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09/08/2009 - paraiba.com.br Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Delegado orienta como prevenir o falso seqüestro por telefone

Por: Paulo Cosme


Atualmente a onda de violência vem crescendo assustadoramente em todo o Brasil, principalmente nos estados mais pacatos como a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Em meio aos variados tipos de crimes notadamente vislumbra-se o crescimento de uma mutável e perversa modalidade de um golpe já conhecido por todos, mas que vem ganhando destaque. Trata-se do golpe do falso seqüestro por telefone que vem assustando e fazendo vítimas em um número crescente e assustador de pessoas em todo o Brasil, sobretudo, nos Estados do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, dentre outros).

De acordo com o delegado do Grupo de Operações Especiais, Goe, da Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, Wallber virgulino o golpe tem versões variadas, mas na maioria das vezes o marginal liga para a casa das pessoas, geralmente a cobrar e informa que mantém um parente como refém, exigindo então um resgate.

“Na verdade, se trata de um blefe construído com dados copiados da lista telefônica, blogs, cheques soltos na praça com anotação de telefone residencial no verso. Além disto, conseguem-se facilmente informações dadas pela própria vítima, que atende ao telefone e responde às perguntas do bandido, revelando dados inocentemente. Tendo o fator surpresa a seu favor, o bandido pede para que a vítima da extorsão não informe a polícia e dá ordens sobre a entrega do dinheiro.”, explica o delegado.

Wallber virgulino, que também é especialista em Ciências Penais e Tutor da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, afirma que pessoa é aterrorizada de tal forma, que se vê obrigada a pagar o resgate de um suposto seqüestro sem que tenha tempo de checar se a informação é verdadeira.

Atualmente, o anúncio por telefone, do falso seqüestro de um parente ganhou "efeitos especiais", ou seja, presidiários na maioria dos casos dos Estados de São Paulo (prefixo do telefone 011), Rio de Janeiro (prefixo 021) e Ceará (prefixo do telefone 085), vêm fazendo várias vítimas, principalmente, no Estado da Paraíba.

A Delegacia do GOE da Polícia Civil da Paraíba/PB vem recebendo por dia várias denúncias de seqüestro em andamento, onde bandidos por telefone exigem dinheiro para libertarem suas possíveis vítimas.

Wallber Virgulino explica que o falso seqüestro por telefone funciona da seguinte forma: depois de escolher um número, geralmente de forma aleatória, a maioria dos criminosos faz uma chamada a cobrar, em um celular pré-pago, e coloca na linha uma pessoa (esposa ou familiares dos apenados em dia de visita nos presídios) gritando ou chorando para simular o desespero do suposto refém.

Outras vezes, a voz usada, são gravações que as quadrilhas utilizam, mas que some rapidamente, sem dar tempo para que o parente tente trocar algumas palavras, cujo objetivo é evitar que a vítima desconfie da farsa. Em seguida, começam as ameaças. A ligação costuma ocorrer quando as vítimas estão sozinhas em suas residências. Na maioria das vezes, as vítimas são pessoas idosas ou leigas que não tem muito conhecimento com o telefone celular.

Prevenção

Apesar do susto que tal golpe representa, existem várias formas de identificar a ação criminosa. O falso seqüestro, assim como outros golpes, nasceu da necessidade de presidiários por crédito nos celulares pré-pagos para se comunicarem, mas deu tão certo que os presidiários estão ganhando muito dinheiro com tal prática criminosa.

De acordo com o delegado esse tipo de crime ganhou o incremento novo que é o uso de vozes ao fundo para simular o seqüestro. “Recomendamos que o interlocutor (vítima) não passe nenhuma informação que possa ajudar o criminoso a dar mais veracidade à história. Geralmente, os criminosos ficam à espera de a vítima falar o nome de algum filho ou parente.”, orienta Wallber.


DADOS SOBRE AS VÍTIMAS: Comumente, as vítimas escolhidas são pessoas idosas, nervosas e que estão no momento sozinhas e não têm conhecimento com uso de telefones celulares.

