procedimento só pode ser realizado pelo procurador geral da República, Antônio Fernando Souza, e correr no Supremo Tribunal Federal.

Preso pela Polícia Federal e libertado por força de habeas corpus preventivo, Juvenil Alves é apontado como líder de um esquema de “blindagem patrimonial” que teria provocado um rombo de R$ 1 bilhão aos cofres da Receita Federal.

O inquérito protocolado na Justiça Federal cita seis crimes (sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica). Se for denunciado, julgado e condenado, ele pode pegar até 35 anos de cadeia.

Valor de venda é imcompatível com declaração de bens

O valor inicial de R$ 5 milhões que o advogado tributarista e deputado federal eleito Juvenil Alves (suspenso do PT) estaria querendo pela Fazenda Koronus significa 78% de tudo o que petista declarou ter como patrimônio total ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (R$ 6,48 milhões).

A participação societária na Koronus Empreendimentos S/A valia, segundo a declaração de Juvenil, R$ 1,8 milhão. A fazenda Chamba Gado Bovino e Equino valeria R$ 1,7 milhão e fica exatamente na região onde está localizada a Koronus.

No cartório de registro de imóveis de Pará de Minas, onde são registrados os bens imóveis de São Gonçalo do Pará, a informação é de que Juvenil Alves possui sete propriedades rurais.

Nenhuma delas, no entanto, possui o nome oficial de Koronus e, sim, de Chambá, Chambá Ingaia, Chambá do Gaia entre outras. No site da fazenda Koronus e nas falas do filho do deputado federal eleito, no entanto, o proprietário informado é o próprio Juvenil.

Bens

Os outros bens declarados por Juvenil na prestação de contas são de valores pequenos. Nem mesmo seu escritório que ocupa um prédio de 11 andares no Buritis aparece com valores significativos.

O delegado Bruno Ribeiro, que presidiu inquérito da operação Castelhana, da Polícia Federal, disse, na época, que Juvenil Alves, omite seu patrimônio através de um esquema de blindagem.

“À medida que o tempo vai passando nós vamos identificando mais e mais bens de Juvenil. Porque na verdade os bens dele não estão em seu nome. Ele tem um apartamento de alto luxo aqui em Belo Horizonte que está em nome de uma empresa brasileira que, por sua vez, pertence a uma empresa uruguaia que, por sua vez, é do Juvenil”, explicou o delegado, citando um apartamento na zona Sul de Belo Horizonte, que não havia sido declarado. (EF/RC)

Animais premiados e completo centro de lazer

Como o próprio site e o vídeo de venda dizem, a luxuosa fazenda Koronus possui uma estrutura de dar inveja. É auto-suficiente em água, com pastagens formadas, terra agricultável, mostrador com pistas, baias indianas e local para leilão.

Toda a estrutura é monitorada por circuito de câmeras que pode ser visualizado à distância, via Internet. O empreendimento é, como diz o locutor, “um complexo empresarial com tecnologia, segurança, conforto, praticidade e localização privilegiada”.

O vídeo ressalta que a fazenda fica a uma hora e meia de Belo Horizonte e apenas 30 minutos do aeroporto de Pará de Minas. Além da sede social de luxo, com piscina e um completo centro de lazer, a Koronus possui dez casas ou apartamentos para os colonos.

Os funcionários trabalham com alta tecnologia, incluindo transferências de embrião, objetivando o melhoramento genético dos Nelores de ponto. Todo o trabalho é acompanhado por geneticistas, zootécnicos e veterinários.

Entre as jóias raras da fazenda de Juvenil Alves está um novilho Nelore PO, que ele teria adquirido em um leilão em Uberaba, no Triângulo Mineiro, pela bagatela de R$ 800 mil.

Além das cerca de duas centenas bois, a Koronus se destaca por abrigar um haras com cavalos da raça Mangalarga Marchador, uma das mais valorizadas do mundo. Cada cavalo de Juvenil custaria cerca de R$ 150 mil.

Em entrevista publicada pela revista da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Mangalarga Marchador (ABCCMM), em 2005, Juvenil conta que começou a criar cavalos em 2001 e fala sobre as aquisições, sendo apresentado como o proprietário de Ventania do Sertão, um mangalarga campeão de um concurso de marcha.

“Iniciamos adquirindo nossas primeiras matrizes no leilão Equus Brasilis. Depois, em outros leilões também consagrados, dentre os quais destacamos Elo da Marcha, Yuri, Laglória, Policromáticos e em diversos haras, continuamos a formar a nossa base de plantel, inclusive com a escolha de renomados garanhões, dentre os quais destacamos o Favacho Malta, que todos conhecem”, ressalta Juvenil.

Favacho Malta é o xodó do criador, e mereceu, inclusive, uma poesia assinada pelo deputado, que está publicada no site do haras.

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