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22/08/2009 - Diário de Canoas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Ladrão usa documentos falsos, mas vítima é quem vai presa por assaltos

Por: Sílvio Milani

Roubos, prisões e um caso bizarro envolveram uma pessoa inocente em Ivoti, causando perplexidade.

Ivoti - Policiais civis sabiam que estavam prendendo um inocente, ontem à tarde, em Ivoti, mas não tinham como evitar. Era preciso cumprir um mandado judicial. O mais insólito é que as provas em favor do detido estão no sistema informatizado da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado. A foto e as impressões digitais não são as mesmas que as do verdadeiro culpado. Assim, perplexo, foi para a cadeia o comerciante Marcelo Ziegler, 32 anos. Quando os documentos dele foram roubados e falsificados, há mais de dez anos, um assaltante passou a agir em seu nome. A fraude chegou a ser comunicada ao Judiciário, mas não adiantou. Ziegler deve cumprir a pena do criminoso que usa sua identidade.

Do ladrão, só se tem a imagem do prontuário de detentos da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). O Estado o prendeu e o condenou, mas não sabe seu verdadeiro nome. Nem tem conhecimento de seu paradeiro, pois está solto há quase três anos por meio de liberdade provisória concedida pelo Judiciário. As condenações vieram depois.

A foto do apenado foi feita quando detido pela primeira vez, em setembro de 2005, com algumas características físicas em anexo na ficha: cicatriz no supercílio direito, deformidade no dedo indicador esquerdo. Mesmo que nada tenha a ver com Marcelo Ziegler, dono de um posto de combustíveis em São Leopoldo, são os dados pessoais dele que estão na ficha do criminoso. "Será que vão ter que colocar esse cara e eu, lado a lado, para provar quem é quem? Não bastam as fotos, impressões digitais e todo esse conjunto de evidências para eu ficar livre desse pesadelo?", questionava o comerciante na cela da delegacia de Ivoti.

"O que vou dizer para minhas filhas?"

A maior preocupação do comerciante Marcelo Ziegler, enquanto aguardava a remoção para o presídio, era o que dizer para as filhas de 1,8, 5 e 7 anos. "Tem telefone público lá. Vou ligar e dizer que estou em viagem de negócios no fim de semana." A mulher, a professora Sirlene Serpa, 33, observou que o casal só vai falar da prisão para as meninas quando forem capazes de entender. "Esperamos que a Justiça seja feita e meu marido seja solto até segunda-feira." Ziegler não se conforma. "Se estivéssemos na era da máquina de escrever, tudo bem. Estão todos os dados no computador para provar que sou, na verdade, uma vítima. E ainda assim vou preso. Não tem cabimento isso acontecer com um pai de família trabalhador."

Juiz diz que vai rever processos

O juiz Luciano André Losekann informou ontem à noite que vai rever os processos em nome de Marcelo Ziegler na segunda-feira. Ele atua na Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, responsável pelo mandado de prisão. Morador de Estância Velha, o comerciante ficou pela primeira vez atrás das grades em março deste ano, quando chamado à DP de Ivoti para prestar depoimento sobre um acidente de trânsito. Ficou cinco horas na cela até que os policiais, convictos de que não era o verdadeiro procurado, o soltaram e enviaram a documentação sobre falsificação de documentos à VEC da capital. Agora, com novo mandado pelo mesmo órgão, tiveram que mantê-lo preso.

ENTENDA O CASO

- O comerciante Marcelo Ziegler tem os documentos roubados durante assalto no final de 1995, em Porto Alegre

- Um ladrão passa a usar a carteira de identidade da vítima e, dez anos depois, é preso por furto

- Ziegler se torna um presidiário sem saber

- No prontuário da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), estão registradas a foto e as impressões digitais do ladrão, mas com todo os demais dados (registro de identidade, filiação, data de nascimento) do comerciante

- Enquanto o ladrão entra e sai do presídio, agora por assaltos à mão armada, vai aumentando a ficha criminal do comerciante

- Em março deste ano, Marcelo Ziegler é chamado à Delegacia de Polícia de Ivoti para depor sobre uma ocorrência de trânsito

- Os agentes constatam, no sistema informatizado da Secretaria da Segurança Pública, que o depoente é procurado por assaltos

- Surpreso, o comerciante afirma que não é ele, que deve haver algum engano

- Os policiais verificam então o registro de detentos e percebem que a foto e as impressões digitais do foragido não conferem com as de Zigler, apesar de todos os dados pessoais do comerciante estarem imputados ao delinquente da foto

- O então delegado de Ivoti, Nauro Osório Marques, libera o comerciante e envia ofício à Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, responsável pelo mandado de prisão, sobre o uso de documento falso em prejuízo de Marcelo Ziegler

- A vítima contrata um advogado para limpar seu nome e impetrar ação contra o Estado por danos morais

- A VEC de Porto Alegre emite em maio novo mandado de prisão contra Ziegler, relativo à outra condenação por assalto

- Ao ser preso, ontem à tarde, o comerciante constata que seu advogado não impetrou as ações solicitadas

- Como se trata de ordem judicial, os policiais cumprem a prisão

- Ziegler passa a tarde na cadeia da DP de Ivoti e a noite na cela do plantão da Polícia Civil de Novo Hamburgo, ao lado de assaltantes

- Ele deve ser enviado hoje ao Instituto Penal Irmão Miguel Dario, em Viamão, para começar a cumprir a pena do homem que falsificou seus documentos.

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