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12/08/2009 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Alto executivo ligado a Madoff se declara culpado por fraudes

Por: Gabriel Bueno

Fraude em esquema de pirâmide financeira lesou centenas de pessoas em 65 bilhões de dólares

NOVA YORK - Um importante executivo ligado a Bernard Madoff admitiu sua culpa em várias acusações de fraude, nesta última terça-feira, 11. Frank DiPascali Jr., de 52 anos, confessou diante de uma corte federal em Manhattan, Nova York, e foi imediatamente levado à prisão.

Madoff foi condenado por operar um esquema de pirâmide financeira em uma fraude bilionária. Uma acusação da Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), oferecida nesta terça-feira, é a mais elaborada descrição feita até o momento das engrenagens da fraude, sobre como Madoff, DiPascali e outros trabalharam para não serem descobertos e como o negócio por fim entrou em colapso. O texto mostra como DiPascali, Madoff e seus aliados atuaram para convencer reguladores, investidores e mesmo visitantes do escritório de que estava havendo negócios, quando nada existia. "Era tudo falso; era tudo ficcional", confessou DiPascali na corte. "Era errado e eu sabia isso na época."

A confissão deve ser uma má notícia para outros investigados no caso, entre eles familiares de Madoff, empregados e alguns grandes investidores. DiPascali está cooperando com promotores do escritório da promotoria de Manhattan e pode apoiar evidências baseadas em documentos.

Os papeis sugerem que alguns dos principais investidores de Madoff sabiam da fraude, segundo pessoas ligadas ao caso. Nesta terça-feira, os promotores afirmaram, na denúncia oferecida, que o esquema incluía "coconspiradores" não nomeados, além de Madoff.

DiPascali pode pegar 125 anos de prisão, mas deve ter a pena diminuída, por cooperar. O veredicto pode demorar, já que nesses casos muitas vezes a sentença só é dada após a conclusão dos processos em que os réus testemunham.

DiPascali, que largou a faculdade, passou a integrar a companhia de Madoff em 1975, aos 18 anos, e tornou-se posteriormente um executivo importante, monitorando grande parte das operações cotidianas do negócio de aconselhamento de investimentos de Madoff. Muitos dos investidores da empresa lidavam pessoalmente com DiPascali.

O réu afirmou que acreditava trabalhar em uma empresa de prestígio e bem-sucedida em Wall Street. Porém percebeu, no fim dos anos 1980 ou início dos 1990, que não havia operações comerciais com o dinheiro dos clientes. Ele admitiu que ajudou a perpetuar as operações ilusórias, mentindo a clientes e criando falsos documentos deles. Também reconheceu que mentiu à SEC em 2006, sob juramento, por orientação de Madoff.

A boa fase da companhia foi abalada pela crise financeira de 2008. No verão (boreal) daquele ano, Madoff tinha em suas mãos o equivalente a US$ 5,5 bilhões, em uma conta no J.P. Morgan Chase. Porém conforme as ações e os mercados passavam por forte queda nos meses seguintes, os pedidos de resgate de valores passaram dos US$ 6 bilhões. Nos últimos dias da fraude, apenas algumas centenas de milhões de dólares sobraram, segundo a SEC.

Madoff, de 71 anos, cumpre 150 anos em uma prisão federal na Carolina do Norte, após declarar-se culpado em março. O esquema de pirâmide financeira (também chamado esquema Ponzi) lesou milhares de investidores, em bilhões de dólares. As informações são da Dow Jones.

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