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12/08/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Coaf detectou movimentações financeiras 'atípicas' da Igreja Universal, diz MP

Segundo ‘O Estado de S.Paulo’, houve operações ‘suspeitas’ em 5 países. Advogado nega irregularidade.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda que atua no combate à lavagem de dinheiro, encontrou movimentações financeiras "atípicas" envolvendo a Igreja Universal, segundo denúncia apresentada à Justiça pelo Ministério Público do estado de São Paulo.

Na segunda (10), a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e outras nove pessoas por suposta formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A denúncia foi apresentada pelo MP em 5 de agosto.

Os promotores do caso indicaram "movimentações atípicas" entre março de 2001 e março de 2008, de acordo com relatório do Coaf mencionado pelos procuradores na denúncia.

"Ainda segundo o relatório, os débitos dessas movimentações se deram principalmente por pagamentos de despesas a empresas prestadoras de serviços controladas pelo quadrilha; dentre elas, as empresas Cremo Empreendimentos S/A e Unimetro Empreendimentos S/A, comandadas por Edir Macedo", diz o texto da denúncia.

A Cremo e a Unimetro são apontadas pelos promotores como empresas que recebiam o dinheiro desviado das doações dos fiéis e enviava para o exterior.

Entre as movimentações atípicas, a edição desta quarta (12) do jornal "O Estado de S.Paulo" aponta que foram identificadas transferências eletrônicas (TEDs) para oito empresas de comunicação, entre as quais a Rádio e Televisão Record, que aparecem entre as dez principais beneficiárias de transferências da Igreja Universal.

O jornal informou ainda que, entre 2002 e 2007, foram identificadas operações suspeitas em cinco dos 17 países onde a igreja tem atividades econômicas ou religiosas entre 2002 e 2007. O jornal cita que os países são México, Venezuela, Estados Unidos, África do Sul e Chile.

A estimativa é que cerca de R$ 300 milhões tenham sido movimentados no exterior, informou o "Estado", que teve acesso à íntegra do relatório. Ao G1, o Coaf afirmou que não poderia confirmar os dados publicados pelo jornal porque as informações do relatório são confidenciais.

Reportagem da "Folha de S.Paulo" desta quarta diz também que o MP deve pedir cooperação internacional para investigar a suposta lavagem de dinheiro. O pedido deve fazer parte de uma segunda fase das investigações.

Outro lado

O advogado Artur Lavigne, que defende o líder da Igreja Universal, Edir Macedo, e outros réus acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, afirmou em entrevista ao Jornal Nacional que há contradição na atuação do Coaf e da Receita Federal, que, segundo ele, não identificou irregularidades.

“Ocorre que, exatamente nessa época a que se refere o Coaf, a Receita Federal estava procedendo uma investigação dentro das empresas envolvidas nessa questão e conclui pela absoluta legalidade dos depósitos e da movimentação financeira. O que é estranho é que órgão do mesmo organograma do Ministério da Fazenda, ou seja Coaf e Receita, tenham conclusões absolutamente conflitantes”, afirmou o advogado.

Segundo ele, outros processos que questionavam a movimentação financeira da Universal acabaram arquivados. "E desde então essa movimentação financeira, que é um assunto recorrente porque são inúmeros os inquéritos no decorrer do tempo desse processo, sempre com a mesma origem, e que terminaram todos em arquivamento, como eu já disse. Então, dessa vez é da mesma forma”, afirmou

Processo

Os acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no processo aberto pela Justiça de São Paulo no começo da semana têm prazo de dez dias para apresentar defesa ao juiz do caso, Glaucio Roberto Brittes de Araújo.

O Código de Processo Penal obriga que o juiz cite os acusados para responderem à denúncia dentro desse prazo. Isso não invalida a abertura do processo, mas após receber a defesa, o juiz pode optar pela absolvição do acusado.

Entenda

De acordo com o MP, os denunciados integram um grupo que supostamente remetia os recursos oriundos de doações dos fiéis da igreja para duas empresas: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A. Segundo os promotores, são empresas de fachada, pertencentes aos denunciados e instaladas em um mesmo endereço.

Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público, "para os promotores, ficou comprovado que o dinheiro das doações, em vez de ser utilizado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses particulares dos denunciados".

O comunicado diz que Cremo e a Unimetro "remetiam esses recursos para empresas localizadas em paraísos fiscais". Segundo o MP, "o esquema garantia que o dinheiro retornasse ao Brasil em forma de contratos mútuos celebrados com intermediários que fazem parte do grupo acusado, e fosse utilizado na compra de empresas de comunicação".

Em 2004 e 2005, de acordo com o MP, as duas empresas "foram responsáveis pela movimentação, ocultação e dissimulação de mais de R$ 71 milhões".

O Ministério Público diz que, há dez anos, o grupo utiliza a Igreja Universal para a prática de fraudes. O MP estima que a Igreja Universal movimente cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil como resultado de doações de fiéis.


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