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15/09/2009 - O Norte de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Alunos compram monografias para obter diploma com mais comodidade

Por: Renata Martins


O sonho de entrar em uma faculdade é trocado por um pesadelo no momento em que se aproxima a conclusão do curso. O TCC – Trabalho de conclusão de curso e as monografias são considerados pelos formandos verdadeiros bichos-papão, devido às exigências técnicas que são impostas ao domínio do conteúdo.

Alguns alunos acham que a última verificação deveria ser mais prática, para comprovar que o universitário tem condições para entrar no mercado de trabalho. Outros garantem que a forma atual é necessária.

Mas uma coisa é ponto comum: que seja por falta de tempo ou dúvidas sobre como fazer o trabalho que vai decidir se a pessoa se forma ou não, recursos como a compra do trabalho final são adotados.

Em Montes Claros, donos e funcionários de lan houses, gráficas e até de livrarias se oferecem para fazer os trabalhos. O preço é diversificado, dependendo do modelo do trabalho, número de páginas e curso.

O agora professor Guilherme Oliveira conta que só se formou porque pagou outra pessoa para fazer o seu TCC.

- Eu sempre trabalhei o dia todo e não tinha tempo para ler o material, estudar e ainda escrever os textos de conclusão do curso. Então, fui informado por um amigo que um rapaz fazia esse tipo de trabalho. Procurei a pessoa, expliquei como deveria ser feito o trabalho, passei o material que deveria ser utilizado e ele fez todo o restante por mim. Paguei R$ 200, no mês que antecedia a banca final, peguei o trabalho pronto com ele e só li para saber apresentar. Fui aprovado com uma boa nota – afirma.

Os coordenadores de curso universitários em Moc se dividem ao falar sobre o assunto. Alguns afirmam ter conhecimento do fato mas, segundo eles, não há como descobrir se o trabalho foi feito ou não pelo acadêmico. Outros garantem que até o momento a fraude comum entre os alunos é a entrega de trabalhos copiados de sites da internet. Por esse motivo, todo o material recebido passa por avaliação minuciosa, para que cópias sejam identificadas.

Pelas ruas, o tema divide a opinião pública. O universitário Thiago Silva, 25 anos, conta que já recebeu proposta de pessoas que consideram a fraude uma forma honesta de ganhar dinheiro.

- Na Unimontes fui abordado por um homem que se ofereceu para fazer minha monografia, ele iria me cobrar R$320 para me entregar o trabalho todo pronto e impresso. Eu considerei a atitude dele um absurdo e não concordei – conta.

Já a aluna do curso de Enfermagem, Paula Ferreira, 23 anos, garante que quem faz a opção por este serviço tem consciência das consequências que este ato pode gerar.

- Todos os estudantes são orientados em suas escolas ou faculdades sobre este assunto. Todos nós sabemos que isto é crime, mas se mesmo assim a escolha do aluno é a de pagar para que o trabalho seja feito isso é um problema dele que prova não ser merecedor de está aonde está. As pessoas que fazem não devem ser punidas a culpa nesse caso e de quem mandou fazer – afirma.

O funcionário de uma lan house que fica na Rua Governador Valadares, que prefere se identificar apenas como Tico, conta que a procurar por este tipo de trabalho é diária. Segundo ele não importa a idade ou classe social, os jovens sempre querem as coisas fáceis.

De acordo com ele, crianças do ensino fundamental e médio procuram os funcionários das Lan House para que os mesmos façam pesquisas e trabalhos determinados em sala de aula. Já os jovens de cursos superiores e técnicos “pagam bem”, para que os trabalhos de conclusão de curso sejam feitos.

Tico afirma que a todos tentam se justificar e que a desculpa usada por eles é sempre a mesma: “A falta de tempo”. Ele não se considera um criminoso, mas, sim uma pessoa que tenta ajudar o próximo.

- As crianças sempre alegam que não sabem ou não dão conta de fazer sozinhos os trabalhos. Já os universitários contam que trabalham e não conseguem associar as duas coisas. Vejo as pessoas que fazem esse tipo de trabalho “colaboradores da sociedade”. Pois, crime seria se roubássemos ou fizéssemos algo parecido, mas, complementamos nossa renda familiar de forma honesta – afirma.

Em uma copiadora o funcionário também confirma a fraude. E garante que em alguns casos os donos dos estabelecimentos não sabem que os funcionários agem desta forma e que em 100% as faculdades nunca descobrem que o trabalho apresentado por seus alunos foram comprados.

- Faço uma média de 10 trabalhos finais por ano e nunca descobriram. Clientes nunca faltam porque o boca a boca é a nossa propaganda. AS vezes tenho que encaminhar os alunos para outras pessoas que fazem a mesma coisa porque não dou conta de tanto pedido – conta.

Pedro (nome fictício) conta todos os detalhes da fraude. Segundo ele, é um trabalho fácil e que traz recompensa para as duas partes. Ele conta que os jovens de hoje estão preocupados em ser aprovado, o conhecimento para eles vem com o tempo.

- A meninada de hoje não se preocupa em aprender eles querem passar e ficar livre que seja das escolas ou das faculdades. Aprender é algo que eles vão fazer com o tempo e na prática tudo isso não passa de burocracia - afirma.

Ele ainda ironizou dizendo: inteligente é quem paga e burro quem estuda. “ O diploma das pessoas que estudando e fazem seus próprios trabalhos tem o mesmo valor que o de quem paga. Amanhã ou depois eles vão concorrer a mesma vaga de emprego e se duvidarem o que hoje comprou o trabalho pode provar ser mais qualificado para o trabalho do quem passou meses escrevendo”.

A fraude das monografias é considerada uma atividade criminosa. A titular da DEF - Delegacia de Falsificações e Defraudações, delegada Vera Lúcia da Silva, entende que os envolvidos no processo de produção de teses podem ser acusados por falsidade ideológica e, dependendo do caso, até estelionato.

Isso vale tanto para o universitário que paga pela monografia quanto ao responsável pela produção do trabalho.

- O produtor do projeto pode ser encaixado numa co-autoria, pois também ajudou a fraudar uma instituição - explica.

Os dois crimes tipificados pelo Código Penal prevêem punições de até cinco anos de reclusão. Segundo a delegada, as fraudes universitárias exigem denúncias das vítimas para que a polícia inicie uma investigação.

Segundo declarações do ministério da Educação a fraude é caso de polícia. De acordo com eles, os crimes que chegam ao conhecimento do ministério da Educação são repassados ao ministério Público e à polícia civil.

Os coordenadores de curso das faculdades de Montes Claros chegaram a um consenso quanto ao assunto. Para eles, a honestidade do acadêmico que se prepara para serem profissionais nas mais diversas áreas e fundamental. Todos os professores concordam que não há como identificar ou afirmar que um trabalho foi comprado, por este motivo a consciência de vê partir dos alunos.

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