RECOMENDAÇÕES: As vítimas no momento do anúncio do falso seqüestro devem ter calmas. “Sabemos que é muito difícil, mas é imprescindível muita calma e tranqüilidade; As vítimas devem tentar não passar nenhuma informação que possa ajudar o criminoso a dar mais veracidade à história. Geralmente, os criminosos ficam à espera de a vítima falar o nome de algum filho ou parente; De regra, os telefones utilizados são de prefixo 011 (São Paulo), 021 (Rio de Janeiro) ou 085 (Ceará), por tal motivo é fundamental que a vítima escolhida preste muita atenção nesses prefixos telefônicos”, disse o delegado.

Além de calma e tranqüilidade, a possível vítima tem que conversa com os criminosos sem passar qualquer informação, porém deve tentar ganhar tempo a fim de promover rapidamente uma ligação telefônica para a pessoa que o criminoso diz ser seu refém. Se possível, a pessoa dever entrar em contato com algum amigo policial para auxiliar nas negociações, uma vez que pode não se tratar de um blefe, mas sim de um seqüestro de verdade; Evitar nunca depositar o dinheiro do resgate de imediato, sem antes ligar para o telefone pessoal, residencial ou do trabalho do familiar suposto refém; Nunca contrariar os criminosos, sempre concordar ou fazer de conta que concorda com as ordens dos deles; Nunca sair de casa sem celular ou sem deixar um telefone para contato; Toda vez que desligar o celular comunicar, previamente a esposa, filhos, e outros parentes próximos, avisando o tempo provável que irá ficar sem comunicação.

Por último, é imprescindível calma e tranqüilidade para contactar o familiar que os criminosos dizem está como refém; não depositar o dinheiro do resgate de imediato e sempre avisar algum amigo policial para auxiliar nas negociações.
Para o sucesso do desvendamento dessa modalidade de crime, a contribuição da sociedade, notadamente, da vítima é de fundamental importância, uma vez que polícia pouco pode fazer sem a ajuda da família. Há dificuldade por parte da Polícia em contabilizar o falso seqüestro, pois as pessoas não costumam noticiar o crime, muitas vezes por medo. Se as vítimas mantiverem tranqüilidade a freqüência desse tipo de crime tende a diminuir.

A polícia também tem muita dificuldade no enquadramento jurídico específico para esse tipo de delito: alguns tratam como tentativa de estelionato, outros como extorsão, caso a vítima tenha repassado algum valor ao criminoso, para que o suposto refém seja liberado.

• 11 (ONZE) DICAS DE SEGURANÇA PARA NÃO SER VÍTIMA DO FALSO SEQUESTRO:

1 – Calma e tranqüilidade;
2 - Não passe nenhuma informação que possa ajudar o criminoso a dar mais veracidade à história;
3 – Ficar atento aos telefones de prefixo 011 (São Paulo), 021 (Rio de Janeiro) ou 085 (Ceará);
4 – Tentar conversar com os criminosos no sentido de ganhar tempo para contactar o possível refém;
5 – Antes de atender as exigências dos “seqüestradores”, tentar antes entrar em contato com o possível refém por intermédio de telefone celular, telefone residencial ou profissional;
6 – Nunca atender de imediato as exigências (pagamento do resgate);
7 – Entrar em contato com algum amigo policial para auxiliar nas negociações;
8 - Nunca contrariar os criminosos, sempre fazer de conta que concorda com as ordens dos criminosos;
9 - Nunca sair de casa sem celular ou sem deixar telefone para contato;
10 - Toda vez que desligar o celular comunicar, previamente a esposa, filhos, etc., avisando o tempo provável que irá ficar sem comunicação;
11 - Se não possuir telefone celular ou não tiver como deixa um telefone para contato, andar sempre com cartões telefônicos (orelhão) no bolso e dar conta a família sobre possíveis localidades, pelo menos enquanto essa onda passa.

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