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20/09/2009 - Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Livro analisa a infidelidade em diferentes países e culturas

Por: Patrícia Rocha


A combinação do puritanismo dos Estados Unidos com o afã galanteador do homem latino-americano deu origem a um tratado sobre um dos temas mais antigos, polêmicos e provocativos da história da humanidade: a infidelidade.

Pamela Druckerman chegou a Buenos Aires como correspondente do Wall Stret Journal, e logo se surpreendeu com o assédio de homens casados. Levou algum tempo até entender que não havia se tornado subitamente irresistível, e sim que estava exposta a uma cultura amorosa muito mais permissiva.

– Estou te oferecendo um grande prazer – justificou-se, surpreso, um empresário argentino que não entendia por que o fato de ele ser casado a deixava tão ofendida diante de um convite para um jantar romântico.

Depois de declinar do convite, foi a vez de Pamela perguntar-se por que ela, uma cidadã do mundo, achava a oferta tão ultrajante. E a resposta para essa e muitas outras questões está em Na Ponta da Língua (Record, 304 páginas, R$ 44,90). A jornalista percorreu 24 cidades de 10 países, entrevistou casais, traídos, infiéis, sexólogos, psicólogos e historiadores para desenhar e compreender como a infidelidade é vista e praticada em cada cultura. Em seu próprio país, os Estados Unidos, investigou as raizes do puritanismo, desde os fundadores do tempo da colonização, aos dias de hoje, quando Hollywood vira e mexe pune no cinema quem quebra os votos de fidelidade.

Pamela percorreu lugares e culturas tão distintos como a Rússia e o Japão e diz lamentar ter deixado de fora países como o Brasil, onde também atuou como correspondente. Mas na entrevista a seguir, concedida por e-mail desde Paris, onde mora atualmente, a autora comenta suas descobertas mundo afora e também suas impressões dos amores e das puladas de cerca na América Latina. Casada, mãe de três filhos, a jornalista de "30 e poucos anos" conta ainda por que segue acreditando na monogamia.

Você lança uma pergunta em seu livro: "E se nos tratássemos o adultério como um fato da vida? Aliviaria a dor?". Encontrou a resposta?

Pamela Druckerman – É quase sempre muito doloroso descobrir que seu parceiro está dormindo com outra pessoa. Mas é ainda pior quando você entra em um casamento – como muitos americanos fazem – presumindo que qualquer traição significa que a união está automaticamente acabada ou que o adultério sinaliza que todo o relacionamento foi uma mentira. Luxúria e amor são complicados.

Já virou lugar-comum a noção de que os homens apenas precisam de uma chance para trair, enquanto as mulheres só são infiéis quando se envolvem emocionalmente. O que há de verdade nesses clichês?|

Pamela – Descobri que a maioria das pessoas não se permite trair a menos que tenha desculpas socialmente aceitáveis. Os homens americanos são quase obrigados a dizer a sua amante que eles vivem casamentos infelizes e assegurar a possibilidade de que venham a deixar suas esposas.

O que é preciso para perdoar uma traição?

Pamela – Depende do contexto. Na Rússia, um casaco de pele ou uma viagem para um resort em uma praia da Turquia parecem ajudar esposas traídas a se recuperarem. Nos EUA, frequentemente leva-se muitos anos de terapia e vigilância antes que alguém confie novamente no parceiro que traiu. Na França, vingar-se com um affair parece funcionar.

A eleição de Obama, que inaugura um novo momento na história dos EUA. Este novo cenário pode afetar o puritanismo e a culpa dos americanos, a que você se refere tantas vezes no livro?

Pamela – Foi muito encorajador ver que a discussão sobre a vida de Ted Kennedy (senador americano que morreu em agosto deste ano) focou-se mais nas suas realizações e sua família do que em sua vida sexual. Foi um atestado coletivo de que fidelidade sexual não é um parâmetro – ou o único parâmetro – do que você é como pessoa. Não vamos abandonar nossas amarras à fidelidade, mas acho que o nível de fervor que atingimos nos anos 1990 – culminando no processo de impeachment contra (o presidente Bill) Clinton – é insustentável.

Os latino-americanos traem mais do que homens de outras nacionalidades, como mostram as pesquisas, ou eles apenas contam mais vantagem?

Pamela – As estatísticas do sexo mostram que os latino-americanos só perdem para os africanos no ranking dos mais infiéis do mundo. (Embora deva-se dizer que muitos países, como Japão e Rússia, não têm estatísticas confiáveis sobre sexo.)Minha impressão é que as brasileiras pensam que seus parceiros irão traí-las se tiverem oportunidade, então são extremamente vigilantes. É o oposto de nós, americanas, que pensamos que, se alguém nos ama, não sentirá falta de dormir com outras.

O que mais chamou sua atenção no Brasil?

Pamela – Fiquei impressionada como os homens comentam um com o outro sobre suas amantes. Isso realmente aumenta o status deles, ser visto como alguém que conquista muitas mulheres, mesmo que seja casado. Nos EUA, quem trai a maioria das vezes faz isso em segredo e é possível que não "confessem" nem para os seus amigos mais próximos.

No livro, você comenta que muitos cidadãos na Argentina estavam conformados com a corrupção e que enganar suas mulheres parecia parte do mesmo pacote. Há uma correlação entre a (falta de) ética na política de um país e nos relacionamentos de seus cidadãos?

Pamela – Nos EUA, alguns dos nossos melhores presidentes e figuras políticas foram extremamente (e mesmo serialmente) infiéis. E alguns dos mais medíocres nunca traíram suas esposas.

Depois de tudo que viu e ouviu, você ainda acredita em monogamia?

Pamela – Acredito! Nunca encontrei aquele país mítico onde homens e mulheres ficam por aí, sem consequências negativas ou dor. Mesmo em países em que traição é considerada algo esperado e normal, acaba levando a complicações e corações partidos. Há argumentos morais para a fidelidade, mas também há argumentos práticos muito convincentes. E nestes dias, com e-mail, mensagens de texto, quem trai deixa muito mais pistas.

Infiéis sem fronteira

A jornalista Pamela Druckerman revela peculiardades do adultério em diferentes países:

:: Como prova de que respeitam a mulher que traem e também para impor limites, os chineses costumam falar bem da esposa para a amante.

:: A mídia britânica trata o adultério quase como um esporte. Quando não encontram nada comprometedor sobre os famosos – nem vasculhando suas latas de lixo – apelam para celebridades do time B. Ou mesmo ingleses comuns.

:: Pamela Druckerman derrubou um clichê no qual até ela acreditava: trair não é um passatempo nacional na França. Os franceses traem da mesma forma com que comem e bebem – com moderação. Mas sem culpa, com qualidade e total discrição. Já que os casos costumam durar, melhor manter segredo.

:: Na África do Sul, onde um em cada cinco adultos tem o vírus HIV, o medo da Aids não impede a infidelidade recreativa. E as mulheres que são contaminadas com o vírus HIV por seus maridos infiéis, diz Pamela, não costumam desistir de seus casamentos.

:: De fuga ao controle do Estado em tempos de comunismo, a traição virou agora um alívio diante da instabilidade financeira enfrentada por muitos russos. Mas somente na Rússia e nos Estados Unidos a autora diz ter escutado relatos de homens que preferiram revelar à esposa a pulada de cerca: incitar o drama, especula Pamela, seria uma forma de apimentar o casamento.

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