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15/09/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Após denúncias, atestados médicos falsos continuam a ser vendidos em SP

Conselho Federal de Medicina se diz preocupado com prática ilegal. Médicos que assinam atestados dizem ser vítimas de falsificação.

Um dia depois das denúncias feitas pelo Jornal Hoje sobre a venda de atestados médicos falsos no Centro de São Paulo, a equipe da TV Globo voltou ao local e constatou: nada mudou. Os chamados “plaqueiros”, que anunciam o comércio, continuam no mesmo lugar. O Conselho Federal de Medicina está preocupado e já pensa em mudar os atestados.

“Blocos que pudessem ter um controle central, uma legislação federal, que isso pudesse ter um controle central, número, com inúmeras situações de segurança, tais como marca d’água [nas folhas], para que pudesse minimizar esse problema”, disse ClóvisConstantino, diretor do conselho.

Os “plaqueiros” dizem que apenas anunciam o serviço, para um escritório.

Vendedor – Eu só anuncio.
Produtor – Tem médico lá?
Vendedor – Tem... Faz direitinho.

Mas não foi isso que foi encontrado. O produtor diz que precisa de mais atestados para alguns amigos.

Produtor - Dá pra arrumar, assim, uns 10 de uma vez?
Vendedor - Arrumo os 10... Nossa! Quantos precisar nós arruma (sic).

Ninguém passa por médico nenhum e o plaqueiro admite a irregularidade.

Vendedor – Você sabe que se não passar no médico é contra a lei, né? O certo mesmo era passar no médico, né?

Ele sai para buscar o atestado, e volta poucos minutos depois, com tudo preenchido.

Na Rua Barão de Itapetininga, o atestado é preenchido numa cabine telefônica pelo próprio falsário. Ele usa um código para justificar a doença de mentira, K-29.

Vendedor – Bronquite asmática com problema de respirar.

No livro médico, K-29 é usado para identificar problemas de gastrite.

De acordo com o delegado responsável pela região central, a polícia continua investigando as falsificações. Os atestados comprados pelos produtores foram entregues à polícia.

Dos três médicos que assinaram os comentários, dois foram encontrados. Maria Isabel di Pierrô não quis gravar entrevista e disse que já registrou um boletim de ocorrência denunciando a falsificação.

O médico David Feder, clínico feral e professor na Faculdade de Medicina da Fundação Santo André e na Universidade Federal de São Paulo, disse que já sabia que seu registro estava sendo usado por falsificadores, e registrou um boletim de ocorrência. Mesmo assim, ainda está preocupado. “Posso ser processado por empresas cujos funcionários não estão trabalhando”, afirmou.

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