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12/01/2006 - Correio do Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O tamanho da corrupção


O escritor argentino Jorge Luis Borges é autor de uma frase emblemática para o Brasil atual, notadamente quando se tenta olhar o País pela ótica da CPI dos Correios: “a verdadeira história é secreta”, escreveu ele num de seus textos mais famosos, inaugurando o chamado realismo fantástico na literatura latinoamericana.

A três meses do encerramento desta que é a principal Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o espírito borgeano se faz presente, ecoando como nunca uma máxima que teima em perseguir a consciência nacional.

Ontem, abrindo mais um capítulo desta longa novela canhestramente protagonizada por Marcos Valério e Delúbio Soares (e mais uma centena de atores de primeiro, segundo e terceiro escalões), o jornal Folha de S.Paulo revelou que cerca de R$ 6 bilhões movimentados em contas bancárias de empresas sob investigação permanecem um verdadeiro enigma para os técnicos da CPI.

E o mais grave é que todo este dinheiro é a ponta do iceberg de um grande esquema de assalto sistemático aos cofres públicos. Tudo indica que a sociedade brasileira jamais saberá o que aconteceu, quem são todos os envolvidos e quanto somam, afinal, as transações nebulosas praticadas em nome da esperança que finalmente havia conseguido vencer o medo de mudar.

Estes pontos certamente serão incógnitas com as quais se terá de conviver ao longo do tempo. Talvez no futuro, historiadores e cientistas políticos consigam desvendar todo o episódio que hoje está dispersado, fragmentado, formando um quebracabeças de difícil montagem e quase impossível decifração.

Por mais bem intencionados que sejam os membros da comissão – todos cientes de que um fracasso retumbante da CPI poderá representar vitória inominável da impunidade e, consequentemente, perda de credibilidade com o eleitorado –, é revelador o fato de que dificilmente o relatório final dos trabalhos terá neutralidade política. Tanto que o próprio Governo está atuando paralelamente para desqualificar as conclusões que possam ser utilizadas eleitoralmente pelas oposições no decorrer da campanha deste ano.

O grande problema da CPI dos Correios é que as revelações sobre esquemas intrincados de transferência de recursos públicos para a esfera privada, para o caixa 2 dos partidos e também para as contas particulares (inclusive encontradas em cuecas) de inúmeros apaniguados do poder transitam no vácuo, numa verdadeira névoa de mistério. Sabese com certeza que as falcatruas foram praticadas, mas não como executadas tecnicamente.

São pouquíssimas pessoas hoje no Brasil que podem dizer com segurança que compreenderam (mesmo por alto) o que de fato ocorreu nos primeiros dois anos e meio de Governo Lula. As operações engendradas pelas cúpulas partidárias da base aliada à gestão petista com inúmeros segmentos do empresariado brasileiro (empreiteiras, agências de publicidade, prestadores de serviços diversos etc.) adquiriram uma dimensão tão complexa que deve ter chegado um momento que nem mesmo aqueles que comandavam o processo tinham controle do que estava ocorrendo.

Por isso, não se sabe até o momento qual foi o montante de recursos que transitou pelo famoso valerioduto. Há uma idéia tênue de que a conta ultrapassa R$ 6 bilhões, valor superior ao orçamento global de vários Estados brasileiros, entre os quais Mato Grosso do Sul. Mas uma coisa é certa: nunca o País esteve tão próximo de si mesmo.

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